Domingo, 3 de julho de 2011

S. Pedro e S. Paulo (Apóstolos), Ofício Solene,  2ª do Saltério (Livro III), cor Vermelha

 

 

Hoje: Dia do Papa

 

Santos: Anatólio de Constantinopla (bispo), Anatólio de Alexandria (bispo), Blado da Ilha de Man (bispo), Cilene de Iona (abade), Dato de Ravena (bispo), Eulógio e Companheiros (mártires), Germano da Ilha de Man (bispo), Heliodoro de Altinum (bispo), Irineu e Mustíola (mártires), Jacinto da Capadócia (mártir), Júlio, Aarão e Companheiros (mártires), Leão II (papa), Marcos, Muciano e Paulo (mártires), Mariano O'Gorman (abade), Romualdo (bispo, mártir), Tomé, Trifão e Companheiros (mártires).

 

Antífona: Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus.

 

Oração: Ó Deus, que hoje nos concedeis a alegria de festejar São Pedro e São Paulo, concedei à vossa Igreja seguir em tudo os ensinamentos destes apóstolos que nos deram as primícias da fé. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Atos dos Apóstolos (At 12, 1-11)
Execução de Tiago, prisão de Pedro

 

Naqueles dias, 1o rei Herodes prendeu alguns membros da Igreja, para torturá-los. 2Mandou matar a espada Tiago, irmão de João. 3E, vendo que isso agradava aos judeus, mandou também prender a Pedro. Eram os dias dos pães ázimos. 4Depois de prender Pedro, Herodes colocou-o na prisão, guardado por quatro grupos de soldados, com quatro soldados cada um. Herodes tinha a intenção de apresentá-lo ao povo, depois da festa da páscoa. 5Enquanto Pedro era mantido na prisão, a Igreja rezava continuamente a Deus por ele.

 

6Herodes estava para apresentá-lo. Naquela mesma noite, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes; e os guardas vigiavam a porta da prisão. 7Eis que apareceu o anjo do Senhor e uma luz iluminou a cela. O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: "Levanta-te pressa!" As correntes caíram-lhe das mãos. 8O anjo continuou: "Coloca o cinto e calça tuas sandálias!" Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: "Põe tua capa e vem comigo!" 9Pedro acompanhou-o, e não sabia que era realidade o que estava acontecendo por meio do anjo, pois pensava que aquilo era uma visão. 10Depois de passarem pela primeira e segunda guarda, chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. O portão abriu-se sozinho. Eles saíram, caminharam por uma rua e logo depois o anjo o deixou. 11Então Pedro caiu em si e disse: "Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!" Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Pedro, três vezes preso por anunciar o Ressuscitado,

é convocado a agir como missionário

 

Os Atos dos Apóstolos nos dão uma informação que se tornara uma prática comum do império romano em relação aos cristãos: os discípulos são martirizados, mortos pela espada ou encarcerados, o que agradava aos judeus (v. 3). Pedro, preso pela terceira vez por ordem de Herodes Agripa I, esperava o momento de sua morte, possivelmente após a festa da Páscoa. Era noite. Um anjo do Senhor, isto é, Deus mesmo, vem ao seu encontro. Miraculosamente, as correntes se rompem e as portas se abrem. Pedro, iluminado por uma luz, é convocado a pôr-se de pé, vestir-se e calçar as sandálias.

 

Nesse episódio, destacam-se algumas relações simbólicas. Pedro havia negado Jesus três vezes (Mt 26,69-75) e, outras três, sido interrogado por ele sobre se o amava (Jo 21,14-17); aqui se repete três vezes a informação de sua prisão por anunciar Jesus ressuscitado. O número três nos remete à manifestação de fé judaica do Shemá Israel de Dt 6,4-9: “Escuta, ó Israel, amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, teu ser e tuas posses (cf. Faria, 2001, p. 52). A luz é a presença de Deus, outrora manifestada no Sinai. O anjo é também a presença de Deus, que, tendo salvado seu Filho da morte, fez o mesmo com Pedro. O anjo convida Pedro a assumir a postura de missionário: levantar-se, cingir-se e partir. Portas fechadas serão abertas, apesar dos inúmeros guardas presentes. A comunidade, que se mantinha unida na fé, percebe a ação de Deus que caminha com ela. Pedro é exemplo de fé e de esperança para todos.

 

Depois desses eventos, Lucas e a comunidade de Atos silenciam sobre a vida de Pedro. Os capítulos seguintes tratarão de outro grande apóstolo, Paulo. Assim, os Atos dos Apóstolos narram atos de Pedro e Paulo mais que dos apóstolos, como sugere o título do livro. Fato que também comprova a importância colossal dessas duas personagens primevas do cristianismo. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 278 ©Paulus 2011]

 

 

Salmo: 33(34), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R/.5b)
De todos os temores me livrou o Senhor Deus

 

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

 

Comigo engrandecei ao Senhor Deus, exaltemos todos juntos o seu nome! Todas as vezes que o busquei, ele me ouviu, e de todos os temores me livrou.

 

Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha! Este infeliz gritou a Deus e foi ouvido, e o Senhor o libertou de toda angústia.

 

O anjo do Senhor vem acampar ao redor dos que o temem, e os salva. Provai e vede quão suave é o Senhor! Feliz o homem que tem nele o seu refúgio!

 

 

II Leitura: 2ª Carta de Paulo a Timóteo (2Tm 4, 6-8.17-18 )

Agora está reservada para mim a coroa da justiça 

 

Caríssimo, 6quanto a mim, eu já estou para ser derramado em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa.

 

17Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

O pequeno-grande atleta imortal do Ressuscitado

 

Essa leitura é uma das páginas de rara beleza literária da Bíblia. Paulo, assim como Pedro, tem consciência de que sua hora está chegando. Sabedor disso, afirma: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé” (v. 7). Paulo sabe que, assim como o mestre, que foi abandonado diante dos tribunais (Mt 26,31), ele deveria perdoar a todos (v. 16). E, além disso, testemunhar o Ressuscitado a todos os povos (v. 17b).

 

A imagem simbólica de um Paulo esportista é fenomenal. Paulo, “o pequeno”, foi um lutador na fé. Ele caminha para a morte, para o martírio, sabendo que o mesmo Senhor Jesus, que sempre esteve ao seu lado, o salvará e o levará para a glória do seu reino celestial (vv. 17-18). A coroa de sua vitória olímpica é outra, a da justiça e da imortalidade. Paulo tornou-se um atleta imortal do Ressuscitado, jamais esquecido pelos guerreiros cristãos de ontem e de hoje. Um símbolo que permanece vivo no meio de nós. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 278 ©Paulus 2011]

Evangelho: Mateus (Mt 16, 13-19)
 Tu és Pedro e eu te darei as chaves do reino dos Céus 

 

Naquele tempo, 13Jesus foi à região de Cesaréia de Filipe e ali perguntou aos seus discípulos: "Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?" 14EIes responderam: "Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas".

 

15Então Jesus lhes perguntou: "E vós, quem dizeis que eu sou?" 16Simão Pedro respondeu: "Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo". 17Respondendo, Jesus lhe disse: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. 18Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. 19Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Pedro, pedra e gruta

 

O evangelho de hoje se inicia com uma pergunta de Jesus sobre o que o povo pensava sobre ele e termina com Pedro sendo instituído como liderança, referência para a Igreja primeva.

 

Em Cesareia de Filipe, longe do poder político e econômico, Jesus lança a pergunta: “Quem sou para o povo e para vocês, meus discípulos?” O povo, respondem os discípulos, diz que tu és João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Ao que Pedro, de forma contundente, toma a palavra e lhe diz: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo” (v. 16). Essas opiniões eram importantes para Jesus e para a comunidade de Mateus, que, ao escrever o seu evangelho, via nelas um dos pontos cruciais de sua narrativa: a messianidade de Jesus. Ademais, elas demonstram a relação entre Jesus e a tradição de Israel. A menção ao profeta Elias revela a importância dele para os judeus. Segundo a tradição, ele, após ter ido ao céu em um carro de fogo (2Rs 2,1-18), voltaria. Na celebração do jantar de Páscoa, os judeus reservam-lhe um lugar especial. No final, solenemente, a porta da casa é aberta para receber Elias no convívio familiar. A novidade, no entanto, é a resposta de Pedro. A convivência com o mestre lhe deu a certeza de ser ele o Messias, o Cristo, o ungido, o Filho de Deus vivo (v. 16).

 

Da resposta de Pedro emergem outras relações simbólicas: ele recebe as chaves do reino; é confirmado como liderança do grupo; é chamado de pedra e gruta, sob e sobre a qual seria edificada a Igreja, a comunidade que nasceria do seu seguimento. Analisemos este último simbolismo. Jesus lhe diz: “Tu és Kepha (Cefas), e sobre ela edificarei a minha Igreja”. Qual é o significado das palavras de Jesus a Pedro, ao referir-se ao seu nome como pedra, em aramaico Kepha? Esse substantivo não teria também outra significação? Vejamos. Naquele tempo, o povo tinha o costume de escavar as rochas para daí tirar pedras para construir casas. Os buracos formados nas rochas recebiam, na língua familiar, o aramaico, o nome de Kepha. Daí que Kepha pode ser também entendido como gruta escavada na rocha. Aos pobres restava o infortúnio de morar nessas cavernas ou grutas. Kepha traduz também o substantivo grego Pétros (Pedro). Então Pedro não significa pedra? Sim, mas, tomado no sentido anterior, pode significar gruta escavada na rocha. Desse modo, Jesus, então, teria dito a Pedro: “Tu és gruta escavada na rocha, e sob essa gruta, onde vivem os pobres, aí edificarei a minha Igreja” (cf. Faria, 2010b, p. 28-31).

 

Considerando o que foi dito acima, há espaço para duas afirmações hermenêuticas plausíveis: a) Pedro representa a rocha, a pedra da nova comunidade de fé, que sabe quem é Jesus e quer anunciá-lo e vivenciá-lo, tendo Pedro como seu líder; b) Pedro é a Igreja dos pobres que vivem nas grutas de ontem e nas favelas e barracos de hoje, lugar onde a Igreja deveria estar mais presente, mas, infelizmente, do qual está cada vez mais se distanciando. Outras Igrejas proliferam porque não somos capazes de dar respostas aos problemas da pós-modernidade. Não que elas também saibam, mas, pelo menos, estão mais próximas dos empobrecidos, na vivência de seus problemas econômicos e existenciais, mesmo que, muitas vezes, tirando proveito da situação.

 

Pedro tem as chaves que abrem portas e ligam todos com o Eterno, o divino. Mais tarde, as comunidades entenderam que a liderança de Pedro foi repassada para aqueles que o sucederam, os quais receberam o nome de bispo. Destaque para o de Roma, que se tornou também papa, chefe da Igreja Católica (universal), apostólica e romana. Nisso tudo, o simbólico se torna real e o real se alimenta do simbólico. [Frei Jacir de Freitas Faria, ofm, Vida Pastoral nº 278 ©Paulus 2011]

 

Oração da assembleia (Missal Dominical)

Pela santa Igreja de Deus, para que, estavelmente construída sobre o fundamento dos Apóstolos Pedro e Paulo, possa cumprir com fidelidade e coragem sua missão apostólica, rezemos ao Senhor: Senhor, escutai a nossa prece.

Pelo Papa: para que, no exercício do primado e no modo de amar os cordeiros e as ovelhas do Senhor possa ser sempre reconhecido como o sucessor de Pedro, rezemos ao Senhor:

Pelos cristãos perseguidos, para que, lembrando-se do amor e da morte de Pedro e Paulo, possam gozar e exultar quando sofrerem ultrajes por Jesus Cristo, rezemos:

Pela nossa comunidade, para que seja sempre animada pelo amor e fidelidade ao Papa e o Colégio dos Bispos, rezemos ao Senhor:

(outras intenções)

 

Prefácio: A Dupla Missão de Pedro e Paulo na Igreja

Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Hoje, vós nos concedeis a alegria de festejar os apóstolos são Pedro e são Paulo. Pedro, o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel. Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o Evangelho da salvação. Por diferentes meios, os dois congregaram a única família de Cristo e, unidos pela coroa do martírio, recebem hoje, por toda a terra, igual veneração. Por essa razão, os anjos celebram vossa grandeza, os santos proclamam vossa glória. concedei-nos também a nós associar-nos aos seus louvores, cantando (dizendo) a uma só voz...

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que a oração de vossos apóstolos acompanhe as oferendas que vos apresentamos para serem consagradas e nos alcance celebrarmos este sacrifício com o coração voltado para vós. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Pedro disse a Jesus: Tu és o Cristo, filho do Deus vivo. Jesus lhe respondeu: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. (Mt 16,16.18)

 

Oração Depois da Comunhão:

Concedei-nos, ó Deus, por esta eucaristia, viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e na doutrina dos apóstolos, e enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

São Pedro e São Paulo, apóstolos

 

A celebração de hoje é antiqüíssima; foi inscrita no Santoral romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo fora dos muros, a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos.

 

São Pedro

Simão era pescador de Betsaida (Lc 5,3; JO 1,44), que mais tarde se estabelecera em Cafarnaum (Mc 1,21.29). Seu irmão André o introduz entre os que seguem Jesus (Jo 1,42): mas Simão havia sido certamente preparado para este encontro por João Batista. O Cristo lhe muda o nome e o chama "Pedra" (Mt 16,17-19; JO 21,15-17), para realizar em sua pessoa o tema da pedra fundamental. Simão Pedro é uma das primeiras testemunhas que vê o sepulcro vazio (Jo 20,6) e merece uma especial aparição de Jesus ressuscitado (Lc 24,34).

 

Depois da ascensão, ele toma a direção da comunidade cristã (At 1,15; 15,7), enuncia o esquema da Boa-nova (At 2,1441), e é o primeiro a tomar consciência da necessidade de abrir a Igreja aos pagãos (At 10-11). Essa missão espiritual não o livra da condição humana nem das deficiências do temperamento (Mt 10,41; 14,29.66-72; Jo 13,6; 18,10; Mt 14,29-31). Paulo não hesita em contradizê-lo na discussão de Antioquia (At 15; Gl 2, 11-14), para convidá-lo a libertar-se das praticas judaicas. Parece, de fato, que neste ponto Pedro tenha tardado a abrir-se e tendesse a considerar os cristãos de origem pagã como uma comunidade inferior a dos cristãos de origem judaica (At 6,1-2). Quando Pedro vai a Roma torna-se o apóstolo de todos. Cumpre, então, plenamente, sua missão de "pedra angular", reunindo num só "edifício" os judeus e os pagãos e ratifica esta missão com seu sangue.

 

A celebração de hoje  é  antiquíssima; foi  inscrita  no Santoral romano muito antes da festa do Natal. No século IV já se celebravam três missas, uma em São Pedro no Vaticano, outra em São Paulo fora dos muros, a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde provavelmente estiveram escondidos por algum tempo os corpos dos dois apóstolos.

 

São Paulo

Depois de sua conversão na estrada de Damasco, Paulo percorre, em quatro ou cinco viagens, o Mediterrâneo. Faz a primeira viagem em companhia de Barnabé (At 13-14); partem de Antioquia, param na ilha de Chipre e depois percorrem a atual Turquia. Após o concílio dos apóstolos em Jerusalém, Paulo inicia uma segunda viagem, desta vez expressamente como "convidado" dos "Doze" (At 15,36-18,22). Atravessa novamente a Turquia, evangeliza a Frigia e a Galácia, onde adoece (Gl 4,13). Passa à Europa com Lucas e funda a comunidade de Filipos (Grécia setentrional). Depois de um período de prisão, evangeliza a Grécia; em Atenas sua missão encontra nos Filósofos um obstáculo; em Corinto funda a comunidade que lhe dá mais trabalho. Em seguida volta a Antioquia. Uma terceira viagem (At 18,23-21,17) o leva às Igrejas fundadas na atual Turquia, especialmente a Éfeso, depois à Grécia e a Corinto. De passagem em Mileto, anuncia aos anciãos sua próxima provação. De fato, pouco depois de sua volta a Jerusalém é preso pelos judeus e posto no cárcere (At 21). Sendo cidadão romano, Paulo apela para Roma.

 

Empreende assim uma quarta viagem, esta a Roma, mas não mais em estado de liberdade (At 21-26). Chega a Roma pelo ano 60 ou 61; é mantido na prisão até cerca do ano 63; no entanto, aproveitando de algumas facilidades que lhe são proporcionadas, entra em freqüente contato com os cristãos da cidade e escreve as "cartas do cativeiro". Libertado no ano 63, faz, provavelmente, uma última viagem à Espanha (Rm 15,24-28) ou às comunidades dirigidas por Timóteo e Ti to, às quais escreve cartas que deixam entrever seu fim próximo. De novo preso e encarcerado, Paulo sofre o martírio cerca do ano 67.

 

Pedro e Paulo: dois nomes que ao longo dos séculos personificaram a Igreja inteira em sua ininterrupta Tradição. Aos dois primeiros mestres da fé chegou-se mesmo a "confessar" os pecados no Confiteor, reconhecendo neles a Igreja histórica. Para os orientais também, os dois "irmãos" significam todo o colégio apostólico, como pedras fundamentais da fé. Ainda hoje o Papa invoca a autoridade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo quando, em seus atos oficiais, quer referir a Tradição à sua fonte: a palavra de Deus. Só pela escuta desta palavra no Espírito, pode a Igreja se "tornar perfeita no amor em união como Papa, os bispos e toda a ordem sacerdotal". [Missal Dominical, 1995, Paulus]

 

Pedro e Paulo

Dom José Alberto Moura, CSS, Arcebispo Metropolitano de Montes Claros - MG

 

Numa só festa comemoramos Pedro e Paulo. Ambos foram martirizados em Roma. A sepultura do primeiro se encontra embaixo do altar mor da basílica do Vaticano. Os restos mortais do segundo se encontram na basílica com seu nome, fora dos muros antigos de Roma. Deram a vida para serem fiéis à resposta ao chamado de Jesus, testemunhando sua divindade. Não fosse sua convicção de fé não se teriam sacrificado, dando tudo de si na missão recebida de levar a todos Evangelho. São sustentáculos da Igreja instituída pelo Divino Mestre.

 

Pedro, colocado como chefe da Igreja, nos dá a garantia de seguirmos com segurança o caminho de Jesus, tendo a força de sermos, como Igreja, grande farol indicativo do caminho que leva à vida plena. Na sua realidade humana confiou plenamente na força do Senhor para realizar a incumbência oferecida pelo Ressuscitado: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,16); “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dou-te as chaves do reino dos céus, e o que ligares na terra será ligado nos céus” (Mateus 16, 18-19).

 

Paulo, convertido após Jesus ter realizado sua missão de nos salvar, dedicou-se totalmente a espalhar de modo ardoroso e destemido a Boa-nova de Jesus por onde pode estar presente, convicto do envio que Jesus lhe fez: “Tenho, porém, a ambição de pregar o Evangelho onde Cristo não foi ainda anunciado”(Romanos 15,20). Sua grande preocupação: “Não tenho, de fato, de que gloriar-me, se eu anuncio o Evangelho; é um dever este que me incumbe, e ai de mim, se não pregasse!” (1 Cor. 9,16). A fé move sua pregação: “Acreditei; por isso, falei” ( 2 Cor. 4,13).

 

Estes dois baluartes da Igreja instituída por Jesus nos dão, além do mais, as seguintes seguranças na caminhada como verdadeira comunidade eclesial de Cristo: o ensinamento surgido de Jesus e transmitido pelos Apóstolos. Pedro nos garante a solidez da fé no Ressuscitado; Paulo nos forma na mesma fé para também anunciarmos a pessoa do Salvador e o que Ele nos ensinou através dos Apóstolos. Não podemos abrir mão de nossa fé, sendo verdadeiros seguidores ou discípulos de Jesus. Não podemos também abrir mão de nossa vocação e ação missionária, tão necessárias no mundo de muitas propostas desviadoras dos valores do Evangelho. A sucessão apostólica nos dá base para compararmos os ensinamentos, mesmo sobre Jesus e seu Evangelho, com sua sustentação doutrinária e magisterial. O diálogo com as culturas e religiões nos favorece, com a força da autoridade de Pedro e Paulo, para termos a nítida revelação de Jesus com a certeza da autoridade dada a estes apóstolos e seus sucessores. Deste modo, respeitamos a todos, mas não deixamos de mostrar nosso entendimento, com o valor da pessoa do Ressuscitado e de seus ensinamentos, que podem ser coincidentes com outros irmãos de outras confissões religiosas. O melhor é justamente nossa fraternidade para, em coerência e nitidez sobre os ensinamentos de Jesus, ajudarmos a sociedade a viver mais na justiça, na solidariedade e na paz. A Igreja é instrumento de serviço para a humanidade, promovendo a ética, a dignidade e a vida plena para todos. [Fonte: CNBB]

 

Óbolo de São Pedro

Por determinação da VII Assembléia da CNBB, em todas as igrejas e oratórios, mesmo dos mosteiros, conventos e colégios, comemora-se o DIA DO PAPA, com pregações e orações que traduzam amor, veneração, respeito e obediência ao Vigário de Cristo na terra, Cabeça da Santa Igreja universal, e com piedosas e generosas ofertas para o Óbolo de São Pedro.