Sexta-feira, 20 de agosto de 2010

São Bernardo (Abade e Doutor), Memória, 4ª do Saltério (Livro III), cor Branca

 

 

Santos: Beatriz da Silva, Servo, Mamede, Mamnés (274, Palestina), Miro (sacertote grego), Estrato, Felipe e Eutíquio (queimados vivos na Ásia Menor, por testemunharem sua felicidade em Cristo), Carlomano (765), Jacinto (1257), Joana Delanoue e Liberato

 

Antífona: O justo medita a sabedoria e sua palavra ensina a justiça, pois traz  no coração a lei de seu Deus. (Sl 36, 30-31)

 

Oração: Ó Deus, que fizestes do abade são Bernardo, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, por sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz . Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

Ezequiel (Ez 37, 1-14)
Deus mesmo reunirá o seu povo disperso

 

Naqueles dias, 1a mão do Senhor estava sobre mim e por seu espírito ele me levou para fora e me deixou no meio de uma planície cheia de ossos 2e me fez andar no meio deles em todas as direções.

 

Havia muitíssimos ossos na planície e estavam ressequidos. 3Ele me perguntou: “Filho do homem, será que estes ossos podem voltar à vida?” E eu respondi: “Senhor Deus, só tu o sabes”. 4E ele me disse: “Profetiza sobre estes ossos e dize: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor! 5Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eu mesmo vou fazer entrar um espírito em vós e voltareis à vida. 6Porei nervos em vós, farei crescer carne e estenderei a pele por cima.

 

Porei em vós um espírito, para que possais voltar à vida. Assim sabereis que eu sou o Senhor”. 7Profetizei como me foi ordenado. Enquanto eu profetizava, ouviu-se primeiro um rumor, e logo um estrondo, quando os ossos se aproximaram uns dos outros. 8Olhei e vi nervos e carne crescendo sobre os ossos e, por cima, a pele que se estendia. Mas não tinham nenhum sopro de vida. 

 

9Ele me disse: “Profetiza para o espírito, profetiza, filho do homem! Dirás ao espírito: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, vem soprar sobre estes mortos, para que eles possam voltar à vida”.

 

10Profetizei como me foi ordenado, e o espírito entrou neles. Eles voltaram à vida e puseram-se de pé: era uma imensa multidão! 11Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. É isto que eles dizem: ‘Nossos ossos estão secos, nossa esperança acabou, estamos perdidos!’

 

12Por isso, profetiza e dize-lhes: Assim fala o Senhor Deus: ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; 13e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor. 14Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que eu, o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor”. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor!

 

Cena grandiosa, que dramatiza o ressurgimento e restauração do povo eleito, representada por uma impressionante imaginação com sequencia de filme: realização gradual, como numa nova criação. O inesperado renascer de muitos povos após a última guerra pode dar uma idéia da visão de Ezequiel. É Deus quem intervém para realizar o que é humanamente impossível. Um povo disperso, que não tem nome nem casas, não tem culto nem templo, não tem vida social nem política, é libertado, retoma vida, organiza-se, torna-se forte. Isto é um presságio de ressurgimento para os povos e é sempre obra de Deus, embora ignorada, embora servindo-se ele de seus profetas. Quando todos se sentem Ossos secos gente cansada, descrente, desesperada, é o momento de "esperar contra toda esperança" (4,18). Deus pode realizar uma "ressurreição". A fé é assinalada pela ressurreição de Cristo e a Eucaristia nos faz participar de sua ressurreição, penhor de ressurreição eterna. [Missal Cotidiano, © Paulus, 1997]

 

 

Salmo: 106 (107), 2-3.4-5.6-7.8-9 (R/.1)
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom, porque eterna é a sua misericórdia!

 

Que o digam os libertos do Senhor, que da mão dos opressores os salvou e de todas as nações os reuniu, do oriente, ocidente, norte e sul. 

 

Uns vagavam, no deserto, extraviados, sem acharem o caminho da cidade. Sofriam fome e também sofriam sede, e sua vida ia aos poucos definhando.

 

Mas gritaram ao Senhor na aflição, e ele os libertou daquela angústia. Pelo caminho bem seguro os conduziu para chegarem à cidade onde morar.

 

Agradeçam ao Senhor por seu amor e por suas maravilhas entre os homens! Deu de beber aos que sofriam tanta sede e os famintos saciou com muitos bens! 

 

Evangelho: Mateus (Mt 22, 34-40)
O mandamento do amor

 

Naquele tempo, 34os fariseus ouviram dizer que Jesus tinha feito calar os saduceus. Então eles se reuniram em grupo, 35e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo: 36“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” 37Jesus respondeu: “‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento!’ 38Esse é o maior e o primeiro mandamento. 39O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’. 40Toda a lei e os profetas dependem desses dois mandamentos”. Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Mc 12, 28-34; Lc 10, 25-28; Jo 13, 33-35

 

 

Comentário o Evangelho

A totalidade da lei

 

Muitos rabinos recusavam-se a discutir a importância relativa de alguns mandamentos, temendo que a observância da Lei ficasse na dependência do arbítrio humano. Outros, porém, recusavam-se a colocar em pé de igualdade a infinidade de mandamentos em voga. A definição das precedências era problemática. Para resolver essa questão difícil, o mestre da Lei tentou colocar Jesus em apuros. Qualquer que fosse sua posição, sempre haveria uma escola para questioná-lo, desautorizando o seu ensinamento.


No mundo judaico, geralmente se afirmava que a observância do sábado era o mandamento principal, que resumia toda a Lei. Jesus tinha uma postura diferente: colocava o amor a Deus e ao próximo como exigência capital da Lei.

 

Naquela época, havia até quem pensasse como o Mestre. Entretanto, a novidade de Jesus consistiu em confrontar seus ouvintes não com dois preceitos legais, com força jurídica, e sim com a pessoa de Deus e a pessoa do próximo. Destes dois níveis de relação advém todas as exigências religiosas às quais as pessoas devem submeter-se. As prescrições minuciosas da Lei são desprovidas de valor, quando confrontadas com as exigências de Deus, sentidas no fundo do coração, e as do próximo, de modo especial os mais pobres e carentes de misericórdia. Portanto, toda a Lei se resume na fidelidade a Deus e ao próximo. [O EVANGELHO DO DIA. Jaldemir Vitório. ©Paulinas, 1998]

 

Para sua reflexão: A questão sobre o mandamento do amor, posta por um legista (v.35-40), faz parte das narrações de Mateus sobre os conflitos de Jesus com os seus adversários. Jesus atribui igual importância aos dois mandamentos, já conhecidos no Antigo Testamento (Lv 19, 18; Dt 6,5), e concentra neles todo o conteúdo da Lei (Mc 12, 29-33). A observância do segundo mandamento não é alternativa, mas essência: amar o próximo não substitui o amor a Deus, e vice-versa. A medida própria do amor do próximo participa da totalidade do amor de Deus: como a ti mesmo, isto é, amar na mesma medida o próximo. (Cf. Bíblia dos Capuchinhos)

 

São Bernardo Clairvaux

 

 

São Bernardo nasceu em 1090, na França, de uma família nobre. Bernardo, após a sua conversão, decidiu entrar para um mosteiro pobre. Mas não foi sozinho. Levou consigo mais trinta homens, entre irmãos, parentes e amigos. Entraram no mosteiro de Citeaux em 1112 (Bernardo tinha 22 anos). Em 1115, com 25 anos, Bernardo recebe a ordem de criar um novo mosteiro, o de Claraval. Bernardo chegou a reunir em Claraval mais de 700 monges, agrupou 160 mosteiros em torno de sua reforma, aconselhou os reis da França, transformou-se em guardião da Igreja e do papa: teve que resolver cismas e heresias, interveio na eleição dos papas, participou de concílios e proclamou a segunda cruzada. Bernardo escreveu muitas obras espirituais. É conhecido como Doutor Melífluo devido a doçura e delicadeza de seus escritos. Bernardo faleceu em 1153 com 63 anos, na sua própria cela

 

Nossa alma é, ao mesmo tempo serva e livre; serva pelo próprio fato de ser livre. (S. Bernardo)