Domingo, 1º de janeiro de 2012

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, 2ª Semana do Saltério, Livro I, cor Branca

 

 

Hoje: Dia Mundial da Paz, Dia da Fraternidade Universal, Dia do Município, Dia do Mercosul.

 

Santos: Basílio d’Aix-en-Provence (bispo), Claro de Saint-Marcel (abade), Concórdio de Spoleto (presbítero, mártir), Eugênio de Condat (abade), Eufrosina (virgem, mártir), Félix de Bourges (bispo), Fulgêncio de Ruspe (monge, bispo), Guilherme de Dijon (abade), José Maria Tommasi (cardeal), Justino de Chieti (bispo), Odilo de Cluny (abade), Pedro de Atroa (abade), Telêmaco (monge, mártir em Roma), Vicente Strambi (bispo de Macerata e Tolentino), Adalberto de Liége (bispo, bem-aventurado), Hugolino de Gualdo (eremita, bem-aventurado), Zedislava Berka (mãe de família, bem-aventurada).

 

Antífona: Salve, ó santa mãe de Deus, vós destes à luz o rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos. (Sedúlio[1])

 

Oração: Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com a sua intercessão, pois ela nos trouxe o autor da vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

I Leitura: Números (Nm 6, 22-27)

Bênção de Deus a seu povo

 

22O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23"Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24´O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! 26O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!' 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei". Palavra do Senhor!

 

Leitura paralela: Salmo 67 (bênção precatória). O que aqui era pronunciado pelos sacerdotes aaronitas, no Sl 67 se usa o plural coletivo “nós”.  Os versículos de 24 a 26 são conhecidos também como Bênção de São Francisco de Assis.

 

 

Comentando a I Leitura

Só Deus pode realmente abençoar

A 1ª leitura é a bênção do sacerdote de Israel sobre o povo. Na manhã da criação, Deus abençoou os seres humanos e os animais, dando-lhes alimento e força de vida (Gn 1,28-30). A bênção de Deus é um augúrio de paz para a natureza e o ser humano. Para quem se coloca diante dessa bênção, Deus deixa brilhar “a luz de sua face”, sua graciosa presença. Só Deus pode realmente abençoar, benzer, “dizer bem”; os humanos abençoam invocando o nome de Deus. Em continuidade com este pensamento, o salmo responsorial expressa um pedido de bênção (Sl 67[66],2-3.5-6.8). [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral n.282, Paulus]

 

 

Salmo: 67(66), 2-3.5.6 e 8 (R/.2a)
Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção

 

2Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, e sua face resplandeça sobre nós! 3Que na terra se conheça o seu caminho e a sua salvação por entre os povos.

 

5Exulte de alegria a terra inteira, pois julgais o universo com justiça; os povos governais com retidão, e guiais, em toda a terra, as nações.

 

6Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, que todas as nações vos glorifiquem! 8Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, e o respeitem os confins de toda a terra!

 

II Leitura: Carta de S. Paulo aos Gálatas (Gl 4, 4-7)

O filho de Deus, nascido de uma mulher

 

Irmãos, 4quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, 5a fim de resgatar os que eram sujeitos à lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abbá - ó Pai! 7Assim já não és escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus. Palavra do Senhor!

 

Comentando a II Leitura

Cristo veio para nos tornar livres

 

A 2ª leitura é tomada da carta de Paulo aos Gálatas, que é a “Carta” (no sentido de documento) da liberdade cristã. Cristo veio para nos tornar livres (Gl 5,1). “Nascido de mulher, nascido sob a Lei” (Gl 4,4), viveu entre nós sob o regime passageiro que vigorava no Antigo Testamento. Vivendo conosco sob o regime da Lei, ensinou-nos a perceber e interpretar a Lei como dom do Pai e não como escravidão, à diferença dos contemporâneos de Paulo. Estes queriam impô-la como um jugo aos cristãos da Galácia, que nem sequer eram judeus de origem. Já não somos escravos, diz Paulo, mas filhos; portanto, livres. O Filho de Deus tornou-se nosso irmão, nele temos o Espírito que, em nosso coração, ora: “Abba, Pai” (4,6 – provavelmente uma alusão ao pai-nosso rezado nas comunidades, cf. Mt 6,9-13; Lc 11,2-4).

 

Comemorando a vinda de Cristo, pensamos especialmente na “mulher” que o integrou em nossa comunidade (Gl 4,4). “Nascido de mulher” é uma maneira bíblica para designar o ser humano (cf. Mt 11,11; Lc 7,28). [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral n.282, Paulus]

 

 

Evangelho: Lucas (Lc 2, 16-21)

Jesus, filho de Maria

 

Naquele tempo, 16Os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19Quanto a Maria, guardava todos estes fatos e meditava sobre eles em seu coração. 20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido. Palavra da Salvação!

 

Leitura paralela: Mt 1, 18-25

 

 

Comentando o Evangelho

Jesus é o salvador enviado por Deus à humanidade

O evangelho de hoje menciona dois temas: a adoração dos pastores junto ao presépio de Belém e a circuncisão de Jesus no oitavo dia, acompanhada da imposição de seu nome. O primeiro tema já foi focalizado no evangelho da missa da aurora no Natal, e na mesma linha podemos destacar, na festa da Mãe de Deus, que “Maria guardava todos estes fatos e meditava sobre eles no seu coração”.

 

Nossa atenção, porém, vai para o segundo tema, a circuncisão com a imposição do nome, que se harmoniza com o da 2ª leitura. Jesus sujeita-se à antiga Lei (cf. 2ª leitura) e recebe o nome dado pelo anjo, ou seja, por Deus mesmo (Lc 1,31-33; Mt 1,21; cf. Hb 1,4-5): “O Senhor salva”. Jesus é o salvador enviado por Deus à humanidade. [Pe. Johan Konings, sj, Vida Pastoral n.282, Paulus]

 

Palavra se faz oração (Missal Dominical)

Pela paz, bênção de Deus, para que os cristãos se empenhem em realizá-la juntamente com todos os homens de boa vontade, rezemos ao Senhor: Abençoai o vosso povo, Senhor!

Pelas comunidades cristãs, para que, no novo ano que começa, cresçam na inteligência da fé, na coragem em denunciar todo atentado contra o home, filho de Deus, na ação eficaz pela libertação dos irmãos, rezemos ao Senhor.

Pelos recém-nascidos e por suas famílias, para que sintam a proteção de Maria, Mãe de Deus, rezemos ao Senhor.

Pela nossa comunidade, para que a eucaristia nos dê alegria e paz, força nas provações, abertura e disponibilidade no acolhimento fraterno, rezemos ao Senhor.

(Outras intenções)

 

 

Oração sobre as Oferendas:

Ó Deus, que levais à perfeição os vossos dons, concedei aos vossos filhos, na festa da Mãe de Deus, que, alegrando-se as primícias da vossa graça, possam alcançar a sua plenitude. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Jesus Cristo ontem e hoje, e por toda a eternidade. (Hb 13,8)

 

Depois da Comunhão:

Ó Deus de bondade, cheios de júbilo, recebemos os sacramentos celestes; concedei que eles nos conduzam à vida eterna, a nós que proclamamos a Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

Maria dá ao mundo Cristo, nossa paz

 

Na oitava do Natal se celebra a festa de "Maria, Mãe de Deus". Na verdade, as leituras bíblicas põem a tônica no "filho de Maria" e no "Nome do Senhor", mais do que em Maria.

 

De fato, a antiga "bênção sacerdotal" é ritmada pelo nome do Senhor, repetido no início de cada versículo (1ª leitura); o texto de são Paulo acentua a obra de libertação e salvação realizada por Cristo, na qual é engastada a figura de Maria, graças à qual o Filho de Deus pôde vir ao mundo como verdadeiro homem (2ª leitura); o evangelho termina com a imposição do nome de Jesus, enquanto Maria participa em silêncio do mistério deste filho nascido de Deus.

 

Essa atenção preponderante sobre o "Filho" não reduz o papel da Mãe; Maria é totalmente Mãe porque esteve em total relação com Cristo; por isso, honrando-a, o Filho é mais glorificado.

 

Quanto ao titulo de Mãe de Deus, exprime a missão de Maria na história da salvação, que está na base do culto e da devoção do povo cristão, uma vez que Maria não recebeu o dom de Deus só para si, mas para levá-lo ao mundo.

 

Mãe de Deus - Mãe do homem

O significado etimológico do nome Jesus, "Deus salva", nos introduz de cheio no mistério do Cristo: da encarnação ao nascimento, à circuncisão, até a realização pascal da morte-ressurreição, Jesus é em todo o seu ser a perfeita bênção de Deus, e dom de salvação e de paz para todos os homens; em seu nome somos salvos (cf At 2,21; Rm 10,13). Ora, essa oferta de salvação vem por Maria e ela a apresenta ao povo de Deus, como outrora aos pastores. Maria, que deu a vida ao Filho de Deus, continua a apresentar aos homens a vida divina. É, por isso, considerada mãe de cada homem que nasce para a vida de Deus, e mãe de todos. Com os orientais, também nós honramos "Maria sempre Virgem, solenemente proclamada santíssima Mãe de Deus pelo Concílio de Éfeso, para que Cristo fosse reconhecido, em sentido verdadeiro e próprio, Filho de Deus e Filho do homem".

 

Mensageiro da paz evangélica

É em nome de Maria, mãe de Deus e mãe dos homens, que hoje se celebra no mundo inteiro o "dia da paz"; aquela paz que Maria, uma de nós, encontrou no abraço infinito do amor divino; aquela paz que Jesus veio trazer aos homens que creram no amor. Em sentido bíblico, a paz é o dom messiânico por excelência, é a salvação trazida por Jesus, é a nossa reconciliação e pacificação com Deus. É também um valor humano a ser realizado no plano social e político, mas lança suas raízes no mistério de Cristo.

 

A fé em Cristo, paz entre Deus e os homens e paz entre os homens mutuamente, mostra-se claramente na parte que toma o cristão nos esforços da humanidade pela paz do mundo. A paz de Cristo não é diferente da paz do homem; é simplesmente "a paz", e merece que se dedique a vida para buscá-la e obtê-la.

 

O Magistério da Igreja sempre procurou atrair a atenção para a premente necessidade de fazer da paz uma dimensão efetiva da realidade. Tem pregado verdadeiramente "sobre os telhados" o anúncio da sua paz, baseada na verdade, na justiça, no amor e na liberdade que são "os quatro pilares da casa da paz" aberta a todos (João XXIII, 11-4-1963). Não se pode esquecer a suave e ao mesmo tempo fortíssima voz de Paulo VI que testemunhava aos representantes de todas as nações da terra a mensagem da paz de Cristo, profundamente terrena e divina.

 

Nunca mais uns contra os outros

"E agora nossa mensagem atinge o seu vértice; o vértice negativo. Esperais de nós esta palavra, que não pode deixar de se revestir de gravidade e solenidade: nunca mais uns contra os outros, nunca, nunca mais! Foi principalmente com este objetivo que surgiu a Organização das Nações Unidas; contra a guerra e pela paz! Ouvi as claras palavras de uma grande personagem desaparecida John Kennedy, que há alguns anos proclamava: 'A humanidade deve pôr fim à guerra, ou a guerra porá fim à humanidade'. Não são necessárias muitas palavras para proclamar isto como finalidade máxima desta instituição. Basta lembrar que o sangue de milhões de homens e inúmeros e inauditos sofrimentos, inúteis e formidáveis ruínas confirmam o pacto que vos une, com um juramento que deve mudar a história futura do mundo: nunca mais a guerra, nunca mais a guerra! A paz, a paz deve guiar o destino dos povos e da humanidade toda! Se quereis ser irmãos, deixai cair as armas de vossas mãos. Não se pode amar com armas ofensivas em punho" (Paulo VI, Discurso à ONU, 4-10-1965). [MISSAL DOMINICAL, © Paulus, 1995]

 

 

 



[1] Coelius Sedulius (Celio Sedúlio), sacerdote e poeta latino do século V. Acredita-se que tenha nascido na Itália, onde estudou filosofia. É citado como presbítero por Isidro de Sevilla. É conhecido principalmente por ser o autor de Carmen Paschale, poema épico que consta de cinco livros, baseado na vida de Jesus, especialmente nos evangelhos de Mateus e Lucas.