Domingo, 4 de setembro de 2011

23º do Tempo Comum, Ano “A”, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

Santos: Beltrão de Garrigues (dominicano), Bonifácio I (papa), Calétrico de Chartres (bispo), Cândida (viúva, primeira cristã de Nápoles), Eva de Dreux (virgem e mártir), Hermione de Éfeso (virgem, uma das filhas de São Filipe Diácono, mencionado em At 21,9), Ida de Herzfeld (viúva), Juliano, Oceano, Amiano e Teodoro (mártires da Nicomédia), Magno de Funsen (monge), Marcelo de Lião (mártir), Marcelo de Trèves (bispo), Marino de San Marino (eremita, diácono), Moisés (personagem importantíssimo do Antigo Testamento), Monessa da Irlanda (virgem), Rosa de Viterbo (virgem), Rosália de Palermo (virgem), Silvano e Vitálico (um menino, mártires de Ancira), Ultano de Ardbraccan (bispo).

 

Antífona: Vós sois justo, Senhor, e justa é a vossa sentença; tratai o vosso servo segundo a vossa misericórdia. (Sl 118, 137.124)

 

Oração: Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Ezequiel (Ez 33, 7-9)
O ímpio morrerá por própria culpa

 

Assim diz o Senhor: 7"Quanto a ti, filho do homem, eu te estabeleci como vigia para a casa de Israel. Logo que ouvires alguma palavra de minha boca, tu os deves advertir em meu nome. 8Se eu disser ao ímpio que ele vai morrer, e tu não lhe falares, advertindo-o a respeito de sua conduta, o ímpio vai morrer por própria culpa, mas eu te pedirei contas da sua morte. 9Mas, se advertires o ímpio a respeito de sua conduta, para que se arrependa, e ele não se arrepender, o ímpio morrerá por própria culpa, porém tu salvarás tua vida".Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

 

Perdoa ou teu irmão


O profeta é não apenas o porta-voz de Deus, mas também uma sentinela para o povo. A sentinela era alguém que estava de prontidão, que permanecia acordado enquanto todos dormiam. Era alguém que percebia a aproximação de um inimigo ou de um viajante noturno aos portões da aldeia. Esse simbolismo nos ajuda a ver nossa responsabilidade perante as pessoas com as quais convivemos em casa, no trabalho, na vizinhança, nos círculos de amizade, na Igreja. Devemos estar atentos aos outros: perceber se estão em perigo, se correm algum risco de pôr a si mesmo ou outras pessoas em perigo.

 

A expressão bíblica “exigir o preço do sangue” significa ser responsável pelo outro. Deus exige que não sejamos omissos, que não deixemos as pessoas seguir para um precipício sem alertá-las – com bondade e compaixão, sem condenar nem humilhar – sobre a necessidade de mudança de atitude.

 

Em todo caso, deve-se respeitar o livre-arbítrio de quem é adulto e responsável pelos próprios atos, mas somente depois de ter sido tentado tudo o que é humanamente possível para o bem do próximo.  [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

 

Salmo: 94(95), 1-2.6-7.8-9 (R/.8)
Não fecheis o coração; ouvi, hoje, a voz de Deus!

 

Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o rochedo que nos salva! Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!

 

Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! Porque ele' é o nosso Deus, nosso pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.

 

Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: "Não fecheis os corações como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras".

 

 

II Leitura: Carta de S. Paulo aos Romanos (Rm 13, 8-10)
O mandamento do amor

 

Irmãos, 8não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a lei. 9De fato, os mandamentos: "não cometerás adultério", "não matarás", não roubarás", "não cobiçarás", e qualquer outro mandamento se resumem neste: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo".10O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da lei. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Quem ama o próximo cumpriu toda a Lei


Os preceitos da Lei de Deus sobre as relações humanas culminam no amor mútuo. O “amor não pratica o mal contra o próximo” e também não quer o mal para os outros. O fato de alguém não fazer nenhum ato de maldade não significa que possa ficar confortável, dizendo a si mesmo: “Não roubei, não matei, logo sou bom para meu próximo”. Quem não pratica o mal, mas se omite ou negligencia a responsabilidade pelo outro, não ama verdadeiramente o seu próximo. Responsáveis que somos por nossos semelhantes, não devemos ficar no comodismo, mas ajudá-los a ser alguém melhor. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Evangelho: Mateus ((Mt 18, 15-20)
Ajudar ao próximo

 

Naquele tempo, Jesus disse a seus discípulos: 15"Se o teu irmão pecar contra ti, vai corrigi-lo, mas em particular, a sós contigo! Se ele te ouvir, tu ganhaste o teu irmão. 16Se ele não te ouvir, toma contigo mais uma ou duas pessoas, para que toda a questão seja decidida sob a palavra de duas ou três testemunhas. 17Se ele não vos der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja ele ouvir, seja tratado como se fosse um pagão ou um pecador público. 18Em verdade vos digo, tudo o que ligardes na terra será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu. 19De novo, eu vos digo: se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isto vos será concedido por meu Pai que está nos céus. 20Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estou aí, no meio deles". Palavra da Salvação!

 

 

Comentando o Evangelho


Se ele te ouvir, terás ganho teu irmão


O texto do evangelho de hoje situa-se no contexto do “sermão sobre a comunidade”, cujos textos são direcionados especificamente para orientar a vida na Igreja. E um tema muito precioso para o Evangelho de Mateus é a correção fraterna, essencial para o crescimento pessoal do cristão na comunidade.

 

O evangelho nos orienta no delicado passo da correção fraterna. Primeiramente devemos tomar consciência de que o ato de corrigir o irmão é nossa responsabilidade. O texto é claro: “Vai!” É um imperativo que nos interpela. A não realização desse mandato significa erro grave, pois nos omitimos diante do erro do outro, deixando que um membro do corpo de Cristo permaneça no engano.

 

O texto nos apresenta a preocupação com o retorno à comunidade de quem se desligou pelo pecado. Por isso são empregados todos os recursos para a volta do irmão. É uma correção feita com respeito e amor. São oferecidas várias oportunidades para a conscientização sobre o erro. Primeiramente a exortação pessoal, para preservá-lo de constrangimento diante da comunidade. Depois, a exortação diante de algumas testemunhas; por fim, diante da comunidade, para que o irmão obstinado em sua má conduta reconheça, perante a autoridade da Igreja, a situação em que ele mesmo se colocou.

 

Todo esse procedimento nos ajuda a perceber o papel mediador da Igreja para ajudar um membro a sair do erro. Isso porque não caminhamos sozinhos, mas fazemos parte de um corpo, necessitamos uns dos outros para viver nossa fé.

 

Se levarmos a sério nossa responsabilidade para com nosso irmão, nossa ação de exortá-lo, de encaminhá-lo para o rumo certo, proporcionar-nos-á ganhar um irmão na caminhada de fé. Nossa maior preocupação deverá ser não apontar os erros dos nossos irmãos na comunidade, mas reconduzi-los de volta à comunhão com Deus expressa na comunidade crente. Se fizermos isso, certamente a Igreja desempenhará bem seu papel de mediação da boa-nova de Jesus Cristo. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

A correção fraterna

O trecho do evangelho de hoje segue imediatamente a narrativa da parábola da ovelha desgarrada, da qual se toma uma aplicação concreta. Se um irmão cometeu uma falta, deve fazer-se em primeiro lugar a correção pessoal; se não escuta, é necessário chamar em auxílio algumas testemunhas; em terceira instância, convém referir à comunidade; e se não ouve nem esta, deve-se, só então, considerá-lo como um pagão ou publicano, isto é, como um excomungado.

 

O pecador é excluído

O contexto de todo o trecho é o do convite à misericórdia e ao perdão. Não se trata tanto de uma "excomunhão", mas da constatação de que, apesar do recurso a todos os meios possíveis para a reconciliação e o diálogo fraterno, não há no irmão a vontade eficaz de comunhão e conversão. E, no entanto, convém lembrar que a Igreja conserva o direito de pronunciar-se contra os pecadores contumazes, para não prejudicar a comunidade, e com o fim de fazer o pecador entrar em si e converter-se. Assim se pronunciou Paulo a respeito do incestuoso de Corinto (1 Cor 5,5-6).

 

A práxis penitencial da Igreja primitiva testemunha a grande seriedade e coerência do esforço da conversão. O pecador só encontra o per­dão de Deus na redescoberta da sua misericórdia atuando na Igreja, especialmente na assembleia eucarística que toma atual a redenção de Cristo.

 

É sobretudo no sacramento da penitência que a Igreja exerce e exprime a misericórdia e o perdão de Cristo; mas para muitos cristãos, infeliz­mente, o próprio sinal sacramental da reconciliação se tornou vazio e insignificante. O sacramento é reduzido a gesto mágico, repetido por hábito.

 

Um dos aspectos que mais preocupam na atual práxis penitencial está, na ruptura entre sinal sacramental e experiência da comunidade cristã.

 

O significado comunitário da penitência

O que dificulta a aplicação concreta dos temas contidos nas leituras bíblicas às assembleias eucarísticas dominicais é o fato, já aceito por todos, de que em geral essas assembleias não são verdadeiras comunidades. Isto é, falta uma verdadeira relação pessoal entre os membros, pela qual cada um se sinta responsável diante dos irmãos. Por isso, ao - ensinamento da correção fraterna, do perdão pedido à comunidade e não só a Deus, falta um suporte sociológico" importante. Será preciso que se aproveitem pelo menos os elementos do rito (pedido de perdão recíproco no rito penitencial da missa e abraço da paz), para fazer captar as riquezas da práxis penitencial da Igreja. A confissão, além de ser conversão a Deus, é sempre também reconciliação com os irmãos; reintroduz-nos na Igreja; de membros mortos tornamo-nos membros vivos, ativos e responsáveis. Devemos redescobrir o sentido comunitário do pecado e, portanto, da penitência; ela é o sacramento em que toda a comunidade cristã reconstitui, sob a ação de Cristo, a unidade rompida. Uma comunidade de amor, entre os homens, é sempre uma comunidade de reconciliação e de correção fraterna. A comunhão perfeita jamais é uma posse já adquirida; é uma conquista contínua, um dom a implorar do alto.

 

Correção e encorajamento

Mas o verdadeiro amor, o perdão autêntico, não deixa as pessoas como são, com seus defeitos e suas limitações. Amar um irmão significa ajuda-­lo a "crescer" em todos os níveis, querer concretamente sua "libertação" daquilo que é defeituoso e mau, lutar por sua plena humanização. Por isto, corrigir é obra de amor; nunca é extinguir energias e entusiasmos; é coisa muito diferente da crítica. Juntamente com a correção fraterna, o cristão faz largo uso do encorajamento. As pessoas esperam dos outros algo diferente de um dom material; esperam que os Outros se lhes tornem próximos, que entrem em contato com elas, percebam que elas existem, e lhes digam tudo isso. Nada é tão encorajador como a atenção vigilante, o respeito não puramente formal, a palavra inesperada de congratulação, se não forem fórmulas vazias de rito ou expressões convencionais. O encorajamento, como a correção, é uma das muitas facetas da caridade.  [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

 

Oração da assembleia (Missal Dominical)

 

O evangelho nos afirmou: “Se dois de vós, na terra, se reúnem para pedir alguma coisa, meu Pai que está nos céus lhe concederá isso”. Com esta confiança, dirijamos a Deus nossa oração: Senhor, atendei-nos.

 

Pela santa Igreja de Deus, para que seja comunidade fraterna de intercâmbio e reconciliação, não rejeite nem excomungue ninguém, mas a todos acolha com amor, rezemos.

Pelas famílias e comunidades cristãs, para que saibam superar, no diálogo e na correção fraterna as limitações, os defeitos de seus membros, rezemos.

Por todos nós aqui presentes, para que o reconhecimento das nossas deficiências e pecados nos torne mais indulgentes e dispostos a perdoar a nossos irmãos, rezemos.

(outras intenções)

 

Concedei, Senhor, que, vivendo na caridade, na compreensão recíproca e na paciência, ganhemos o coração dos nossos irmãos e tornemos presente entre nós Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso.

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, fonte de paz e da verdadeira piedade, concedei-nos por esta oferenda render-vos a devida homenagem, e fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós os laços de amizade. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Eu sou a luz do mundo, diz o Senhor; aquele que me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida. (Jo 8,12)

 

Oração Depois da Comunhão:

Ó Deus, que nutris e fortificais vossos fiéis com o alimento da vossa palavra e do vosso pão, concedei-nos, por estes dons do vosso Filho, viver com ele para sempre. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Grito e respostas

 

Dom Luiz Demétrio Valentini, Bispo de Jales - SP

 

Na Semana da Pátria deste ano vai acontecer o 17º. Grito dos Excluídos. Pela sua continuidade, e pelas repercussões que ainda suscita, o Grito se apresenta como uma das iniciativas bem sucedidas da CNBB, levada em frente pelas Pastorais Sociais.

 

Foi realizado pela primeira vez em 1995, ano da Campanha da Fraternidade sobre os Excluídos.

 

Aí já encontramos um dos motivos do acerto deste evento. Ao longo de todos os anos, ele sempre fez questão de retomar o tema da Campanha da Fraternidade, mostrando seus desdobramentos em torno de situações concretas, que mais exigem nossa atenção. O Grito faz repercutir a Campanha da Fraternidade. Como, por exemplo, neste ano com a campanha sobre a vida no planeta, o Grito nos provoca lembrando que “pela vida grita a terra, por direitos todos nós!”.

 

Outra razão que explica o sucesso do Grito foi o fato de vincular sua promoção ao Dia da Pátria. Desde a primeira edição, em 1995, a intenção era recuperar para a cidadania a celebração do “Dia da Pátria”, com manifestações que envolvessem os movimentos sociais, garantindo espaço para os que se sentiam, por um motivo ou outro, “excluídos” dos benefícios a que todos têm direito como cidadãos do mesmo país.

 

Esta é outra circunstância que ajuda a desenhar o quadro de referências do Grito dos Excluídos. Ele nasceu como gesto concreto da Semana Social, que tinha por tema “O Brasil que nós queremos”.

 

Desde o seu início, o Grito se colocou a serviço da cidadania, incentivando a participação popular em torno de grandes causas que o povo precisa assumir.

 

Como a história da proclamação da nossa independência vem associada ao “Grito” de Dom Pedro, o Grito dos Excluídos vem nos alertar que a soberania de nosso país precisa ser assumida sempre, de maneira consciente e articulada.

 

Por isto, em cada ano, não faltam causas, com a ênfase de gritos que apelam para os nossos compromissos de cidadãos.

 

Entre tantas, podemos citar algumas, que estão sendo assumidas pelo Grito deste ano.

 

Uma delas é a corrupção. Ela merece nosso repúdio constante. Ela precisa ser combatida com firmeza e sem complacência. Este combate deve ser sustentado pelo poder público, mas precisa ser apoiado pela cidadania.

 

Outro grito que precisa ecoar com mais clareza é contra a droga. Estamos chegando ao limite da tolerância. A nação corre perigo! A população, em especial a juventude, não pode mais ficar exposta à ganância de inescrupulosos, que permanecem impunes enquanto vidas inocentes são ceifadas em números assustadores. O combate contra a droga exige mais vigilância de nossas fronteiras territoriais. Mas exige também que nos demos conta que os caminhos da droga são abertos pela perda de valores morais, com o conseqüente abalo de nossas instituições. Além de enérgica ação do poder público, o combate contra a droga precisa contar com a corajosa recuperação dos critérios éticos que precisam presidir a nossa convivência familiar e social.

 

Outro Grito, que já começa a ficar impaciente, é por uma eficaz reforma política. Ela precisa desencadear um processo, que não pode prescindir da regulamentação dos instrumentos de democracia direta, que a Constituição já prevê, mas que até agora não foram regulamentados com clareza e segurança.

 

Outro tema de enorme responsabilidade se coloca agora em torno do novo Código Florestal, cuja votação está tramitando no Congresso. Em torno deste Código Florestal é necessário superar os radicalismos, para se chegar, com lucidez e equilíbrio, a compatibilizar os objetivos da proteção ao meio ambiente com os objetivos da agricultura. A discussão em torno do Código Florestal precisa se transformar em bom instrumento de consensos razoáveis, que levem em conta todas as dimensões implicadas neste complexo assunto, cheio de consequências práticas, que não podem ser ignoradas, ou atropeladas por bandeiras que escondem interesses ou carregam ingenuidades.

 

E assim o Grito pode ir levantando outros assuntos, como os agrotóxicos, a reforma tributária, a reforma previdenciária, a questão da moradia urbana, as barragens, e outros mais. A cidadania agradece!