Domingo, 2 de outubro de 2011

27º do Tempo Comum, Ano “A”, 3ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia do Repórter Fotográfico, Dia do Prefeito e Dia Internacional do Notário

 

Santos: Santa Teresa do Menino Jesus (França, proclamada, juntamente com São Francisco Xavier, padroeira das missões apostólicas), Plato (Séc. III), Crestos (Séc. III),   Veríssimo, Máxima e Júlia (Lisboa, Portugal), Bavão (658), Remi, Romano (o Melódio).

 

Antífona: Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que estes contêm; sois o Deus do universo! (Est 1, 9.10-11)

 

Oração: Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedei, no vosso imenso amor de Pai, mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

1ª Leitura: Isaias (Is 5, 1-7)
Deus é quem plantou as videiras

 

1Vou cantar para o meu amado o cântico da vinha de um amigo meu: Um amigo meu possuía uma vinha em fértil encosta. 2Cercou-a, limpou-a de pedras, plantou videiras escolhidas, edificou uma torre no meio e construiu um lagar; esperava que ela produzisse uvas boas, mas produziu uvas selvagens.

 

3Agora, habitantes de Jerusalém e cidadãos de Judá, julgai a minha situação e a de minha vinha. 4O que poderia eu ter feito a mais por minha vinha e não fiz? Eu contava com uvas de verdade, mas por que produziu ela uvas selvagens?

 

5Pois agora vou mostrar-vos o que farei com minha vinha: vou desmanchar a cerca, e ela será devastada; vou derrubar o muro, e ela será pisoteada. 6Vou deixá-la inculta e selvagem: ela não será podada nem lavrada, espinhos e sarças tomarão conta dela; não deixarei as nuvens derramar a chuva sobre ela.

 

7Pois bem, a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça - e eis a injustiça; esperava obras de bondade - e eis a iniquidade. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Esperava que produzisse uvas boas

 

O poeta canta em versos a história de amor entre seu Amigo e a vinha. Primeiramente destaca o cuidado que seu Amigo teve para com ela: preparou a terra, plantou mudas selecionadas; deu-lhe proteção permanente com vigias, construindo uma torre; evitou que as uvas se estragassem, fazendo um tanque de amassar uvas. Esses cuidados fizeram dela uma “vinha preciosa” (Jr 2,21). Contudo a vinha não correspondeu às expectativas de seu proprietário. Para Isaías, a vinha é Israel e Judá, a totalidade do povo de Deus. Que expectativas não foram correspondidas? O exercício da justiça e do direito.

 

O poeta afirma que seu Amigo, o proprietário da vinha, identificado com o Senhor dos exércitos, convoca os moradores de Jerusalém para julgar a vinha. O proprietário faz duas perguntas: a primeira sobre as próprias atividades, e a segunda sobre a produção da vinha. No final, o proprietário dá uma sentença, anunciando o que fará. E suas atividades para com a vinha serão o oposto dos cuidados iniciais. O ápice é o v. 7, no qual estão em contraste as expectativas de Deus e a resposta negativa do povo.

 

A vinha não produz os frutos esperados, o povo não realiza obras que agradam a Deus, especificamente a justiça e o direito. Essas palavras da primeira leitura são bem atuais; hoje elas se dirigem a nós que somos povo de Deus em Jesus Cristo. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Salmo: 79(80), 9 e 12.13-14.15-16.19-20 (R/.Is 5, 7a) 
A vinha do Senhor é a casa de Israel

 

Arrancastes do Egito esta videira, e expulsastes as nações para plantá-la; até o mar se estenderam seus sarmentos, até o rio os seus rebentos se espalharam.

 

Por que razão vós destruístes sua cerca, para que todos os passantes a vindimem, o javali da mata virgem a devaste, e os animais do descampado nela pastem?

 

Voltai-vos para nós, Deus do universo! Olhai dos altos céus e observai. Visitai a vossa vinha e protegei-a! Foi a vossa mão direita que a plantou; protegei-a, e ao rebento que firmastes!

 

E nunca mais vos deixaremos, Senhor Deus! Dai-nos vida, e louvaremos vosso nome! Convertei-nos, ó Senhor Deus do universo, e sobre nós iluminai a vossa face! Se voltardes para nós, seremos salvos!

 

 

 

II Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl 4, 6-9)
Se Deus é por nós, quem será contra nós?

 

6Não vos inquieteis com coisa alguma, mas apresentai as vossas necessidades a Deus, em orações e súplicas, acompanhadas de ação de graças. 7E a paz de Deus, que ultrapassa todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos em Cristo Jesus.

 

8Quanto ao mais, irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer modo mereça louvor.

 

9Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes. Assim, o Deus da paz estará convosco. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a II Leitura

Ocupai-vos com tudo o que é bom

 

O texto da segunda leitura traça um itinerário para que o cristão possa ter uma práxis que seja fruto de seu relacionamento com Deus.

 

Primeiramente diz: “Não vos preocupeis com coisa alguma”. Isso não significa ser irresponsáveis nas tarefas, nas atribuições, nas profissões, nos relacionamentos familiares etc., e sim que as preocupações com o cotidiano não devem tomar demasiado espaço em nossa vida. Quanto mais se confia em Deus, tanto mais os pensamentos ficam livres de aflições e ansiedades (cf. Mt 6,25 e 1Tm 5,8).

 

Se alguma situação se torna muito difícil para nós, então devemos nos reportar a Deus com orações e súplicas. A palavra “súplica”, no idioma em que o texto foi escrito, denota o sentido de algo do qual necessitamos muito, de alguma coisa vital para nós. Mas as orações e súplicas devem estar unidas à ação de graças, porque devemos agradecer a Deus antes mesmo de receber a resposta dos nossos pedidos. Talvez Deus não realize exatamente o que esperamos, mas sabemos que ele sempre responde às nossas orações e por isso devemos agradecer imediatamente.

 

Em seguida, após depositarmos nossas dificuldades nas mãos de Deus, então já não estaremos tão estressados como antes e poderemos saborear “a paz que supera todo entendimento” (v. 7). Sentimos paz não porque a situação foi resolvida, mas porque ela já não nos sufoca – afinal, somos a vinha bem cuidada de Deus.

 

E como nossa mente já não está sobrecarregada com preocupações e ansiedades, então podemos nos ocupar com o que é essencial (v. 8): levar uma vida exemplar no mundo (dar testemunho), sendo verdadeiros, sabendo respeitar a dignidade do outro, sendo amáveis, sendo puros, enfim, praticando as virtudes.

 

Paulo termina dizendo que esse comportamento os filipenses aprenderam observando o modo como ele, Paulo, se comportava. Quem dera as pessoas pudessem também aprender essas coisas pelo testemunho dos cristãos. Então o mundo inteiro seria uma vinha que produz frutos agradáveis para Deus. [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 21, 33-43)
Agora é o tempo do reino de Deus

 

Naquele tempo, Jesus disse aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo: 33"Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas, e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. 34Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. 35Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro, e ao terceiro apedrejaram. 36O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. 37Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: 'Ao meu filho eles vão respeitar'. 38Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: 'Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!' 39Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. 40Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" 41Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo". 42Então Jesus lhes disse: "Vós nunca lestes nas Escrituras: 'A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?' 43Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos". Palavra da Salvação!

 

Comentando o Evangelho

Entregarão os frutos no tempo certo

 

Numa releitura do texto de Isaías, o evangelho de hoje vem acentuar a importância dos líderes religiosos no exercício de sua missão na comunidade: cuidar da vinha.

 

O cultivo da vinha exige muita dedicação, porque ela representa frequentemente os escolhidos de Deus, que são muito valiosos para ele. O dono da vinha esteve distante até o tempo em que ela deveria dar frutos e a confiou a “empregados”. Jesus está dizendo a seus interlocutores que eles são apenas servos de Deus, que a função deles é entregar os frutos para o verdadeiro dono, mas eles quiseram fazer as coisas do jeito deles.

 

Os servos quiseram a parte que pertencia a Deus. Mas somente o Senhor tem a última palavra na condução do povo. E somente a Deus pertence o louvor, não aos líderes religiosos. Então a liderança religiosa já não estará com aquele grupo; caberá a quem fizer a vinha produzir frutos para Deus.

 

Essa realidade criticada pelo evangelho está presente na Igreja em todos os tempos, porque o ser humano é sempre tentado a usurpar o lugar de Deus. Para aprendermos a assumir nosso papel na liderança da comunidade, basta olhar para Jesus, que não se apegou a seu ser igual a Deus, mas assumiu a condição de servo (cf. Fl 2,6-7). E ele é o herdeiro da vinha. Por isso, Jesus é o caminho a ser seguido não somente pelos líderes religiosos, mas por todos os cristãos que queiram realizar na sua vida a vocação humana e cristã: ser para Deus. Se realizarmos essa vocação, certamente a vinha do Senhor dará muitos frutos no seu tempo.

 

Tentemos aprofundar esses dados. Em primeiro lugar, a morte de Jesus, o Filho de Deus, não é fruto do acaso. Pelo contrário, é resultado de trama bem montada pelas lideranças que defendem a injustiça e pisam o direito. Em segundo lugar, essas lideranças pretendem perpetuar-se na injustiça e violação do direito, pois querem tomar posse da herança do Filho, ou seja, tentam tornar-se, com essas armas, donos vitalícios do povo. Em terceiro lugar, estão dispostos a pôr para fora da vinha (isto é, eliminar sistematicamente) tantos quantos pretendam seguir o caminho do Filho, o caminho da justiça e do direito. Jesus foi crucificado fora da cidade, como bandido, e banido da sociedade.

 

Aqui cabe uma pergunta: essa parábola é uma criação da comunidade após a morte e ressurreição de Jesus? Não é fácil responder. Mas muitos estudiosos crêem que Jesus tenha de fato contado a parábola às lideranças, pois, a essas alturas, no olho do furacão (no templo de Jerusalém) ele enfrenta as lideranças e desmascara seus planos de morte.

 

Jesus provoca as lideranças: “Quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?” (v. 40), e elas caem na arapuca: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo” (v. 41). Notemos que as lideranças emitem a sentença contra si próprias: são lideranças perversas que merecem a morte e a exclusão do povo que luta pela justiça e pelo direito!

 

A conclusão da parábola é evidente. Jesus cita o Salmo 118,22s: “A pedra que os construtores rejeitaram (ou seja, ele próprio) tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos” (v. 42). Pedra angular era a que sustentava, no alto, o arco de entrada de toda construção. Sem ela o arco todo cai e não é possível construir coisa alguma. Jesus é essa pedra. Ele é a sustentação do novo povo de Deus, cuja função é produzir, na sociedade, frutos de justiça e direito (cf. v. 43). [Aíla Luzia Pinheiro Andrade, nj, Vida Pastoral nº 280, Paulus]  

 

O juízo de Deus sobre seu povo

 

A alegoria da vinha inaugura o tema das núpcias de Javé em Israel, tema que voltará frequentemente na literatura bíblica. Às vezes, Israel é designado como vinha (Jr 2, 21; Ez  15, 1-8; 17, 3-10; 19, 10-14; Sl 79, 9-17), outras vezes, como a esposa acariciada e depois repudiada (Ex 16; Mt 22, 2-14; 25, 1-13). Neste cântico de Isaías, as duas linhas de misturam perfeitamente, através de uma como que superposição de imanges. A intervenção do profeta lembra o papel do amigo do Esposo.

 

A imagem da vinha

As atenç]ões de que a vinha é cercada (v. 2; ver também evangelho) são as que Deus prodigaliza à sua esposa (Ex. 16, 1-14; Ef 5, 25-33). O julgamento que Deus faz sobre a vinha se efetua em público, como exigia a Lei em caso de adultério. Enfim, a condenação da vinha à esterilidade é a maldição prometida à esposa infiel (Ez 16, 35-43; Os 2, 4-15).

 

A figura da vinha, como aliás a da esposa, se tornam como que um exemplo da história da salvação, do modo de agir de Deus perante seus povo e o mundo inteiro.

 

O amor de Deus pelos homens se revela de modo dramático, mas por fim é sempre o amor que triunfa sobre a recusa e a infidelidad do home. Vamos assim, imediatamente, a diferença entre a primeira leitura e o evangelho; enquanto, segundo o profeta. Deus abandona a vinha que não produz frutos, na parábola ela é confiada a outros “vinhateiros que lhe darão os frutos a seus tempo”. Desse modo é indicada a tarefa da Igreja depois da morte de Jesus. A Igreja é o novo povo que tem a missão de “dar frutos”. Por isso, tornou o lugar de Israel e o tomou por ocasião da Páscoa, quando “a pedra que os construtores havia rejeitado tornou-se pedra angular”. Esta pedra é Jesus, que, rejeitado e crucificado, agora ressuscitou, e se torna o fundameno estável sobre o qual deverá apoiar-se toda construção futura.

 

Como se vê, o ensinamento é o da parábola precedente (vide 26º domingo), mas aqui a perspectiva se amplia em dimensão cristológica. Compreendem-se melhor as obras requeridas: obras que exigem a morte, que passam através da aceitação do mistério de Cristo morto e ressuscitado.

 

Eleição e reprovação

O velho Simeão tinha previsto que Jesus seria um “sinal de contradição” e que fora posto “para a queda e o soerguimento de muitos” (Lc 2, 34). A parábola de hoje é uma interpretação desta profecia e um anúncio da páscoa de Jesus.  O povo “eleito” rejeita Jesus como messias, continuando a tradição de rejeitar os profetas, poruqe a mensagem deles não conincide com suas expectativas e seus interesses de poder. Mas, apesar disto, a iniciativa de Deus se cumpre, propondo a outra “nação”, o repelido, como o Senhor que vive. Israel rejeita Jesus, Deus repudia seu povo, mas a história da salvação continua de um modo novo.

 

A imagem da história de Israel e o seu misterioso destino evocam também a nós, hoje, o mistério de uma eleição que se transforma em reprovação, enquanto surgem e se põem à frente novos eleitos, novos predestinados. Nenhum de nós, cristãos, se sente excluído deste tremento e insondável mistério, porque as vicissitudes do povo eleito podem repetir na história e na consciência de cada um de nós, enquanto a eleição da parte de Deus exige sempre uma resposta pessoal.

 

As Igrejas mortas no futuro

Nós temos, certamente, a promessa de que o “novo povo” não será reprovado, e de que as potências do mal não prevalecerão contra a Igreja, mas é sempre impressionante pensar como várias das comunidades muito florescente, dos primeiros séculos (as Igrejas da África e da Ásia Menor) foram canceladas da face da terra, não permanecendo delas senão o nome e a lembrança. Que sucederá com as comunidadees cristãs do Ocidente, dentro de alguns séculos?  Serão Igrejas florescente, comunidades fervorosas e vivas, ou o facho da fé e da eleição passará para as mãos das novas Igrejas africanas, asiáticas ou da América Latina? Falar-se-á de nossas Igrejas do Ocidente como agora falamos da Igreja de Pérgamo, de Filadélfia ou de Hipona? Isto é, como de Igrejas do passado, cuja lembrança só sobrivive na memória e nos monumentos?

 

O processo de secularização e de secularismo, que, em muitos casos, já reduziu a Igreja a estado de diáspora e de presença pouco significativa, cancelará das nossa regiões todo vestígio de tradição e de cultura cristã, ou será ocasião para a redescoberta de um modo de ser cristão e de viver o evangelho? [MISSAL DOMINICAL ©Paulus, 1995]

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Peçamos a Deus a fidelidade a seu serviço, para que sejamos dignos de sua eleição e de seu amor. Senhor, escutai-nos.

Pela Santa Igreja de Deus, para que seja uma vinha fecunda, cheia de frutos, uma esposa fiel que espera a volta de Cristo, rezemos.

Por nossas comunidades cristãs, para que não de deixem levar pelo torpor da indiferença e vivam sua vocação empenhadas no serviço ativo, rezemos.

Pelos pastores da Igreja, para que guardem a vinha do Senhor como fiéis servidores de Deus e dos irmãos, rezemos.

(outras intenções)

 

Senhor, guardai sempre com bondade de Pai a vossa família, para que, livre de toda adversidade, seja, como a vossa proteção, consagradas no bem, a serviço do vosso nome. Por Cristo nosso Senhor.

 

Oração sobre as Oferendas:

Acolhei, ó Deus, nós vos pedimos, o sacrifício que instituístes e, pelos mistérios que celebramos em vossa honra, completai a santificação dos que salvastes. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Embora sendo muitos, nós formamos um só corpo, porque participamos de um mesmo pão e de um mesmo cálice. (Cf. 1Cor 10,17)

 

Oração Depois da Comunhão:

Possamos, ó Deus onipotente, saciar-nos do pão celeste e inebriar-nos do vinho sagrado, para que sejamos transformados naquele que agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

A vinha do Senhor

Padre Lucas de Paula Almeida, CM

           

Uma das imagens da riqueza e da fertilidade da terra da Palestina é a figura de dois homens transportado num pau apoiado a seus ombros um colossal cacho de uvas. É a cena que está descrita no livro dos Números a propósito dos exploradores que foram mandados para examinar a Terra Prometida, para ver como ela era (Nm 13,23). A vinha é uma das belezas da paisagem a um esteio da economia do povo. E traz toda a doçura de seus excelentes frutos, dos quais se faz precioso vinho, portador de muita alegria, como o canta o salmista no hino à grandeza de Deus Criador (Sl 103,15). Nada,  pois,  mais natural  do  que encontrarmos a imagem  da vinha na linguagem dos profetas e na palavra de Jesus, como acontece na liturgia da Palavra do XXVII domingo do Tempo Comum.

 

O profeta Isaias compara o povo de Israel com uma vinha que Deus plantou e a qual dedicou os mais atenciosos cuidados. Cavou a terra, tirou as pedras, plantou cepas escolhidas, construiu um lagar e no meio da vinha a tradicional torre de vigia. Mas a vinha foi ingrata, como lamenta o profeta nesse cântico, que é um dos mais famosos da Bíblia. Deus esperava os melhores frutos de sua vinha, ela, porém, só produziu uvas azedas. O Senhor a desprezou. Derrubou-lhe a cerca, deixou que os animais da selva a devastassem e que só crescessem espinhos e sarças. Deteve, até, as nuvens do céu, para que a chuva não caísse sobre a vinha (cfr Is 5, 1-7). Essa cena de  ingratidão e de decepção aconteceu mais de uma vez no Povo de Deus, agraciado com tantos favores, e a cada momento deixando de produzir os frutos da justiça.

 

Mas na parábola de Jesus o quadro assume proporções ainda mais concretas. Ele fala do Senhor Deus como se fosse um homem que tivesse plantado uma vinha e lhe tivesse dedicado os maiores cuidados: a cerca, o lagar, a torre e tudo o mais. E esse homem arrendou a vinha a vinhateiros, para que a cultivassem, enquanto  ele se ausentava. Quando chegou o tempo da colheita, mandou os seus servos para que os vinhateiros lhe mandassem os lucros obtidos. Mas esses homens não só lhe entregaram lucro nenhum, mas ainda espancaram e maltrataram os servos, matando até alguns deles. Mandou outros servos e o resultado foi o mesmo. Mandou, então, seu filho, pensando que pelo menos a esse o respeitariam. Foi ainda pior! Disseram: "É o herdeiro. Matemo-lo e fiquemos com a herança". E assim fizeram. Agarraram o filho, arrastaram-no para fora da vinha e o mataram (Cfr Mt 21,33-39).

 

Jesus mesmo lança uma pergunta ao seu auditório: "Quando vier o dono da vinha, que fará com esses vinhateiros?" E a resposta foi pronta: "Aniquilará esses miseráveis e arrendará a vinha a outros vinhateiros que paguem os frutos no tempo devido" (Ibid vv 40 e 41).

 

É tudo muito claro. A vinha é o povo de Israel. Deus lhes dedicou todos os melhores cuidados (v. Sl 79). Os frutos que Deus esperava eram a justiça e a fidelidade do povo à Lei do Senhor. Mas, quando Deus manda os profetas para colher estes furtos espirituais, muitos deles são maltratados e morrem mártires. Como aconteceu com Isaias, com Jeremias, com João Batista. Até chegar Jesus. O filho! A parábola foi contada justamente quando Jesus se estava encaminhando para o final de sua vida terrena. O Calvário onde o crucificaram ficava fora dos muros de Jerusalém, lembrando que os vinhateiros arrastaram o Filho para fora da vinha e lá o trucidaram.

 

Deus, então, retira a vinha das mãos desse povo ingrato. "Jerusalém, Jerusalém - irá dizer Jesus um dia - que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu juntar teu filhos como a galinha recolhe seus pintinhos debaixo das asas e tu não o quiseste! Eis que a vossa casa vos ficará abandonada" (Mt 23,37-38). O Israel étnico que preparava a vinda do Messias, sede o lugar ao novo Israel, a Igreja "o Israel de Deus" que é como a chama São Paulo na carta aos Gálatas (Gl 6,16). "O reino de Deus- disse Jesus- vos será retirado, e será dado a uma nação que o faça frutificar" (Mt 21,43). Refere-se Jesus ao mundo dos gentios, entre os quais se ia propagar rapidamente o Evangelho.

 

No entanto, Jesus depois de passar pela ignomínia da crucificação e da morte, chegará ao triunfo da ressurreição. É o que está nas palavras finais da parábola: "Não lestes acaso nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular? Eis a obra do Senhor, ela é admirável aos nossos olhos" (v 42). São versículos do Salmo 117, que a Igreja canta jubilosamente na páscoa, completando-os com a grande exclamação do mesmo salmo: "Este é o dia que o Senhor fez. Alegremo-nos e exultemos nele". É a alegria da ressurreição. A pedra que os construtores rejeitaram foi assumida para ser a pedra angular de um mundo novo: A Igreja, Reino de Deus em começo e esperança de plenitude.