Domingo, 5 de setembro de 2010

23º Do Tempo Comum (Ano “C”), 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia da Amazônia e Dia do Irmão

 

Santos: Herculano, Bertino (monge de Luxeuil), Genivaldo (primeiro bispo de Laon), Bem-Aventurado Guilherme Browne (mártir em 1605), Alberto, Guido, Lourenço, Justiniano, William Browne, Tomas de Tolentino e companheiros (mártires franciscanos, 1ª Ordem)

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl. 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Sabedoria (Sb 9, 13-18)
Prece para obter a sabedoria, a prudência

 

13Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor?

 

14Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: 15porque o corpo corruptível torna pesada a alma e, tenda de argila oprime a mente que pensa.

 

16Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus?

 

17Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desse sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito?

 

18Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela sabedoria foram salvos. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 89(90), 3-4.5-6.12-13.14 e 17 (R.1)
Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós

 

3Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: 'Voltai ao pó, filhos de Adão!" 4Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

 

5Eles passam como o sono da manhã, 6são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.

 

12Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! 13Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

 

14Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! 17Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

 

II Leitura: Filêmon (Fm 9b-10.12-17)
Intercessão de Paulo em favor de Onésimo

 

Caríssimo: 9beu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, 10faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. 12Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração.

 

13Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho. 14Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea.

 

15Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, 16já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. 17Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mm mesmo. Palavra do Senhor!

 

Evangelho, Lucas (Lc 14, 25-33)
Renunciar a tudo para seguir Jesus

 

Naquele tempo, 25grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26"Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo.

 

27Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30'Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!'

 

31Ou ainda, qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!" Palavra da Salvação!

 

 

Opção de fé, opção radical

 

"O ato de fé em Jesus se realiza e se torna concreto abrangendo a realidade do homem em todas as suas dimensões, tanto as do corpo como as sociais e históricas. A adesão à sua pessoa, que se vive na nova comunidade, tem exigências radicais e comporta rupturas e o sacrifício de certas realidades e certos valores. A renúncia que se faz a certas realidades e certos valores ou é um ato de desespero e demissão ante o sentido da existência, ou a abertura da ordem terrena à realidade de Deus que vem do alto como graça.”

 

Renúncia como ato de fé

 

A renúncia ao mundo é um gesto que só se torna possível pela graça da fé no fato de que, em Jesus, Deus se dá gratuitamente ao mundo e que essa graça não pode ser arrancada nem pelo uso  do  mundo e o compromisso com ele nem pela simples fuga. Aliás, só quem tem com o mundo uma relação positiva pode abandoná-lo como valor positivo" (K. Rahner).

 

Se no evangelho, como no trecho de hoje, Jesus multiplica os apelos à renúncia, se convida a carregar a  própria  cruz  e  segui-lo, não  é para que o homem fuja do mundo, mas sim para que o assuma e seja radicalmente fiel à condição humana.

 

Enquanto o homem pecador procura ser feliz, tratando de evitar tudo o que faz sofrer e como que eliminar a morte, e se apoiando unicamente naquilo que a vida presente pode oferecer, o cristão é convidado pela fé a enfrentar esta vida com o máximo realismo. Através do sofrimento, e mesmo da morte, ele dá sua contribuição insubstituível ao êxito da aventura humana. Se lhe acontece ter tristezas enquanto o mundo se alegra, sua tristeza, na realidade, é fecundidade de vida. Sabe que a morte é o caminho para a vida. Mas só obterá isso seguindo Jesus sob o impulso do seu Espírito.

 

Quem optou por Cristo está livre de si mesmo

 

Impregnado de amor de Deus, está o homem entregue às tarefas deste mundo, que ele executa não superficialmente ou apoiando-se nos próprios recursos humanos.

 

As duas breves parábolas de Lucas são uma severa a advertência contra qualquer compromisso superficial. Antes de empreender uma constituição é necessário sentar-se e fazer os cálculos, como igualmente antes enfrentar uma guerra. A fé é algo de radical e precisamos interrogar-nos se estamos prontos para tudo. É a opção de um homem maduro, que avalia atentamente o que lhe propõe a mensagem cristã. Não é fé de conveniência nem fácil romantismo nem desejo de pertença sociológica. Uma opção "madura" de fé exige, particularmente, autonomia e dedicação, valores inseparáveis. A autonomia, pela qual alguém é ele mesmo, inclui a aceitação de si mesmo, à aceitação dos outros aos quais pertence na convivência, a aceitação do outro no amor e no matrimônio, a aceitação do sentido da existência. Além disso, a autonomia implica um plano de realização de si que leve em conta esse contexto ambiental e uma tomada de posição pessoal que se torna abertura à dedicação. Dedicação significa capacidade de estreitar laços com as pessoas ou com as coisas, desinteressadamente, respeitando o valor das pessoas e das coisas, respeitando a própria dignidade.

 

Educar para a autonomia e a dedicação

 

A educação para a fé, especialmente nos jovens, deverá levar em conta essas observações. Se não se forma uma personalidade autônoma nas relações consigo mesmo, com o próximo e com Deus através da "existência”, corre-se o risco de comprometer o crescimento. Educação para a fé é educação integral; parte da recusa da simples aprendizagem mnemônica, da cultura livresca, e procura inserir o jovem na comunidade como lugar de experiência do encontro com Deus.

 

Mas sendo a fé primariamente dedicação pessoal, resposta a um am que se manifesta a nós, até a educação para a dedicação humana se torna importante, porque nos faz capazes de nos dedicarmos a Deus. A família é o lugar ideal para uma educação da fé. O amor é a dedicação entre pai e mãe, a doação de todas as suas energias aos filhos possibilitam compreensão do amor de Deus por nós e estimulam a corresponder concretamente. [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

O sábado na Bíblia

É o sétimo dia da semana, consagrado a Deus porque após os seis dias da criação o Criador descansou (Gn 2,2s). Era um dia festivo (Ex 16,4s.14s.16-36; 35,1-3; Is 1,13; Os 2,13), no qual o israelita se abstinha de qualquer trabalho (Ex 20,8-11; Ez 46,1-12; 20,12) e se dedicava à oração (cf. Ex 31,13; Nm 15,32-36; 1Mc 2,32-41 e notas). Sábado é também o dia do anúncio dos bens futuros, escatológicos (Is 56,1-6; 58,13s; 66,22s; Jr 17,19-27; Ez 44,1-12). Mas, quando Cristo veio, o jugo dos fariseus fizera do sábado um dia de escravidão (Mt 12,1-14; At 1,12; Lc 6,6; 13,10-17; Jo 5,9-18; 7,21-24; 9,14-16). Cristo transforma o sábado no dia da sepultura (Lc 23,53s; Jo 19,31-42) e fixa para o dia seguinte –domingo –o dia da Ressurreição, da libertação, da nova criação (Mc 16,2-9; Jo 20,1.19).  O domingo é o dia em que o Senhor se manifesta (Jo 20,16.26) e transmite o seu perdão (Jo 20,19-23). É o dia da reunião da comunidade cristã (At 20,7; 1Cor 16,2). Por isso, o sétimo dia no qual o cristão repousa e se dedica à oração é o domingo (At 20,7; Ap 1,10 e nota). Ver “Domingo”, “Culto”, “Festa”. [Bíblia Sagrada da Vozes, em CD ROM]

 

Dia do Irmão

 

No dia 5 de setembro se celebra o "Dia do irmão", por ocasião da data do aniversário do falecimento da beata Teresa de Calcutá. A iniciativa, que contou com a aprovação da irmã Nirmala, a superiora geral das Missionárias da Caridade, sucessora da Madre Teresa, foi lançada em 1999 pelo Pe. Miguel Elias Alderete Garrido, sacerdote e promotor do site argentino "Católicos" (www.catolicos.org.ar). O "Dia do irmão" fez de todos os dias 5 de setembro uma jornada consagrada à solidariedade evangélica. Como viver este dia? Com as Obras de Misericórdia: "Abra as portas de sua casa ao mais necessitado; preencha sua mesa com o faminto; vista o nu; dê de beber ao sedento; visite o doente; hospede o peregrino". Vivamos este dia como ela o viveu durante toda a sua vida". (Pe. Miguel Elias). O irmão nos lembra o próximo que para o israelita era o irmão, o conterrâneo, membro da mesma tribo e da mesma raça (Ex 20,17). A estes se devia amar em primeiro lugar (Lv 19,18 e nota). Mas já no AT este amor é extensível também ao estrangeiro que mora junto com o israelita (Lv 19,33s). Jesus amplia a noção de próximo, exigindo amor não só a estrangeiros mas até a inimigos (cf. Lc 10,29 e nota). O amor ao próximo conhece degraus: a) amar o próximo como a si mesmo (Mt 22,26); b) amar o próximo como a Cristo (Mt 25,31-46); c) amar o próximo como Cristo o ama (Jo 15,9s; 1Jo 3,16-19; 1Pd 1,22-23Jo 15,9s); d) amar o próximo à imagem do amor trinitário (Jo 17,21-23; 1Jo 4,7-16).  O amor fraterno é um sinal de contradição para o mundo (1Jo 3,11-15; Jo 15,18-21); é um sinal de que amamos a Deus (1Jo 2,3-11; 4,19-21; Tg 2,1-3.14-26).