Domingo, 4 de maio de 2008
Ascensão do Senhor, 3ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca
Homens da Galiléia, por que estais admirados, olhando para o céu? Este Jesus há de
voltar do mesmo modo que o vistes subir, aleluia! (At 1, 11)
Hoje: Dia do Ex-Combatente da FEB, Dia Mundial das Comunicações e Início da Semana de Orações pela Unidade Cristã
Santos: Gregório de Venucchio (o iluminador), Floriano (mártir), Pelágia, Peregrino (bispo), Silvano (bispo), Antônia (mártir, queimada viva), Floriano, Venério (bispo de Milão), Gotardo (monge); João Houghton, Roberto Lawrence, Agostinho Webster, Ricardo Reynolds (mártires na Inglaterra), Mônica, Pelágia de Tarso (virgem e mártir), Gotardo (ou Godeardo, bispo de Hildesheim), Catarina de Parc-Aux-Dames (virgem), Gregório de Verucchio (beato), Miguel Giedroyc, João Martin Moye (beato), Amatus Ronconi (Bem-Aventurado, confessor franciscano da 3ª Ordem).
Oração: Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória.. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
1ª
Leitura: Atos (At 1, 1-11)
Jesus
foi levado aos céus, à vista deles
1No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3Foi a eles que Jesus se mostrou vivo, depois de sua paixão, com numerosas provas. Durante quarenta dias apareceu-lhes falando do Reino de Deus.
4Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: "Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5'João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias"'. 6Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: "Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel?" 7Jesus respondeu: "Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com sua própria autoridade. 8Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra".
9Depois de dizer isso, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de, forma que seus olhos não podiam mais vê-lo. 10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: "Homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu". Palavra do Senhor!
Salmo
46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R/. 6)
Por
entre aclamações, deus se elevou, o
Senhor subiu ao toque da trombeta
Povos todos do universo, batei palmas, gritai a Deus aclamações de alegria! Porque sublime é o Senhor, o Deus altíssimo, o soberano que domina toda a terra.
Por entre aclamações, Deus se elevou, o Senhor subiu ao toque da trombeta. Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, salmodiai ao som da harpa ao nosso rei!
Porque Deus é o grande rei de toda a terra, ao som da harpa acompanhai os seus louvores! Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso.
II
Leitura: Efésios (Ef 1, 17-23)
E
o fez sentar-se à sua direita nos céus
Irmãos, 17o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a esperança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente.
20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa nomear não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal. Palavra do Senhor!
Evangelho: Mateus (Mt 28, 16-20)
Toda
a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra
Naquele tempo, 16os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram.
18Então Jesus aproximou-se e falou: "Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo". Palavra da Salvação!
O Destino do homem novo[1]
Interpretando teologicamente a Ascensão de Jesus, recomendam os anjos que não se fique a olhar para o céu, mas que se espere e prepare a volta gloriosa do Senhor. Esta é, até o fim dos tempos, a missão da Igreja, em tensão entre o visível e o invisível, entre a realidade presente e a futura cidade para a qual caminhamos.
O homem à direita de Deus
A fórmula do nosso Creio: "Ressuscitou, subiu aos céus, está sentado à direita do Pai", exprime a fé pessoal da Igreja no destino de Jesus de Nazaré. Este homem, com o qual os apóstolos "comeram e beberam" durante sua existência terrena, "tornou-se Senhor" depois de sua morte, porque o Pai o associou definitivamente à sua vida, ao seu poder sobre os homens e sobre o mundo: "Todo poder me foi dado no céu e na terra" (evangelho A). Vivo, depois de sua paixão (1ª leitura), está ele presente entre os seus numa nova dimensão, e anda com eles nos caminhos do mundo, aonde os envia como testemunhas da ressurreição, anunciadores do perdão dos pecados e da vida de filhos de Deus, portadores da força do Espírito que reúne os homens de todas as nações na única Igreja. Com a fé e o batismo, todos os homens entram na nova dimensão do Ressuscitado, pensam e buscam "as coisas do alto, onde Cristo esta assentado à direita de Deus" (Cl 3,1), participam, como membros do corpo de Cristo, da "plenitude daquele que completa inteiramente todas as coisas" (2ª leitura).
Pensando nesta realidade, podem-se compreender as expressões de entusiasmo dos antigos cristãos: "A ascensão do Cristo é a nossa ascensão; já que o Corpo é convidado a elevar-se até a glória em que o precedeu a cabeça, vamos cantar nossa alegria, expandir em ação de graças todo o nosso júbilo. Hoje, não apenas conquistamos o paraíso, mas, no Cristo, penetramos nos mais altos céus" (S. Leão Magno).
O céu é Alguém
Afirmar que a humanidade, na pessoa do Cristo, já esta no céu, significa contestar as imagens espontâneas de um céu "espacial" (lá em cima, para além das estrelas) e a de uma felicidade eterna que começaria repentinamente, depois desta vida no tempo. Para Jesus, o céu é a participação plena na vida de Deus, de um homem verdadeiro, possuindo a mesma matéria e a mesma história de todos nós; uma relação nova entre o Criador e a criatura numa total transparência, livre dos limites e das dificuldades da condição terrena. Para nós será assim um dia (excetuando o caráter único da relação entre o Pai e o Filho), quando se manifestar abertamente aquilo que já somos; quando, pelo conhecimento e o amor, o corpo não for mais obstáculo, mas perfeito meio de comunicação. Um céu assim não é simplesmente a "recompensa" de uma vida justa e boa, porque os sofrimentos do momento presente não são comparáveis com a glória futura que será revelada em nós" (Rm 8,18). Nem é tampouco um narcótico para pessoas passivas e resignadas, um álibi para o compromisso de trabalhar neste mundo pela realização (mesmo que imperfeita) daqueles valores de liberdade, justiça, paz, fraternidade, comunhão, vida, amor, alegria, que constituem a bem-aventurança do homem completo segundo o plano de Deus. Uma comunidade dos que crêem e caminham nesta direção - isto é, aberta ao mundo, a serviço de todos - torna-se testemunha da nova humanidade realizada em Cristo Jesus.
Realidade terrestre e engajamento dos que crêem
A reflexão conciliar sobre a relação Igreja-mundo expressou-se na Constituição Gaudium et Spes com alguns textos fundamentais, que é bom reler: Reação a uma apresentação alienante da religião: "Entre as formas do ateísmo hodierno não deve ser esquecida aquela que espera a libertação do homem principalmente da sua libertação econômica e social. Sustenta que a religião, por sua natureza, impede esta libertação, à medida que, estimulando a esperança do homem numa quimérica vida futura, o afastaria da construção da cidade terrestre". Um novo equilíbrio a ser encontrado: "Somos advertidos, com efeito de que não adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a si mesmo (cf Lc 9,25). Contudo, a esperança de uma nova terra, longe de atenuar, antes deve estimular a solicitude pelo aperfeiçoamento desta terra. Nela cresce o Corpo da nova família humana que já pode apresentar algum esboço do novo século. Por isso, ainda que o progresso terreno deva ser cuidadosamente distinguido do aumento do Reino de Cristo, contudo é de grande interesse para o Reino de Deus, na medida que pode contribuir para Organizar a sociedade humana".
Tradições bíblicas populares falam da ascensão de personagens que voltariam no fim dos tempos (Gn 5,21-24; 2Rs 2,11-13; Jd 14). Ressurreição e Ascensão de Jesus são um e o mesmo mistério (Lc 24,1.13.50-53; Jo 20,17-23; Rm 8,34). Somente At 1,1-11 fala de um intervalo de 40 dias entre a Ressurreição e Ascensão. O binômio descida-subida ilumina o sentido da ascensão (At 2,29-36; Fl 2,6-11; Ef 4,10; 1Pd 3,19-22; Rm 10,5-7); João concentra estes dois aspectos na palavra exaltar (Jo 3,12-15; 8,27-29; 12,31-34). Afirma a divindade de Cristo e tem uma dimensão escatológica (Lc 24,26; At 1,9-11; Ef 1,20; Hb 9,24; 1Pd 3,22; cf. Mt 24,30-31). É garantia da nossa salvação (Jo 14,2s; Rm 8,17.34; Ef 2,5s; 1Pd 1,3-4).