Domingo, 3 de janeiro de 2010

Epifania do Senhor, Ofício da Solenidade, Leituras para os anos A, B e C, cor Branca

 

Hoje: Dia de Liberdade ao Culto e Dia de Gratidão

 

Santos: Antero (papa, mártir), Bertila de Marolle (viúva), Blitmundo de Bobbio (abade), Daniel de Pádua (diácono, mártir), Florêncio de Viena (bispo, mártir), Genoveva (virgem, Padroeira de Paris), Gordino da Capadócia (mártir), Melário da Bretanha (mártir), Pedro Balsam (mártir de Aulana), Quirino, Primo e Teógenes (mártires de Cízico), Teopempto (bispo da Nicomédia) e Teonas (mártires), Zósimo e Atanásio (mártires da Cilícia), Ciríaco Elias Chávara (presbítero, bem-aventurado), Eduardo Coleman (mártir, bem-aventurado) , José Maria Tommasi (cardeal, bem-aventurado)

 

Antífona de Entrada: Eis que vio o Senhor dos senhores; em suas mãos, o poder e a realeza (Ml 3,1; 1Cr 19,12)

 

Oração do Dia: Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu. Por nosso Senhor Jesus, a unidade do Espírito Santo.

 

A liturgia do dia: A festa da Epifania é a grande convocação que Deus faz, a fim de que todas as nações e raças encontrem forças para tornar humano e fraterno o nosso mundo. Essa é, no fundo, a expectativa de Deus que transparece em toda a Bíblia. Mas é em Jesus que ela toma corpo e forma, aparecendo como proposta oferecida a todos. Contudo, a ganância e o desejo de poder – presentes no Herodes do tempo de Jesus e nos Herodes de todos os tempos – tentam sufocar essa esperança. Porém, os homens de boa vontade têm uma “estrela”, não cessam de “sonhar” um caminho alternativo, que não passa pelos poderosos, mas nasce do menino-pastor. Essa caminhada é cheia de dificuldades, mas é Deus quem a ilumina, gerando forças e vida nova. [A liturgia de hoje vale para os anos A, B e C.]

 

 

I Leitura: Isaías (Is 60, 1-6)

A reconstrução gloriosa de Jerusalém

 

1Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6será uma inundação de camelos e dromedários de Madiá e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor. Palavra do Senhor!

 

 

Salmo: 71(72), 2.7-8.10-11.12-13 (+ 11)
As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

 

1Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres.

 

7Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! 8De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!

 

10Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. 11Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo.

 

12Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar 13Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

 

II Leitura: Carta de Paulo aos Efésios (Ef 3, 2-3a.5-6)

A manifestação do mistério de Deus

deve chegar a todos os povos

 

Irmãos: 2Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3ae como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 2, 1-12)

Os magos, iluminados pela mesma luz que os pastores receberam

 

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo".

 

9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho. Palavra da Salvação!

 

Na Igreja Cristo se revela a todos os povos

 

Entre todas as orientações que o Concílio Vaticano II encaminhou ou pôs em relevo, uma das mais importantes e significativas é indubitavelmente o apelo à unidade fundamental da família humana (cf, por ex., GS 24; 26; 27).

 

Visando ao universalismo

A humanidade tende a um universalismo até agora nunca atingido e que produzirá um novo tipo de homem, cuja cultura não será mais limitado à da sua civilização e cujos meios técnicos serão patrimônio de todos. Este dinamismo impressionante é tão característico da esperança contemporânea, que os que manifestam exclusivismo racial, nacional ou cultural são considerados ultrapassados. Mas de que meios dispõe a humanidade para atingir este sonho? Experimentam-se muitos métodos que têm certa parte de verdade e eficácia mas que acarretam muitos problemas. Convirá recorrer à força?A experiência de grandes impérios impérios baseados universal do trabalho  e  da  técnica? Mas na violência nos põe de sobreaviso contra ela. Convém confiar na consciência princípios de direito, de cultura etc., nos quais se baseia essa consciência para realizar a unificação do mundo, serão verdadeiramente os mais profundos? Não menosprezam deliberada mente um elemento irredutível, a pessoa? E o cristão? Não terá uma palavra a dizer? Segundo a Escritura, o primeiro homem que acreditou no universalismo foi Abraão, o pai das nações. Deus lhe prometeu que estas, um dia, estariam reunidas na sua descendência, e o patriarca acreditou; foi o primeiro ato de fé feito por um homem.

 

Os povos caminharão à tua luz

Israel recebeu a missão de reunir todos os povos na descendência de Abraão e de realizar assim a promessa do universalismo. Israel acreditou, erroneamente, poder formar essa unidade com certo numero de praticas particulares: a lei, o sábado, a circuncisão. Só a fé de Abraão teria sido capaz de reunir todos os pagãos, e os judeus não souberam desligá-la de suas práticas legais.

 

O anúncio de um novo povo de Deus, de dimensões universais, prefigurado e preparado no povo eleito, realiza-se plenamente em Jesus Cristo, para quem converge e que recapitula todo o plano de Deus (Ef 1,9-1 0). Nele, tudo o que estava dividido encontra de novo a unidade (2ª leitura).

 

Convocando os magos do Oriente, Jesus começa a reunir os povos, a dar unidade à grande família humana, que se realizará plenamente quando a fé em Jesus Cristo fizer cair as barreiras existentes entre os homens, e na unidade da fé todos se sentirão filhos de Deus, igualmente redimidos e irmãos (evangelho).

 

Este novo povo é a Igreja, comunidade dos que crêem; ela realiza e testemunha, através dos séculos, o chamado universal de todos os homens à salvação, pela obra unificadora de Cristo. É significativa a visão final do Novo Testamento (Ap 7,4-12; 15,34; 21,24-26): uma multidão de raças, povos e línguas, que saúdam a Deus, orei das nações, e que habitarão a nova Jerusalém, onde a família humana encontrará a unidade.

Há sempre uma estrela no céu

Todo discurso sobre a "unidade”, em qualquer campo, corre facilmente o risco de ser mal compreendido. Freqüentemente se entende por unidade uma uniformidade monótona, a anulação de todas as diferenças individuais, um total nivelamento. Inaugura-se assim um sistema de simples rótulos e simples exclusão. Quem não se adapta à medida geral é rotulado como extremista, reacionário ou herege. No entanto, a diversidade e a variedade dos caracteres das nações são a riqueza da humanidade. Também o fato de ser a Igreja una e universal não impede que possam coexistir em seu seio "diversos modos - de viver a única fé. Durante muito tempo esteve a Igreja ligada ao mundo cultural ocidental e ao homem branco, a ponto de reduzir-se o cristianismo a imagens e categorias mentais tipicamente européias; mas a Igreja de Cristo não pode ser branca, negra nem amarela, como não pode ser proletária, burguesa ou capitalista; suas portas estão abertas a todos. O cristão autêntico não pode refutar aprioristicamente a novidade ou a originalidade por si mesmas, mas deve antes verificar se não são elas apenas uma nova dimensão da fé no único Cristo. Muitas experiências atuais, que às vezes escandalizam os defensores da uniformidade (não da unidade), são o sinal do vigor da vida da Igreja. Cristo nos dá o sentido de tudo: Ama a Deus com todo o teu coração; amai-vos como eu vos amei (cf Mc 12,30; Jo 13,34). Aqui encontramos o sentido e a direção: essa é a estrela que devemos seguir para atingir nosso autêntico e único centro de unidade. [Missal Cotidiano, ©Paulus, 1995]

 

Leia o Sermão da Epifania (1662) de Pe. Antônio Vieira em:

http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/BT2803065.html

 

Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las. (Madre Teresa de Calcutá)