Domingo, 1º de agosto de 2010

18º Do Tempo Comum (Ano “C”), 2ª Semana do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Verde

 

 

Hoje: Dia Mundial da Amamentação e dia do Selo Postal Brasileiro e Dia das Vocações Sacerdotais

 

Santos: Afonso Maria de Ligório, Esperança, Caridade, Félix (Gerona, Espanha, séc. III), Etelvoldo (Inglaterra, 984), Macabeus, e Eymard

 

Antífona: Meu Deus, vinde libertar-me, apressai-vos, Senhor, em socorrer-me. Vós sois o meu socorro e o meu libertador; Senhor, na tardeis mais. (Sl 69, 2.6)

 

Oração: Manifestai, ó Deus, vossa inesgotável bondade para com os filhos e filhas que vos imploram e se gloriam de vos ter como criador e guia, restaurando para eles a vossa criação e conservando-a renovada. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

 

I Leitura: Eclesiastes (Ecl 1, 2; 2,21-23)
 Moisés entristecido pela revolta do povo

 

2”Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade". 2,21Por exemplo, um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça. 22De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? 23Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade. Palavra do Senhor!

 

Uma das paixões mais difíceis de dominar é o amor do dinheiro. A temperança ajuda

A vencê-la (Eclo 31,1-11; Pr 10,2; 11,4; Jr 17,11; Mt 6,24; 19,21-26; Lc 16,9-24).

 

 

Salmo: 89 (90), 3-4.5-6.12-13.14 e 17 (+.1)
Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós

 

Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: "Voltai ao pó, filhos de Adão!" Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.

 

Eles passam como o sono da manhã, são iguais à erva verde pelos campos: de manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!

 

Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Torna fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.

 

 

 

Na mesma linha que a primeira leitura, o salmo responsorial sublinha a precariedade da vida.

 

 

II Leitura: Colossenses  (Cl 3, 1-5.9-11)
 Vida nova em Jesus Cristo

 

Irmãos, 1se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; 2aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. 4Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória.

 

5Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. 9Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir 10e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu criador, em ordem ao conhecimento. 11Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos. Palavra do Senhor!

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 12, 13-21)
Parábola do homem rico

 

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo". 14Jesus respondeu: "Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?" 15E disse-lhes: "Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens".

 

16E contou-lhes uma parábola: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo. O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita'. 18Então resolveu: 'Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!' 20Mas Deus lhe disse: 'Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?' 21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus". Palavra da Salvação!

 

O dinheiro, uma falsa segurança

 

 

Uma das necessidades fundamentais do homem é a segurança. Ele procura, apaixonada e necessariamente, um fundamento estável onde apoiar sua existência. Ora, um movimento tão antigo quanto o homem é o dos que escolhem, como pedra fundamental da própria vida, as coisas, o dinheiro.

 

Quando o dinheiro se torna deus

 

O dinheiro é tudo, dizem eles. O dinheiro é poder, é o poder. Sem dinheiro nada se pode fazer. O dinheiro dá ao homem a segurança, a possibilidade de fazer tudo. Desencadeia-se então o mecanismo da acumulação; o dinheiro nunca é demais, torna-se idolatria. Quando o dinheiro se torna o próprio deus, está-se disposto a tudo para obtê-lo.

 

À sede do dinheiro opõe o homem ao homem. Se cada um procura ter mais, o outro se torna concorrente a superar ou a eliminar. À repartição da herança sempre foi um momento difícil para as famílias. É quase impossível fazer as partes iguais. E a divisão da herança causa a divisão da família.

 

O dinheiro é fonte de todas as hierarquias sociais, de todas as discriminações; quem tem mais, está mais elevado; os homens não são mais iguais, distinguem-se conforme o que têm.

 

O homem do dinheiro se torna homem "sozinho", homem alienado, escravo. O dinheiro se transforma em prisão. O homem do dinheiro é o homem velho.

 

Cristo não escolheu o caminho do poder para fazer justiça

 

O problema da divisão da riqueza é um dos mais graves em todos os níveis. Como intervém Cristo nesta situação? Por que Cristo se recusa a ser juiz entre os dois? Porque sua missão não é fazer justiça pelo caminho do poder. O poder se justifica moralmente quando se põe a serviço da justiça. Cristo não o condena enquanto poder. Só que o poder não é o caminho que ele escolheu para "fazer justiça".

 

Cristo retoma, acima de tudo, o ensinamento da sabedoria humana, já expresso no Antigo Testamento, traduzindo-o na parábola do rico insensato (Lc 12,16-21). As coisas são uma falsa segurança. A posse, é em realidade, ilusória; o rico é possuído pelas coisas, não as possui. A morte revela com evidência esta verdade. A meditação da morte liberta o homem de uma ilusão, uma primeira libertação das coisas.

 

As coisas se tornam sinais de comunhão

 

Não é, porém, uma libertação de tipo moralista. Jesus não quer inculcar nos seus ouvintes abastados o temor de uma morte repentina e individual, que desvaneceria suas esperanças. Na verdade, tem-se aqui uma visão escatológica da morte, relacionada com o juízo de Deus.

 

O único fundamento seguro da existência é Deus. Nele adquire sentido o uso das coisas, boas em si. Não serão mais instrumento de divisão, mas de comunhão. O homem não as guarda egoisticamente para si, mas as transforma em "sinal" de amor.

 

"Deus destinou a terra, com tudo que ela contém, para o uso de todos os homens e povos, de tal modo que os bens criados devem bastar a todos, com equidade, sob as regras da justiça, inseparável da caridade. Sejam quais forem as formas de propriedade, adaptadas às legítimas instituições dos povos, segundo circunstâncias diversas e mutáveis, deve-se atender sempre a esta destinação universal dos bens" (GS 69). [MISSAL DOMINICAL, Missal da Assembleia Cristã, ©Paulus, 1995]

 

 

A riqueza nas Sagradas Escrituras

A riqueza no AT é considerada como um bem relativo. Era apreciada porque dava prestígio e poder e era um dom dado por Deus aos homens justos e sábios (Pr 8,18; 10,22; 22,4; Jó 1,1-3; 42,10-17). Mas o homem pode adquiri-la pelo próprio esforço (Pr 10,5; 13,11; Eclo 11,18); por isso ela é fonte de orgulho (Jó 31,25; Pr 11,28) e torna difícil a convivência com o rico (cf. Eclo 13,1-24 e nota). A riqueza torna-se perigosa quando adquirida por meios injustos (Pr 28,6.22; 30,7-9) e causa muito sofrimento aos pobres (Am 2,6s; 4,1-3; 8,4-6; Mq 2,1s). O rico deve lembrar-se de que a riqueza é passageira, pois com a morte perde tudo (Pr 11,4; 23,4s; Eclo 11,19s).

 

No NT Jesus tomou posição frente à riqueza (Mc 10,17-31; Lc 12,13-24; 18,24s). Ela é um dom de Deus, mas pode causar decepções (Ecl 5,9–6,6; Mt 13,22) e colocar em perigo a salvação do homem (6,19.24; 19,24). Jesus condenava a avareza (Lc 12,13-15) e exige dos que o querem seguir mais de perto a renúncia a todos os bens (Mt 19,18-30). As riquezas devem servir para ajudar os pobres (Dt 15,7s; Tb 4,8s; Eclo 29,1-13; Lc 16,9; 12,33; 2Cor 8–9; 1Tm 6,17-19; Gl 2,10; 1Jo 3,17). Ver “Pobre”.

 

Vocação sacerdotal

 

O padre é alguém escolhido por meio do povo e consagrado a Deus para o serviço deste mesmo povo nas coisas que se referem a Deus e a construção do Reino de Deus na Comunidade. Seu papel é continuar a missão de Jesus Cristo, o único e eterno sacerdote. O padre é o representante de Deus junto ao povo e do povo junto a Deus.