Domingo, 1º de fevereiro de 2009
Quarto do Tempo Comum, Ano B, 4ª Semana do Saltério (Livro III), cor litúrgica verde
Salvai-nos, Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo par que
celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor (Sl 105,47)
Santos do Dia: Artêmio de Clermont (bispo), Urbano, Prilidiano e Epolônio (mártires de Antioquia), Bertrando de Saint Quentin (abade), Exuperâncio de Cingoli (bispo), Feliciano de Foligno (bispo) e Messalina (virgem), (mártires), Macedônio Critófago (eremita de Antioquia), Mardônio, Musônio, Eugênio e Metélio (mártires de Neocesaréia de Mauritânia), Surano de Sora (abade), Zâmio de Bolonha (bispo), Felix O'Dullany (bispo, bem-aventurado), João Grove (mártir, bem-aventurado), Marcolino de Forli (dominicano, bem-aventurado), São Vicente Pallotti, William da Irlanda (jesuíta, mártir, bem-aventurado)
Oração: Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
A liturgia do dia: A liturgia deste domingo garante-nos que Deus não se conforma com os projetos de egoísmo e de morte que desfeiam o mundo e que escravizam os homens e afirma que Ele encontra formas de vir ao encontro dos seus filhos para lhes propor um projeto de liberdade e de vida plena. (Dehonianos)
I Leitura: Deuteronômio (Dt 18, 15-20)
Farei surgir um profeta e porei em sua boca as minhas palavras
Moisés falou ao povo dizendo: 15”O Senhor teu Deus fará surgir para ti, da tua nação e do meio de teus irmãos, um profeta como eu: a ele deverás escutar. 16Foi exatamente o que pediste ao Senhor teu Deus, no monte Horeb, quando todo o povo estava reunido, dizendo: ´Não quero mais escutar a voz do Senhor meu Deus, nem ver este grande fogo, para não acabar morrendo´.
17Então o Senhor me disse: Está bem o que disseram. 18Farei surgir para eles, do meio de seus irmãos, um profeta semelhante a ti. Porei em sua boca as minhas palavras que ele comunicará tudo o que lhe mandar. 19Eu mesmo pedirei contas a quem não escutar as minhas palavras que ele pronunciar em meu nome. 20Mas o profeta que tiver a ousadia de dizer em meu nome alguma coisa que não lhe mandei ou se falar em nome de outros deuses, esse profeta deverá morrer´”. Palavra do Senhor!
Salmo:
94(95), 1-2.6-7.8-9 (+ 8)
Não fecheis o coração; ouvi, hoje, a voz de Deus! (+8)[1]
1Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o rochedo que nos salva! 2Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos!
6Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! 7Porque ele' é o nosso Deus, nosso pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão.
8Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: "Não fecheis os corações como em Meriba, 9como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras".
II Leitura: 1ª Carta de S.Paulo aos Coríntios (1Cor
7, 32-35)
A jovem solteira se ocupa com as coisas do Senhor, para ser
santa
Irmãos: 32Eu gostaria que estivésseis livres de preocupações. O homem não casado é solícito pelas coisas do Senhor e procura agradar ao Senhor. 33O casado preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar à sua mulher. 34e, assim, está dividido. Do mesmo modo, a mulher não casada e a jovem solteira têm zelo pelas coisas do Senhor e procuram ser santas de corpo e espírito. Mas a que se casou preocupa-se com as coisas do mundo e procura agradar ao seu marido. 35Digo isto para o vosso próprio bem e não para vos armar um laço. O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo junto ao Senhor, sem outras preocupações. Palavra do Senhor!
Evangelho:
Marcos (Mc 1, 21b-28)
Jesus ensina em Cafarnaum e cura um possesso
21bEstando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da lei.
23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24"Que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus". 25Jesus o intimou: "Cala-te e sai dele!" 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um ensinamento novo dado com autoridade: Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!" 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galiléia. Palavra da Salvação!
Profeta, personagem incômodo [2]
A primeira e a terceira leituras se interpelam e se completam, assim como a promessa exige o dom, e a espera invoca a vinda. Objeto da promessa da espera é o grande profeta que Deus suscitará como um segundo Moisés. A história da salvação é história de Deus que fala com seu povo; nesta história o profetismo se mostra como uma das linhas de força que percorrem toda a existência de Israel como povo, caracterizam sua experiência religiosa desde o tempo de Moisés.
Suscitarei um profeta no meio deles
O profeta não é antes de tudo aquele que prega ou revela um acontecimento futuro. É,. Em primeiro lugar, um mediador do Absoluto, portador fiel da palavra de Deus. P profetismo se insere neste contexto de necessidade da palavra de Deus e se caracteriza como ponto de encontro do homem com a verdade e a vontade de Deus. Com muita freqüência, o profeta denuncia as faltas que se cometem contra a Lei, embora haja uma observância da letra: ele luta contra os hábitos vazios de um passado que se torna confuso com suas mortas observâncias. Condena o culto exterior e os sacrifícios que ocultam a hipocrisia e a injustiça.
O profeta é constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar” (Jr 1, 10). Por isso, seu impacto com o povo é muito mais freqüentemente um desencontro que um encontro. A lei era, para o judeu, lugar privilegiado de encontro com a vontade de Deus, mas acarretava o risco de uma observância literal, jurídica, sem alma nem coração. O encontro entre o profeta e o povo de Deus, se dá exatamente no terreno da lei. Profetismo e Lei (instituições, tradições e culto) não exprimem duas opões ou dois conteúdos divergentes; trata-se de funções distintas, setores que não são isolados entre si.
Há também falsos profetas (1ª leitura), há pessoas que pensam ser portadoras da palavra de Deus, quando são apenas eco de palavras humanas.
Jesus é apresentado no evangelho não só como aquele que fecha historicamente s série dos profetas antigos, mas como o que vem cumprir as promessas, aquele em quem se revela e se realiza o plano de Deus sobre a humanidade. Não se limita, como os escribas e fariseus, a repetir e recordar a palavra de Deus; “ensina com alguém que tem autoridade” e acompanha suas palavras com o poder dos milagres. A cura do endemoninhado torna-se sinal profético em alto, da vinda do reino de Deus, do início do novo povo.
Profetas e comunidades proféticas na Igreja
Ainda existem profetas hoje? Qual é o seu papel na Igreja? Com que sinal se apresentam? A visão da história humana, segundo alógica de Deus, nos é dada pela palavra que ele confiou à comunidade dos homens. Essa palavra não está sepultada num livro; vive numa comunidade; ou melhor, constrói a comunidade, e esta, relendo e atualizando a palavra, a enriquece e aprofunda.
A denúncia profética
A função do profeta é primariamente “crítica”. A Igreja, como realidade humana, está sujeita à tentação de se instalar sobre as conquistas feitas, ou de se conformar em lamentar-se pelos equilíbrios perdidos. A tentação de dar às instituições, às expressões religiosas, o caráter de coisa definitiva e de absoluto, existe a cada passo em seu caminho. É fácil considerar adquirido para sempre o que é só um momento da história. A comunidade cristã em necessidade de denúncia crítica, precisamente quando pensa ser já testemunha transparente da comunhão de Deus.
A denúncia profética não é iniciativa da Igreja, mas do Espírito Santo. Os profetas surgem onde menos e quando menos os esperamos. O Espírito suscita os profetas também para além dos limites sociológicos da Igreja. Todo homem, toda comunidade humana pode tornar-se profecia.
Não existe só uma profecia dentro da Igreja; a própria comunidade cristã é “profecia” diante de toda a comunidade humana: fonte de crítica contra toda absolutização, ideologia desumanizante ou poder opressor. Denúncia de racismo, exploração econômica, falta de respeito à vida. Tudo isto pressupõe uma comunidade em contínua revisão de sua fidelidade à mensagem, para que sua profecia não seja alienante contratestemunho.