Domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quinto do Tempo Comum, Ano “A”, I Semana do Saltério, Livro III, cor, Litúrgica Verde

 

Santos do Dia: Amando de Maastricht (abade, bispo), Amando de Nantes (abade), André de Elnon (abade), Anatoliano de Auvergne (mártir), Dorotéia de Cesaréia (virgem, mártir), Gastão de Arras (bispo), Geraldo de Óstia (monge, bispo), Guerino de Palestrina (bispo), Hildegunda de Meer (viúva, monja), Renilda de Eyck (abadessa), Saturnino, Teófilo, Revocata e Antoniano (mártires), Silvano, Lucas e Múcio (mártires), Teófilo de Cesaréia (mártir), Ângelo de Furci (agostiniano, bem-aventurado), Diego de Azevedo (monge, bispo, bem-aventurado).

 

Antífona: Entrai, inclinai-vos e pros-trai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus (Sl 94,6-7)

 

Oração: Velai, ó Deus, sobre a vossa família com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

I Leitura: Isaias (Is 58, 7-10)

A tua luz brilhará como a aurora

 

Assim diz o Senhor, 7reparte o pão com o faminto, acolhe em casa os pobres e peregrinos. Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: “Eis-me aqui”. Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Teus atos de justiça irão à tua frente

 

Esse texto de Isaías trata do que agrada e desagrada a Deus. Especificamente, a vontade de Deus é que o amemos acima de todas as coisas e amemos o próximo como a nós mesmos. Esse é o resumo da Escritura. Os judeus já sabiam disso (Lc 10,25-28). O pecado consiste basicamente em não fazer a vontade de Deus resumida nesse princípio. Para reatar a amizade com Deus, o judeu oferecia sacrifícios, e, por meio da substituição da vida do ofertante pela vida do animal (a oferta), era mostrado de forma ritual o desejo do ser humano de entregar sua vida nas mãos de Deus. Estando longe de Jerusalém, impossibilitados de ir ao Templo, os judeus substituíam o ritual do sacrifício pelo jejum. O jejum e os demais ritos penitenciais eram sinais de sincero arrependimento e expressão de mudança radical de conduta (Jn 3,8). Contudo, esse texto de Isaías, dirigido aos judeus dispersos pelo mundo, reclama da prática do jejum quando outras pessoas estão sem roupa, enfermas, sem alimento, injustiçadas. A verdadeira ação que agrada a Deus não se limita a rituais, sejam quais forem; ao contrário, é necessário voltar-se para o “outro”. Só assim a glória de Deus resplandecerá no mundo. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Salmo: 111 (112), 4-5.6-7.8ª e 9 (R/. 4a.3b)[1]

Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez

 

4Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. 5Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça.

 

6Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente! 7Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro.

8aSeu coração está tranquilo e nada teme. 9Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez e crescerão a sua glória e seu poder.

 

 

II Leitura: 1 Coríntios (1Cor 2, 1-5)

      Anunciei entre vós o mistério de Cristo crucificado

 

1Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 3Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. 4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

O anúncio pelo testemunho

 

Paulo é o modelo de discípulo que, por meio do evangelho, se torna “sal e luz” no mundo. E o mundo que ele evangeliza – aqui especificamente a cidade de Corinto – é um ambiente onde os homens brilham por sua sabedoria e eloquência. No entanto, o projeto de Deus difere do projeto meramente humano, pois a sabedoria divina se revela nos que se deixam conduzir por ele, como é o caso de Paulo. Como ministro do evangelho, sua pregação se baseia unicamente na força do Espírito, que o conduz segundo o plano divino. Plano esse revelado na “loucura da cruz de Cristo”, no qual apresenta o caminho de acesso a Deus. Esse caminho não é o do poder nem o do prestígio ou o da sabedoria, que leva o ser humano a se gloriar de si mesmo. Mas é um caminho inovador, totalmente diferente daquele proposto pelo mundo. Um caminho de oferta total de si nas mãos daquele que é fonte de vida: o Pai. Por isso, Paulo não necessita recorrer à sabedoria humana. Sua vida entregue a Cristo testemunha esse poder e essa sabedoria de Deus, fonte de salvação para os que creem. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 5, 13-16)

      Sal da Terra, luz do mundo

 

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 13“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. 15Ninguém acende uma lâmpada, e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim, num candeeiro, onde brilha para todos que estão na casa. 16Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 4,21;9,50; Lc 8,16; 11,33; 14,34-35

 

 

Comentando o Evangelho

Vendo vossas boas obras, glorificarão a Deus

 

Terminado o discurso das bem-aventuranças, Jesus se refere ao papel de seus discípulos no mundo: ser sal e luz. Mas, para que isso seja possível, é necessário serem realmente pobres em espírito, mansos, misericordiosos, puros, pacíficos e alegres, apesar das perseguições.

 

Os cristãos são chamados a transformar o mundo insípido (sem sal), insensato (sem a sabedoria divina) e sombrio (sem a luz de Deus) em reino de Deus, no qual esses valores têm a primazia. Contudo, há o reverso da medalha: se os cristãos não tiverem o espírito do evangelho, não servirão para a edificação do Reino.

 

Tendo a própria vida configurada à vida de Cristo, cada ação praticada no seguimento de Jesus se tornará como que um candelabro a iluminar “todos os que estão em casa”. Será como uma “cidade no alto do monte”, vista por todos os peregrinos cansados a atraí-los para o conforto de uma hospedagem.

 

Quem segue o Cristo com autenticidade se torna portador de sua luz, pois deixa transparecer na própria conduta a vida e a mensagem de Jesus e atrai todos para Deus. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral n.276, Paulus]

 

A Palavra se faz oração (Missal Dominical)

Peçamos a Deus, nosso Pai, que atenda as orações dos que se dirigem a ele com coração pobre e confiante: Senhor, ouvi-nos.  

 

-Pelo povo cristão, para que acolha a palavra do Senhor e a viva com empenho e fidelidade, de modo a se tornar luz do mundo e sal da terra, rezemos.

-Pelos pobres, os oprimidos e os que têm fome e sede de justiça, para que encontrem nos cristãos não só compaixão e caridade, mas solidariedade  fraterna no esforço de libertação e promoção, rezemos.

-Por todos nós que participamos da eucaristia e ouvimos a palavra do Senhor, para que não ocultemos a luz do Cristo por trás do comodismo e das nossas cumplicidades com a injustiça, rezemos.

(Outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Senhor nosso Deus, que criastes o pão e o vinho para alimento da nossa fraqueza, concedei que se tornem para nós sacramento da vida eterna. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Demos graças ao Senhor por sua bondade, por suas maravilhas em favor dos homens; deu de beber aos que tinham sede, alimentou os que tinham fome. (Sl 106,8-9)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, vós quisestes que participássemos do mesmo pão e do mesmo cálice; fazei-nos viver de tal modo unidos em Cristo, que tenhamos a alegria de produzir muitos frutos para a salvação do mundo. Por Cristo, nosso Senhor!  

 

 

 

Homens, luz do mundo

       

O trecho evangélico está no contexto das bem-aventuranças. Os que são proclamados bem-aventurados, não o são só para si mesmos, mas também perante o mundo; para a realidade terrestre são luz e sal. "Vós sois a luz do mundo": Jesus disse estas palavras em primeiro lugar para os que creem, os discípulos que são os pobres, os mansos, os que têm fome e sede de justiça... São luz não porque pertencem à Igreja, ou porque tenham uma doutrina de salvação a comunicar, nem porque são homens de oração e fiéis ao culto; mas, em primeiro lugar, porque são pobres, mansos, puros de coração...

 

Vejam vossas boas obras

 

A primeira leitura o acentua. Ao povo hebreu, preocupado com a prática exterior e irrepreensível do culto, atarefado em reconstruir o templo destruído, Deus lembra que, mais do que o esplendor do culto, o que lhe agrada é que hospedem os desabrigados, dividam o pão com o faminto... "Então a tua luz romperá como a aurora". Não basta rezar e jejuar. A oração e o jejum devem ser acompanhados da ação, "para fazer brilhar a luz nas trevas A abstinência do alimento vale pouco se não for para nutrir o faminto”. Como pode o discípulo, concretamente, tornar-se "sal da terra e luz do mundo", está dito também claramente no evangelho quando conclui: "Vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus". Não são as palavras que dão testemunho da vinda do reino de Deus, mas a prática da vida, o comprometer-se em tarefas construtivas. O discípulo deve misturar-se, penetrar profundamente no mundo para dar-lhe o sabor novo, o fermento de salvação trazido por Cristo.

 

No rito do batismo, o sacerdote entrega ao pai do batizando uma vela acesa no círio pascal. Cristo ressuscitado é a "luz". O batizado é o "iluminado" que se insere na morte-ressurreição de Cristo. Viver a luz é o compromisso que o espera: o Espírito o "move", o "arrasta". As "obras da luz" são obra do Espírito através da fragilidade do homem. Não há lugar para presunção, vanglória, soberba.

 

Onde está hoje a luz que salva?

 

O evangelho fala de sal insípido, que "para nada serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens". Fala-se de luz escondida "sob o alqueire". É um convite a "provar" a qualidade do nosso sal de cristãos de hoje, e a ver com que obstáculos ocultamos a luz do evangelho. A firmeza de Isaias não nos permite gracejar ou complicar com sutilezas a palavra de Deus.

 

Ainda hoje contam-se às centenas de milhões os famintos no mundo, e estão sempre aumentando, consequência de uma lógica férrea, própria de um sistema econômico desumano, que acumula riquezas cada vez maiores nas mãos dos que já estão fartos e despoja inexoravelmente os miseráveis. O embaraço ainda se torna maior quando lançamos um olhar sobre o mapa da fome, da miséria e da opressão. Os países "tradicionalmente cristãos" estão no auge da riqueza, da opulência.

 

Sinal ou barreira

 

Surge então a pergunta se também nós, cristãos, não apoiamos um sistema injusto e opressor dos fracos e dos pobres. A pobreza do Terceiro Mundo e as estatísticas do subdesenvolvimento não se explicam pela recusa da técnica, ou pela preguiça congênita e irremediável, mas pela secular exploração das matérias-primas, pela submissão forçada a uma raça, pelo comércio internacional baseado na intimidação ou na boicotagem, nas "ajudas" internacionais como modo de desfazer-se utilmente de mercadorias inúteis. Fica então uma interrogação: será que a luz de Cristo ainda ilumina este "mundo" ou, ao contrário, ilumina só um "mundo futuro", para o qual devemos caminhar como num êxodo? A comunidade cristã de hoje corre o risco de ocultar atrás de pesadas barreiras a luz de Cristo. A não consciência da solidariedade no testemunho, o desinteresse por uma expressão comunitária da nossa fé, a política de se lavar as mãos quanto aos fatos em que não estão em jogo os nossos interesses, a intervenção ingênua em defesa da "ordem constituída" impedem às nossas comunidades eclesiais de fazer ver a luz. É necessária uma continua reflexão a fim de que as estruturas não se tornem barreira ou contratestemunho da nossa Igreja. E a reflexão deve tornar-se ação, com sabedoria e eficácia, para não destruir nada de válido, para fazer brotar as sementes de bem que existem por toda parte e que esperam um bom terreno, um cultivo cuidadoso e o confiante recurso ao auxílio decisivo de Deus. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

 

O sal e a luz

Dom Paulo Mendes Peixoto, Bispo de São José do Rio Preto

 

A função do sal é salgar, dar sabor e conservar os alimentos. Aí está o seu valor e as principais finalidades de sua existência. Realizando isto, ele está cumprindo os objetivos porque foi criado e porque existe na sua própria estrutura.

 

A luz também tem seus objetivos. Foi criada para clarear, dar condições para que as coisas e realidades sejam vistas, tirando o mundo da escuridão, oportunizando o progresso e a realização de tantos projetos de construção do bem.

 

As pessoas também são chamadas a ser luz e sal, tendo atitudes que ajudem o semelhante, prestando serviços de construção do bem e da vida, fazendo com que o mundo e a convivência entre as pessoas sejam mais saudáveis.

 

Na verdade, o mundo precisa de testemunhas do bem. As palavras podem ser bonitas, mas não convencem. O sal e a luz nem sempre aparecem. Testemunhos de prática fraterna, de partilha com os deserdados da vida e da convivência fraterna.

 

Deus está presente nos atos feitos com retidão, especialmente em quem é comprometido com o bem e luta por uma sociedade justa e igual. Isto é o que leva para o caminho da vida, com a força do sal e a iluminação da luz.

 

O importante é fazer uma opção fundamental pelo Reino de Deus, assumindo a transformação do mundo em busca de uma melhor forma de vida para todos. Temos que nos convencer de que outro mundo é possível.  Assim seremos sal e luz.

 

Numa visão cristã, o sal é a Palavra de Deus, de onde emana o sabor de um mundo defensor da vida. A luz é Cristo vivo, que renova e fortalece nosso empenho em favor dos irmãos na vivência comunitária.

 

Podemos dizer que o sal e a luz é a Palavra de Deus. Ela nos educa e convoca para a prática do bem. É Deus partilhando conosco sua vida e as realidades do Reino do Pai. É chamado para a superação do comodismo e do desânimo diante das dificuldades encontradas.

 

 

 

 



[1] Numeração dos Salmos: a numeração dentro do primeiro parêntese refere-se á anotação hebraica; a de fora segue a Nova Vulgata, adotada pela Igreja Católica e também usada pela Bíblia AVE-MARIA; as demais seguem a numeração inversa (Nova Vulgata dentro do parêntese). A numeração dos versículos (estrofes) é obtida no DIRETÓRIO LITÚRGICO DA CNBB, 2011; a numeração do segundo parêntese está relacionada ao versículo de resposta.