Domingo, 2 de maio de 2010

Quinto Do Tempo da Páscoa, 1ª Semana do Saltério (Livro II), cor litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia do Ex-combatente da FEB

 

Santos: Francisco de Paula (Eremita), Afiano e Teodósia (mártires), Maria do Egito, Nicécio ou Nizier (bispo), João Payne (beato e mártir), Leopoldo de Gaiche (beato, confessor franciscano da 1ª ordem)

 

Antífona: Cantai ao Senhor um canto novo, porque ele fez maravilhas; e revelou sua justiça diante das nações, aleluia! (Sl 97, 1-2)

 

Oração: Deus Ó Deus, Pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que creem no Cristo a liberdade verdadeira e a herança eterna. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Atos (At 14, 21b-27)
Contaram tudo o que Deus fizera  por meio deles

 

Naqueles dias, Paulo e Barnabé 21bvoltaram para as cidades de Listra, Icônio e Antioquia. 22Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: "É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrai no reino de Deus". 23Os apóstolos designaram presbíteros para cada comunidade. Com orações e jejuns, eles os confiavam ao Senhor, em quem haviam acreditado. 24Em seguida, atravessando a Pisidia, chegaram à Panfilia. 25Anunciaram a palavra em Perge, e depois desceram para Atália. 26Dali embarcaram para Antioquia, de onde tinham saído, entregues à graça de Deus, para o trabalho que haviam realizado. 27chegando ali, reuniram a comunidade. Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos. Palavra do Senhor!

 

Salmo 144 (145), 8-9.10-11.12-13ab (R/. Cf.1)

Bendirei o vosso nome, ó meu Deus,

Meu Senhor e meu rei para sempre

 

Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.

 

Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! Narrem a glória e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder.

 

Para espalhar vossos prodígios entre os homens e o fulgor de vosso reino esplendoroso. O vosso reino é um reino para sempre, vosso poder, de geração em geração.

 

 

II Leitura: Apocalipse (Ap 21, 1-5a)
Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos

 

Eu, João, 1vi um novo céu e uma nova terra. Pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. 2Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus, vestida qual esposa enfeitada para o seu marido. 3Então, ouvi uma voz forte que saia do trono e dizia: "Esta é a morada de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles. 4Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes". 5aAquele que está sentado no trono disse: "Eis que faço novas todas as coisas". Depois, ele me disse: "Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras". Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: João (Jo 13,31-33a.34-35)
 Um novo mandamento: amai-vos uns aos outros

 

31Depois que Judas saiu do cenáculo, disse Jesus: "Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele. 32Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. 33aFilhinhos, por pouco tempo estou ainda convosco. 34Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. 35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros". Palavra da Salvação!

 

 

A nova Jerusalém

 

Deus amou uma cidade, Jerusalém. Este amor conheceu vicissitudes, viveu uma história. A cidade de Jerusalém está intimamente ligada à história das relações entre Deus e os homens. A ruptura destas relações, manifesta pela construção de uma cidade oposta ou estranha a Deus (torre de Babel), é reparada pela apresentação da cidade que Deus mesmo edificou para si. A cidade-esposa provém da iniciativa salvadora de Deus, é um plano seu, no qual todos são convidados a colaborar, tornando-se pedras vivas da construção, uma vez que é ela identificada com o "corpo de Cristo”, em crescimento até a sua idade perfeita.

 

A cidade-esposa, herdeira do zelo de Deus para com seu povo, é a habitação dele e aboliu a distinção entre a tenda de Deus e as tendas dos homens. A presença de Deus na criação, e particularmente no homem, que é sua expressão mais completa e significativa, passa de parcial e quase extrínseca a uma intimidade cada vez maior, a uma profundidade que se torna comunhão total, no fim dos tempos, em Cristo e na Igreja.

 

 

A Igreja, cidade nova

 

A novidade desta situação está ligada à páscoa do Cristo, êxodo definitivo, com o qual ele venceu o mar (símbolo muito frequente das forças do mal). A Igreja, purificada pelo sofrimento, encontra uma felicidade sem sombras na perfeita comunhão com Deus-esposo. Não devemos crer que isto esteja planejado para depois dos tempos, num místico futuro idealizado; de fato, a nova Jerusalém do céu coexiste com a da terra, pois a vida de ambas é a mesma realidade: o amor, o de Deus por nós em Cristo, o fraterno e o amor por Deus, em Cristo (evangelho). A glória de Cristo, ligada à sua obediência ao Pai é partilhada por aqueles que obedecem ao mesmo mandamento de amar a Deus e ao próximo até o sacrifício de si. Esta é, pois, a cidade e a sua lei: a novidade anunciada já está presente na comunidade cristã, amada por Deus e a ele totalmente doada.

 

Um mundo a construir com Deus

 

Céus novos e terra nova são hoje a aspiração que faz bater o coração de todos os homens empenhados em superar a atual ordem social, tão cheia de injustiças e explorações. "Eis que faço novas todas as coisas” é a grande esperança cristã: um mundo novo.

 

Mas não é o homem com seu esforço solitário que construirá este mundo novo. E o homem junto com Deus, em colaboração com Deus. Todos os humanismos que julgam poder dispensar Deus estão destinados a um amargo fracasso. O esforço prometeico do homem de querer erguer-se sozinho contra Deus, considerado como um rival de dimensões humanas, um antagonista que limita os horizontes do homem e de sua autonomia, esse esforço se encerra numa trágica confissão de impotência.

 

Nessa construção de um mundo novo, de uma humanidade nova, algumas teorias políticas apoiam-se unicamente na luta que com muita frequência se mistura com ódio e agressividade violenta.

 

O cristão sabe, diz o documento sinodal A Justiça no Mundo, “que existem na história fontes de desenvolvimento que não são as da luta, mas as do amor e do direito”. O centro propulsor da história não é a luta e a violência, mas o amor. Fora do amor, desta força original cristã e que o cristão hoje deve defender para não ceder a outras sugestões, nada mais resta que o ódio e a violência, com sua carga de ruínas e destruições.

 

Vanguardas fracassadas?

 

Parece que o plano de libertação evangélica, confiado aos cristãos, neles encontra, às vezes, lentidão e obstáculos e termina por realizar-se sem sua contribuição. Nem sempre temos sido os primeiros a nos unirmos aos que combatem pela defesa e a libertação do homem. E agora devemos reconhecer que muitos dos que empreenderam a luta antes de nós, embora com suas ambiguidades, mesmo graves, estão na linha daquela libertação proclamada pelo evangelho, sem excluir ninguém, mas incluindo todos os homens de boa vontade. Muito frequentemente temos sido vanguardas fracassadas, distantes da onda da história; temos muito frequentemente permitido que esta onda vivificante se transforme em água estagnada. Deus não faz discriminações.

 

Esta é a base do nosso dialogo e do nosso compromisso com todos os que trabalham pela libertação do homem.

 

Talvez nos tenhamos esquecido muitas vezes dos Santos que, ao contrário, estiveram na linha de frente em toda iniciativa de libertação, e não só nos séculos passados, mas especialmente em nossos tempos. [Missal Dominical, ©Paulus, 1995]

 

Apesar de todo o sofrimento que vivenciou, Maria tornou-se uma mulher vitoriosa e feliz. Nós a chamamos de bendita e bendizemos também a seu Filho, Jesus, que num gesto de amor, fez com que ela se tornasse mãe de todos nós (Jo 19, 25-27).