Sábado, 21 de agosto de 2010

São Pio X (Papa e Confessor),  Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Litúrgica Branca

 

 

Hoje: Dia da Habitação

 

Santos: Pio X, Ciríaca, Humbelina, Euprépio, Privato (séc. III, mártir), Sidônio Apolinário (séc. V), Bem-Aventurada Umbelina (1136), Ahmed e Graça (irmãos de origem árabe, mártires em Valença, na Espanha).

 

Antífona: O Senhor o escolheu para a plenitude do sacerdócio e, abrindo seus tesouros, o cumulou de bens.

 

Oração: Ó Deus, que, para defender a fé católica e restaurar todas as coisas em Cristo, cumulastes o papa são Pio X de sabedoria divina e coragem apostólica, fazei-nos alcançar o prêmio eterno, dóceis às suas instruções e seus exemplos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ezequiel (Ez 43, 1-7)
A terra brilhava com sua glória

 

1O homem conduziu-me até a porta da casa do Senhor que dá para o nascente, 2e eu vi a glória do Deus de Israel, vinda do oriente; um ruído a acompanhava, semelhante ao ruído de águas caudalosas, e a terra brilhava com a sua glória.

 

3A visão era idêntica à visão que tive quando ele veio destruir a cidade, bem como à visão que tive junto ao rio Cobar; e eu caí com o rosto no chão. 4A glória do Senhor entrou no templo pela porta que dá para o nascente. 5Então o espírito raptou-me e me levou para dentro do pátio interno e eu vi que o templo ficou cheio da glória do Senhor.

 

6Ouvi alguém falando-me de dentro do templo, enquanto o homem esteve de pé junto a mim. 7Ele me disse: “Filho do homem, este é o lugar do meu trono, é o lugar em que coloco a planta dos meus pés, o lugar onde habitarei para sempre no meio dos israelitas”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A glória do senhor entrou no templo

 

A restauração do povo de Deus está prestes a se realizar. Deus se manifesta entre os exilados, porque lá estão aqueles que viverão o acontecimento, e de lá Deus retorna gloriosamente ao “templo” renovado, purificado, espiritual (cf Ez 40). Esse novo templo é símbolo da nova comunidade de Israel e do culto espiritual, profundo que é fidelidade e obras de justiça (Ez 11,14-20). O templo verá a "glória", ou seja, a "presença" de Deus. Essa volta de Deus é descrita com elementos cósmicos, como numa nova criação; tudo tende à restauração messiânica, ao "culto em espírito e verdade" (Jo 4,21-24), em que o verdadeiro "templo" será Cristo (Jo 2,18-22), "cheio de graça e de verdade", do qual brotam "rios de água viva" (Jo 1,14; 7,37; 4,10-14; 19,34), e será templo eterno (Ap 21,22; cf Ez 11,16). Cristo, como dom do Espírito e da Eucaristia, faz dos cristãos "o templo vivo" de Deus (1 Cor 3,16s; 6,19s; 2Cor 6,16; Ef 2,21s) no qual é liturgia o testemunho da vida.  [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 84 (85), 9ab-10.11-12.13-14 (R/.cf 10b)
A glória do Senhor habitará em nossa terra

 

Quero ouvir o que o Senhor irá falar: é a paz que ele vai anunciar; Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra.

 

A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus. 

 

O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus. 

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 23, 1-12)
Condenação do farisaísmo

 

Naquele tempo, 1Jesus falou às multidões e aos seus discípulos: 2”Os mestres da lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a lei de Moisés. 3Por isso, deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam. 4Amarram pesados fardos e os colocam nos ombros dos outros, mas eles mesmos não estão dispostos a movê-los, nem sequer com um dedo.

 

5Fazem todas as suas ações só para serem vistos pelos outros. Eles usam faixas largas, com trechos da Escritura, na testa e nos braços, e põem na roupa longas franjas.

 

6Gostam de lugar de honra nos banquetes e dos primeiros lugares nas sinagogas. 7Gostam de ser cumprimentados nas praças públicas e de serem chamados de mestre. 8Quanto a vós, nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é vosso mestre e todos vós sois irmãos.

 

9Na terra, não chameis a ninguém de pai, pois um só é vosso Pai, aquele que está nos céus. 10Não deixeis que vos chamem de guias, pois um só é o vosso guia, Cristo. 11Pelo contrário, o maior dentre vós deve ser aquele que vos serve. 12Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado”. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 12, 38-40; Lc 11, 39-52; 20, 45-47

 

 

Comentário o Evangelho

Um só é o mestre

 

Os mestres da Lei e os fariseus gozavam de grande estima no meio do povo, sendo tomados como modelo de piedade. Jesus, porém, colocou-os sob suspeita, alertando os discípulos sobre alguns aspectos da conduta deles. Sua santidade não tinha consistência, pois era apenas aparente: ensinavam uma coisa e praticavam outra.

 

Jesus não suportava este descompasso entre ensinamento e prática. Os discípulos podiam ser influenciados por este desvio de conduta, e, como líderes de comunidade, corriam o risco de repetir o esquema farisaico, impondo pesadas obrigações às pessoas, enquanto praticavam apenas as exigências mínimas. Igualmente, podiam cair na tentação do exibicionismo e da vanglória estéreis.

 

Urgia centrarem as atenções no único Mestre, Jesus, cujo modo de proceder em nada se assemelhava ao mau exemplo dos mestres da Lei e dos fariseus. Seu projeto de vida passava pelo serviço desinteressado e gratuito a todas as pessoas. Pouco lhe importava se para isso devesse sofrer humilhação e se abaixar. Suas palavras eram plenamente confiáveis por serem o parâmetro do seu agir. Antes de exigir algo de seus discípulos, ele próprio buscava colocá-lo em prática. Seu modo de viver era o modelo no qual os discípulos podiam se inspirar, com toda confiança. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: Escritos rabinos descrevem Moisés sentado numa “cátedra” para ensinar como fundador de uma tradição oral que os doutores dizem conservar e transmitir. Ora, Jesus também se senta para ensinar. Significa o ensinamento autorizado de Moisés para as gerações sucessivas. Jesus denunciava uma contradição radical, dizer e não fazer. Ele fez e ensinou, ordenou e deu exemplo. Já os fardos pesados seriam o conjunto de prescrições legais, de que os doutores da Lei eram os principais responsáveis; Jesus impõe um julgo leve. Por fim Jesus dirige palavras polêmicas aos seus. Tiago também tem uma preocupação parecida (Tg 3,1). Mestre é o Senhor e agora Jesus. A irmandade de todos na comunidade fica fortemente destacada. (cf. Bíblia do Peregrino)

 

São Pio X

 

 

Seu nome de batismo era José Melquior Sarto, oriundo de família humilde e numerosa, mas de vida no seguimento de Cristo. Nasceu numa pequena aldeia de Riese, na diocese de Treviso, no norte da Itália, no dia 2 de junho de 1835. Desde cedo, José demonstrava ser muito inteligente e, por causa disso, seus pais fizeram grande esforço para que ele estudasse. Todos os dias, durante quatro anos, o menino caminhava com os pés descalços por quilômetros a fio, tendo no bolso apenas um pedaço de pão para o almoço. E desde criança manifestou sua vontade de ser padre.


Quando seu pai faleceu, sua mãe, Margarida, uma camponesa corajosa e pia, não permitiu que ele abandonasse o caminho escolhido para auxiliar no sustento da casa. Ficou no seminário e, aos vinte e três anos, recebeu a ordenação sacerdotal com mérito nos estudos. Teve uma rápida ascensão dentro da Igreja. Primeiro, foi vice-vigário em uma pequena aldeia, depois vigário de uma importante paróquia, cônego da catedral de Treviso, bispo da diocese de Mântua, cardeal de Veneza e, após a morte do grande papa Leão XIII, foi eleito seu sucessor, com o nome de Pio X, em 1903.


No Vaticano, José Sarto continuou sua vida no rigor da simplicidade, modéstia e pobreza. Surpreendeu o mundo católico quando adotou como lema de seu pontificado "restaurar as coisas em Cristo". Tal meta traduziu-se em vigilante atenção à vida interna da Igreja. Realizou algumas renovações dentro da Igreja, criando bibliotecas eclesiásticas e efetuando reformas nos seminários. Pelo grande amor que dispensava à música sagrada, renovou-a. Reformou, também, o breviário. Sua intensa devoção à eucaristia permitiu que os fiéis pudessem receber a comunhão diária, autorizando, também, que a primeira comunhão fosse ministrada às crianças a partir dos sete anos de idade. Instituiu o ensino do catecismo em todas as paróquias e para todas as idades, como caminho para recuperar a fé, e impôs-se fortemente contra o modernismo. Outra importante característica de sua personalidade era a bondade suave e radiante que todos notavam e sentiam na sua presença.


Pio X não foi apenas um teólogo. Foi um pastor dedicado e, sobretudo, extremamente devoto, que sentia satisfação em definir-se como "um simples pároco do campo". Ficou muito amargurado quando previu a Primeira Guerra Mundial e sentiu a impotência de nada poder fazer para que ela não acontecesse. Possuindo o dom da cura, ainda em vida intercedeu em vários milagres. Consta dos relatos que as pessoas doentes que tinham contato com ele se curavam. Discorrendo sobre tal fato, ele mesmo explicava como sendo "o poder das chaves de são Pedro". Quando alguém o chamava de "padre santo", ele corrigia sorrindo: "Não se diz santo, mas Sarto", numa alusão ao seu sobrenome de família.


No dia 20 de agosto de 1914, aos setenta e nove anos, Pio X morreu. O povo, de imediato, passou a venerá-lo como um santo. Mas só em 1954 ele foi oficialmente canonizado. [www.paulinas.org.br]

 
 
Se repartires teu pão com medo, sem confiança, sem audácia, em 
dois tempos, o pão te faltará. (Dom Helder Camara)