Domingo, 5 de abril de 2009

Ramos e Paixão do Senhor, Ano B, 2ª Semana do Saltério (Volume II) cor Vermelha

 

A mim, ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do

homem perverso e traidor libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro. (Sl 42, 1-2)

 

Hoje: Dia Mundial da Juventude

 

Santos: Vicente Ferrer, Derfel Gadarn, Etelburga de Lyminge (matrona), Geraldo de Sauve-Majeure (abade), Alberto de Montecorvino (bispo), Juliana de Monte Cornillon (virgem e beata), Crescência de Kaufbeuren (virgem e beata franciscana da 3ª ordem), Catarina Tomás, Zeno, João de Penna (bem aventurado, confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Oração do dia: Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória.  Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

Introdução: A liturgia deste último Domingo da Quaresma convida-nos a contemplar esse Deus que, por amor, desceu ao nosso encontro, partilhou a nossa humanidade, fez-Se servo dos homens, deixou-Se matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. A cruz (que a liturgia deste domingo coloca no horizonte próximo de Jesus) apresenta-nos a lição suprema, o último passo desse caminho de vida nova que, em Jesus, Deus nos propõe: a doação da vida por amor.

 

 

Bênção de Ramos: Marcos (Mc 11, 1-10)

Bendito o que vem em nome do Senhor

 

Naquele tempo, 1quando se aproximaram de Jerusalém, na altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, 2dizendo: "Ide até o povoado que está em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui! 3Se alguém disser: 'Por que fazeis isso?', dizei: 'O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta' ".4Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram. 5Alguns dos que estavam ali disseram: "O que estais fazendo, desamarrando esse jumentinho?" 6Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram. 7Levaram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou. 8Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos. 9Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! 10Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!". Palavra da Salvação!

 

 

I Leitura: Isaias (Is 50, 4-7)

Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas


4O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 21(22),  8-9.17-18a.19-20.23-24 (R/.2a)

Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

 

Riem de mim todos aqueles que me vêm, torcem os lábios e sacodem a cabeça: "Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!"

 

Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos.

Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

 

Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembléia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, t glorificai-o, descendentes de Jacá, e respeitai-o, toda a raça de Israel!

 

 

II Leitura: Filipenses (Fl 2, 6-11)

Humilhou-se a si mesmo, por isso Deus o exaltou acima de tudo

 

6Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai. Palavra do Senhor!

 

 

 

Evangelho: Marcos (Mc 14, 1-15,47)
A Paixão e a ressurreição de Jesus

 

Procuravam um meio de prender Jesus à traição, para matá-lo

 

'Faltavam dois dias para a Páscoa e para a festa dos ázimos. Os sumos sacerdotes e os mestres da Lei procuravam um meio de prender Jesus à traição, para matá-lo. 2Eles diziam: "Não durante a festa, para que não haja um tumulto no meio do povo".

 

Derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura.

 

3Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Quando estava à mesa, chegou uma mulher com um vaso de alabastro cheio de perfume de nardo puro, muito caro. Ela quebrou o vaso e derramou o perfume na cabeça de Jesus. 4Alguns que estavam ali ficaram indignados e comentavam: "Por que esse desperdício de perfume? 5Ele poderia ser vendido por mais de trezentas moedas de prata, que seriam dadas aos pobres". E criticavam fortemente a mulher. 6Mas Jesus lhes disse: "Dei­xai-a em paz! Por que aborrecê-la? Ela praticou uma boa ação para comigo. 7pobres sempre tereis convosco, e quando quiserdes podeis fazer-lhes o bem. Quanto a mim, não me tereis para sempre. 8Ela fez o que podia: derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura. 9Em verdade vos digo: em qualquer parte que o Evangelho for pregado, em todo o mundo, será contado o que ela fez, como lembrança do seu gesto".

 

Prometeram a Judas Iscariotes dar-lhe dinheiro.

 

10Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os sumos sacerdotes para entregar-lhes Jesus. 11Eles ficaram muito contentes quando ouviram isso, e prometeram dar-lhe dinheiro. Então, Judas começou a procurar uma boa oportunidade para entregar Jesus.

 

Onde está a sala em que vou comera Páscoa com os meus discípulos?

 

12No primeiro dia dos ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: "Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?" 13Jesus enviou então dois dos seus discípulos e lhes disse: "Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro. Segui-o 14e dizei ao dono da casa em que ele entrar: 'O Mestre manda dizer: onde está a sala em que vou comer a Páscoa com os meus discípulos?' 15Então ele vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada com almofadas. Ali fareis os preparativos para nós!" 160s discípulos saíram e foram à cidade. Encontraram tudo como Jesus havia dito, e prepararam a Páscoa.

 

Um de vós, que come comigo, vai me trair.

 

17Ao cair da tarde, Jesus foi com os doze. 18Enquanto estavam à mesa comendo, Jesus disse: "Em verdade vos digo: um de vós, que come comigo, vai me trair". 19Os discípulos começaram a ficar tristes e perguntaram a Jesus, um após outro: "Acaso serei eu?" 20Jesus lhes disse: "É um dos doze, que se serve comigo do mesmo prato. 21O Filho do Homem segue seu caminho, conforme está escrito sobre ele. Al, porém, daquele que trair o Filho do Homem! Melhor seria que nunca tivesse nascido!"

 

Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue, o sangue da aliança.

 

22Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o e entregou-lhes, dizendo: "Tomai, isto é o meu corpo". 23Em seguida, tomo' o cálice, deu graças, entregou-lhes e todos beberam dele. 24Jesus lhes disse: "Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos. 25Em verdade vos digo: não beberei mais do fruto da videira, até o dia em que beberei o vinho novo no Reino de Deus".

 

Antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.

 

26Depois de terem cantado o hino, foram para o monte das Oliveiras. 27Então Jesus disse aos discípulos: "Todos vós ficareis desorientados, pois está escrito: 'Ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão'. 28Mas, depois de ressuscitar, eu vos precederei na Galiléia". 29pedro, porém, lhe disse: "Mesmo que todos fiquem desorientados, eu não ficarei". 30Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade te digo: ainda hoje, esta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás". 31Mas Pedro repetiu com veemência: "Ainda que tenha de morrer contigo, eu não te negarei". E todos diziam o mesmo.

 

Começou a sentir pavor e angústia.

 

32Chegados a um lugar chamado Getsêmani, disse Jesus aos discípulos: "Sentai-vos aqui, enquanto eu vou rezar!" 33Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir pavor e angústia. 34Então Jesus lhes disse: "Minha alma está triste até à morte. Ficai aqui e vigiai". 35Jesus foi um pouco mais adiante e, prostrando-se por terra, rezava que, se fosse possível, aquela hora se afastasse dele. 36Dizia: "Abá! Pai! Tudo te é possível: Afasta de mim este cálice! Contudo, não seja feito o que eu quero, mas sim o que tu queres!" 37Voltando, encontrou os discípulos dormindo. Então disse a Pedro: "Simão, tu estás dormindo? Não pudeste vigiar nem mesmo uma hora? 38Vigiai e orai, para não cairdes em tentação! Pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". 39Jesus afastou-se de novo e rezou, repetindo as mesmas palavras. 40Voltou outra vez e os encontrou dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono e eles não sabiam o que responder. 41Ao voltar pela terceira vez, Jesus lhes disse: "Agora podeis dormir e descansar. Basta! Chegou a hora! Eis que o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. 42Levantai-vos! Vamos! Aquele que vai me trair já está chegando".

 

Prendei-o e levai-o com segurança!

 

43E logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos doze, com uma multidão armada de espadas e paus. Vinham da parte dos sumos sacerdotes, dos mestres da Lei e dos anciãos do povo. 44O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: "É aquele a quem eu beijar. Prendei-o e levai-o com segurança!" 45Judas logo se aproximou de Jesus, dizendo: "Mestre!" E o beijou. 46Então lançaram as mãos sobre ele e o prenderam. 47Mas um dos presentes puxou da espada e feriu o empregado do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. 48Jesus tomou a palavra e disse: "Vós saístes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. 49Todos os dias eu estava convosco, no Templo, ensinando, e não me prendestes. Mas, isso acontece para que se cumpram as Escrituras". 50Então todos o abandonaram e fugiram. 51Um jovem, vestido apenas com um lençol, estava seguindo a Jesus, e eles o prenderam. 52Mas o jovem largou o lençol e fugiu nu.

 

Tu és o Messias, o Filho de Deus Bendito?

 

53Então levaram Jesus ao Sumo Sacerdote, e todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os mestres da Lei se reuniam. 54Pedro seguiu Jesus de longe, até o interior do pátio do Sumo Sacerdote. Sentado com os guardas, aquecia-se junto ao fogo. 55Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus, para condená-lo à morte, mas não encontravam. 56Muitos testemunhavam falsamente contra ele, mas seus testemunhos não concordavam. 57Alguns se levantaram e testemunharam falsamente contra ele, dizendo: 58"Nós o ouvimos dizer: 'Vou destruir este templo feito pelas mãos dos homens, e em três dias construirei um outro, que não será feito por mãos humanas!'" 59Mas nem assim o testemunho deles concordava. 60Então, o Sumo Sacerdote levantou-se no meio deles e interrogou a Jesus: "Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?" 61Jesus continuou calado, e nada respondeu. O Sumo Sacerdote interrogou-o de novo: "Tu és o Messias, o Filho de Deus Bendito?" 62Jesus respondeu: "Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso, vindo com as nuvens do céu". 63O Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse: "Que necessidade temos ainda de testemunhas? 64Vós ouvistes a blasfêmia! O que vos parece?" Então todos o julgaram réu de morte. 65Alguns começaram a cuspir em Jesus. Cobrindo-lhe o rosto, o esbofeteavam e diziam: "Profetiza!" Os guardas também davam-lhe bofetadas.

 

Nem conheço esse homem de quem estais falando.

 

66Pedro estava em baixo, no pátio. Chegou uma criada do Sumo Sacerdote, 67e, quando viu Pedro que se aquecia, olhou bem para ele e disse: "Tu também estavas com Jesus, o Nazareno!" 68Mas Pedro negou, dizendo: "Não sei e nem compreendo o que estás dizendo!" E foi para fora, para a entrada do pátio. E o galo cantou. 69A criada viu Pedro, e de novo começou a dizer aos que estavam perto: "Este é um deles". 70Mas Pedro negou outra vez. Pouco depois, os que estavam junto diziam novamente a Pedro: "É claro que tu és um deles, pois és da Galiléia". 71Ai Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo: "Nem conheço esse homem de quem estais falando". 72E nesse instante um galo cantou pela segunda vez. Lembrou-se Pedro da palavra que Jesus lhe havia dito: "Antes que um galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás". Caindo em si, ele começou a chorar.

 

Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?

 

15,1Logo pela manhã, os sumos sacerdotes, com os anciãos, os mestres da Lei e todo o Sinédrio, reuniram-se e tomaram uma decisão. Levaram Jesus amarrado e o entregaram a Pilatos. 2E Pilatos o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus respondeu: "Tu o dizes". 3E os sumos sacerdotes faziam muitas acusações contra Jesus. 4Pilatos o interrogou novamente: "Nada tens a responder? Vê de quanta coisa te acusam!" 5Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos ficou admirado. 6Por ocasião da Páscoa, Pilatos soltava o prisioneiro que eles pedis. sem. 7Havia então um preso, chamado Barrabás, entre os bandidos, que, numa revolta, tinha cometido um assassinato. 8A multidão subiu a Pilatos e começou a pedir que ele fizesse como era costume. 9Pilatos perguntou: "Vós quereis que eu solte o rei dos judeus?" 10Ele bem sabia que os sumos sacerdotes haviam entregado Jesus por inveja. 11Porém, os sumos sacerdotes instigaram a multidão para que Pilatos lhes soltasse Barrabás. 12Pilatos perguntou de novo: "Que quereis então que eu faça com o rei dos Judeus?" 13Mas eles tornaram a gritar: "Crucifica-o!' 14Pilatos perguntou: "Mas, que mal ele fez?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Crucifica-o!" 15Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e entregou para ser crucificado.

 

Teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça

 

16Então os soldados o levaram para dentro do palácio, isto é, pretório, e convocaram toda a tropa. 17Vestiram Jesus com um manto vermelho, teceram uma coroa de espinhos e a puseram em sua cabeça. 18E começaram a saudá-lo: "Salve, rei dos judeus!" 19Batiam-lhe na cabeça com uma vara. Cuspiam nele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. 20Depois de zombarem de Jesus, tiraram-lhe o manto vermelho, vestiram-no de novo com suas próprias roupas e o levaram para fora, a fim de crucificá-lo.

 

Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota.

 

21Os soldados obrigaram um certo Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, que voltava do campo, a carregar a cruz. 22Levaram Jesus para o lugar chamado Gólgota, que quer dizer "Calvário".

 

Ele foi contado entre os malfeitores.

 

23Deram-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o tomou.  24Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, tirando a sorte, para ver que parte caberia a cada um. 25Eram nove horas da manhã quando o crucificaram. 26E ali estava uma inscrição com o motivo de sua condenação: "O Rei dos Judeus". 27Com Jesus foram crucificados dois ladrões, um à direita e outro à esquerda.

 

A outros salvou, a si mesmo não pode salvar!

 

29Os que por ali passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: "Ah! Tu que destróis o Templo e o reconstróis em três dias, 30salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!" 31Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, com os mestres da Lei, zombavam entre si, dizendo: "A outros salvou, a si mesmo não pode salvar! 32O Messias, o rei de Israel... que desça agora da cruz, para que vejamos e acreditamos!" Os que foram crucificados com ele também o insultavam.

 

 

Jesus deu um forte grito e expirou

 

33Quando chegou o meio-dia, houve escuridão sobre toda a terra, até as três horas da tarde. 34Pelas três da tarde, Jesus gritou com voz forte: "Eloi, Eloi, lamá sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" 35Alguns dos que estavam ali perto, ouvindo-o, disseram: "Vejam, ele está chamando Elias!" 36Alguém correu e embebeu uma esponja em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara e lhe deu de beber, dizendo: "Deixai! Vamos ver se Elias vem tirá-lo da cruz',. 37Então Jesus deu um forte grito e expirou.”

 

Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa

 

38Nesse momento a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. 39Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: "Na verdade, este homem era Filho de Deus!" 40Estavam ali também algumas mulheres, que olhavam de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago Menor e de Joset, e Salomé. 41Elas haviam acompanhado e servido a Jesus quando ele estava na Galiléia. Também multas outras que tinham ido com Jesus a Jerusalém, estavam ali.

 

José rolou urna pedra à entrada do sepulcro

 

42Era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado, e já caíra a tarde. 43Então, José de Arimatéia, membro respeitável do Conselho, que também esperava o Reino de Deus, cheio de coragem, foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. 44Pilatos ficou admirado, quando soube que Jesus estava morto. Chamou o oficial do exército e perguntou se Jesus tinha morrido havia muito tempo. 45Informado pelo oficial, Pilatos entregou o corpo a José. 46José comprou um lençol de linho, desceu o corpo da cruz e o envolveu no lençol. Depois colocou-o num túmulo escavado na rocha, e rolou uma pedra à entrada do sepulcro. 47Maria Madalena e Maria, mãe de Joset, observavam onde Jesus foi colocado. Palavra da Salvação!

 

Leitura breve do evangelho deste Domingo de Ramos: Mc 15, 1-39

 

 

 

Cristo vai ao encontro da morte

com liberdade de filho[1]

 

A oferta de sacrifícios a Deus parece constituir, em todos os povos, a expressão mais significativa do senso religioso do homem. Despojando-se de tudo o que lhe pertence por conquista ou pelo trabalho, o homem reconhece que tudo pertence a Deus e lho restitui em agradecimento. E quando uma parte do que foi sacrificado é comida pelos ofertantes, então se estabelece uma comunhão simbólica entre Deus e os comensais, uma participação da mesma vida.

 

Na Bíblia, as tradições sacerdotais nos dão a conhecer uma legislação complexa, que poderia facilmente assumir valor autônomo e, portanto, formalista, esquecendo o significado da ação cultual em relação à salvação integral do homem. Os profetas lembram freqüentemente que Deus só aceita as ofertas e sacrifícios se são acompanhados de uma atitude interior de humildade, de oferta espiritual de si mesmo, de reconhecimento da própria e radical pobreza e da necessidade de uma libertação que nós sozinhos não podemos obter, mas podemos invocar e esperar de Deus.

 

O servo de Javé

 

A pobreza é, pois, o sacrifício espiritual, isto é, a realidade profunda de toda oferta e imolação de animais e de coisas em honra de Deus. Esta é a atitude dos "pobres de Javé", e especialmente do "Servo de Javé"; este, tanto no sentido individual como no corporativo. Enviado para salvar seu povo (a humanidade), é obrigado a suportar perseguições e ultrajes; aceita-os, entretanto, com paciência e mansidão, sabendo que Deus o salvará (1ª leitura e salmo responsorial). Cumpre sua missão oferecendo-se a si mesmo como vítima inocente, para expiar os pecados do povo. Por sua obediência e amor, Deus o exaltará e glorificará; e, com os irmãos salvos, ele louvará o Senhor num sacrifício (banquete) de ação de graças (salmo responsorial) aberto a todos.

 

Jesus escolhe uma pobreza radical

 

Na encarnação, Jesus fez sua a pobreza radical do homem perante Deus (2ª leitura). Coerente com esta escolha, apoiou-se na palavra do Pai, que nas Escrituras e nos acontecimentos lhe indica o caminho para cumprir sua missão; não se subtraiu à condição do homem pecador, ao sofrimento que provém do egoísmo, nem aos limites da natureza humana, entre os quais, antes de tudo, a morte. Um homem como todos, um pobre em poder de todos; assim o mostra o sucinto e objetivo relato dos evangelistas (evangelho). Vemo-lo como uma vitima da intolerância e da injustiça, um amotinador ou, quando muito, um sacrificado pelos seus por um falaz cálculo político. Mas isto não bastaria para dele fazer um salvador. O que resgata a sua morte, o que a transfigura - para ele e para nós - é o imenso peso de amor com que faz dom da vida, para libertar-nos da violência e do ódio, do fanatismo e do medo, do orgulho e da auto-suficiência; para tornar-nos - como ele - disponíveis a Deus e aos outros, capazes de amar e perdoar, de ter confiança e reconstruir, de crer no homem ultrapassando as aparências e as deformações.

 

A Igreja esta com Jesus crucificado

 

Só assim a Igreja oferece hoje o sacrifício espiritual agradável ao Pai; quando, reconhecendo-se pecadora e sempre necessitada de salvação, apresenta não os próprios méritos e sucessos, mas a lembrança viva da sua Cabeça crucificada, do Filho bem-amado, de cuja morte e ressurreição recebe luz e força para ser fiel a sua missão. Aceitando com alegria o sofrimento que completa a paixão de seu Senhor e Mestre, a Igreja pode oferecer o sacrifício eucarístico, como voz dos pobres, dos humilhados, dos desafortunados e dos oprimidos, anunciando a esperança da libertação. E pode fazê-lo com tanto mais verdade, quanto mais houver escolhido não os caminhos do poder, do sucesso e do bem-estar, mas o da coragem para repelir a injustiça e compartilhar plenamente da sorte dos humildes.

 

Mas, sejamos objetivos, imparciais e concretos; isto nos toca pessoalmente; a Igreja somos também nós. Enquanto temos facilidade em ver as culpas ou as fraquezas dos outros, não estamos nós corrompidos pelos mesmos males? Pensamos talvez que acusando os outros nos desculpamos a nós mesmos? Nesse caso, são Paulo nos diria que somos "indesculpáveis" (Rm 2,1).

 

Aspectos simbólicos e celebrativos do domingo de ramos

 

1.  Equipe de liturgia: é muito importante que a equipe de liturgia prepare antecipadamente a celebração, de forma a evitar improvisos ou remendos de última hora. As tarefas devem estar devidamente distribuídas. Quem for escolhido para a função de comentarista precisa estar por dentro de todas as partes da celebração e do seu sentido profundo.

2.  Tudo preparado: estejam devidamente preparados os diversos elementos que serão utilizados durante toda a celebração: ramos, água benta, cruz, turíbulo, incenso, missal, água, vinho...

3.  Cor vermelha: desde o início da celebração, o sacerdote usa paramentos de cor vermelha, que indica paixão do Senhor. Aliás, este domingo é denominado Domingo de Ramos da Paixão do Senhor;

4.  Ramos verdes: são sinal de alegria pela vitória de Cristo. Em geral utilizam-se galhos de oliveira e palmeiras, mas nada impede que se usem ramos de outras plantas ou mesmo plantas medicinais. Muitas pessoas guardam os ramos bentos em casa e os queimam como proteção contra raios e tempestades, mas os ramos nos devem recordar, principalmente, nosso compromisso com o projeto de Jesus;

5.  Procissão: significa ato de avançar. É o caminhar da pessoa rumo a Deus. Nessa celebração, as pessoas se unem e, com ramos nas mãos, louvam e aclamam Jesus em sinal de reconhecimento e gratidão pelas maravilhas que ele realiza em favor do seu povo. A assembléia se mostra solidária com a sorte do Redentor e se dispõe a seguir seus passos. Para formar a procissão, se for usado o incenso, em primeiro lugar posiciona-se o turiferário, em seguida a cruz, que pode estar enfeita com ramos bentos, depois o sacerdote e os ministros, finalmente a assembléia;

6.  Narração da Paixão: os leitões se preparem bem e leiam com dignidade e concentração. Desse modo, o relato do drama da Paixão favorecerá a participação contemplativa e orante da assembléia. Distribuam-se as várias partes: do narrador, do povo e de Cristo (esta é reservada de preferência ao sacerdote). Eventualmente pode haver outro leitor que fala a parte de algum discípulo (por exemplo, Pedro) ou mesmo Pilatos.

7.  Cantos apropriados: a primeira parte da celebração deve levar a assembléia a recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, por isso o conteúdo dos cânticos é de aclamação a Cristo Rei. Os cantos para a procissão com ramos geralmente contêm a aclamação Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Podem-se usar cantos populares, mantendo sempre o caráter de júbilo, ligados à entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Por isso, não é o momento para cânticos a nossa Senhora ou ao Espírito Santo.

Semana Santa, Preparar e Celebrar, Pe. Luiz Miguel Duarte, Paulus 2004

 

 



[1] Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995