Domingo, 12 de dezembro de 2010

Terceiro do Advento, Ano “A” 2ª Semana do Saltério (Livro I), cor Litúrgica Roxa ou Rósea

 

Hoje: Dia do Deficiente Visual, dia do Marinheiro e dia do Lapidador

 

Santos: Alberto de Cambrai-Arras (bispo), Antíoco de Sulcis (mártir), Arsênio de Monte Latro (monge), Columba de Terryglass (abade), Edburga de Thanet (virgem), Eustrácio, Auxêncio, Eugênio e Companheiros (mártires), Judoco de Piccardy (presbítero), Odila de Hohenbourg (abadessa), Pôncio de Belley (bispo), Ursicino de Cahors (bispo), Aldobrandino Ammanati (bem-aventurado), Antônio da Armênia (mártir, bem-aventurado), Antônio Grassi (bem-aventurado), Bartolomea de Sena (bem-aventurada), João Marinônio (presbítero, bem-aventurado).

 

Antífona: Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto (Fl 4, 4-5)

 

Oração: Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, daí chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

 

 

1ª Leitura: Isaias (Is 35, 1-6a.10)
É o próprio Deus que vem para vos salvar

 

1Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor a majestade do nosso Deus.

 

3Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4Dizei às pessoas deprimidas: "Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar". 5Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6aO coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. 10Os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto. Palavra do Senhor!

 

 

Comentando a I Leitura

A esperança é a força para a caminhada

 

O povo estava no cativeiro. Os inimigos tinham vazado os olhos de alguns, outros estavam mutilados, todos desiludidos e desanimados. O profeta canta de maneira espetacular a esperança de saída do cativeiro e retorno para a própria terra. Será para nós símbolo de uma esperança maior.

 

O caminho da volta é o deserto, tal como o caminho da escravidão do Egito até a Terra Prometida. É um novo êxodo. O caminho é o deserto, mas a certeza da esperança faz do deserto um jardim.

 

A esperança é a força para a caminhada: nada de braços cansados ou joelhos cambaleantes, nada de medo, coragem! É Deus que vem para salvar! Se o caminho da liberdade e da vida é difícil, é um deserto, a certeza de que a salvação vem de Deus dá força e coragem e transforma o deserto em jardim.

 

Aí já não haverá cego, surdo, mudo ou pessoas com deficiência física. Estas não apenas vão andar por si: vão pular como cabritos; os mudos vão soltar a voz e cantar um hino. Acabou a cegueira, a mudez, a surdez, a invalidez a que eram submetidos no cativeiro; a libertação que chega faz a todos videntes, ouvintes, falantes, caminhantes, até saltitantes e agentes. Deixam de ser objetos, tornam-se sujeitos, senhores de si. Vivam! [Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus]

 

 

 

Salmo: 145 (146), 7. 8-9a. 9bc-10 (R/. cf. Is 35, 4 ) 
Vinde, Senhor, para salvador o vosso povo!

 

 

7O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos.

 

8O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo, 9aé o Senhor que protege o estrangeiro.

 

9bEle ampara a viúva e o órfão, 9cmas confunde os caminhos dos maus. 10O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará. 

 

 

 

II Leitura: Carta de Tiago (Tg 5, 7-10)
Ficai firmes até a vinda do Senhor

 


Irmãos, 7ficai firmes até a vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera.  8Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. 9Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. 10Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor. Palavra do Senhor! 

 

 

Comentando a II Leitura

A vinda do Senhor, certeza da vitória da justiça

 

Depois de fazer fortes ameaças aos ricos (vv. 1-6), o escrito de Tiago parece se dirigir aos pobres. Para a gente sofrida e cansada, ele fala de esperança, paciência e resistência, confiantes na vinda do Senhor, juiz justo.

 

A comparação com o agricultor é clara. A certeza do agricultor de que a semente lançada na terra vai produzir frutos é que lhe dá segurança de esperar até o dia da colheita. A natureza não dá saltos, já dizia o antigo ditado, e o agricultor sabe bem disso: por isso, espera tranquilo e seguro.

 

A expectativa próxima da vinda do Senhor, justo juiz, significa a certeza da vitória da justiça, por mais que demore e por mais que a injustiça pareça prevalecer. Isso leva ao comportamento mais moderado e maduro de quem não se queixa dos outros, atribuindo-lhes os próprios males, mas aguarda seguro o verdadeiro juiz, que está às portas. [Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus]

 

 

Evangelho: Mateus (Mt 11, 2-11)
És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?

 

Naquele tempo, 2João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: 3"És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?" 4Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!"  

 

7Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões, sobre João: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'.  

 

11Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele". Palavra da Salvação!

 

Leituras paralelas: Lc 7, 18-23

 

 

Comentando o Evangelho

“Felizes os que não se escandalizam comigo!”

João Batista tinha dito, no texto lido domingo passado, que depois dele viria um mais forte que ele, pronto para cortar e queimar as árvores que não estivessem produzindo e para abanar o cereal, guardar os grãos no celeiro e pôr a palha para queimar. Seria o juiz definitivo e implacável.

 

O que João ouviu falar de Jesus, entretanto, parece não corresponder exatamente a essa ideia de juiz rigoroso. Donde o sentido da pergunta que ele manda fazer a Jesus: é você mesmo ou virá outro para o julgamento definitivo?

 

João ouviu falar das curas, sem dúvida, e da compaixão de Jesus pelas pessoas, também pelos pecadores. A resposta de Jesus aponta para esses sinais. Ele primeiro veio salvar, libertar. As curas são sinais da solidariedade com os sofredores e do mais importante de sua missão: abrir os olhos a todos os cegos, mesmo aos que tenham olhos perfeitos; abrir os ouvidos a todos os surdos, mesmo aos que tenham ouvidos perfeitos; fazer andar e agir os inválidos, mesmo os que têm mãos, pés e pernas perfeitos; purificar todos os leprosos, tirar da exclusão social todos os “sujos” postos à margem; enfim, dar vida a todos os que vivem mortos.

 

Tudo isso se resume numa palavra: anun-ciar a boa-nova aos pobres. Alguém per-gun-tou certa vez por que se fala tanto em evangelizar os pobres, já que eles geralmente estão mais perto da fé do que os ricos. É que “evangelizar” significa levar boa notícia. E que melhor boa notícia há do que fazer os oprimidos ver, ouvir e agir, algo proibido na sua atual situação?

 

Muitos não gostam disso, de dizer que a missão de Jesus é levar boa notícia aos pobres, levar esperança e força aos que são o refugo da sociedade, abrir os olhos, os ouvidos, a boca aos que são proibidos de fazê-lo. Muitos se escandalizam com a afirmação de que Jesus veio para libertar os oprimidos. Mas Jesus termina: “Felizes os que não se escandalizam comigo!”

 

Depois que os discípulos de João se afastam, Jesus se dirige ao povo para falar de João. Pergunta inicialmente o que foram ver no deserto e responde: não foram ver um bambu agitado pelo vento, de um lado para o outro, nem alguém vestido com roupas finas. No deserto estava um profeta, mais do que um profeta, aquele que abre os caminhos.

 

“No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Reino dos céus é o mesmo que reino de Deus, conforme está no texto paralelo de Lucas. Esse reino de Deus aqui se entende como a comunidade cristã. Assim, qualquer membro da Igreja do Novo Testamento é maior do que João Batista.

 

O reino sofre violência, diz o versículo 12, que segue o trecho do evangelho lido hoje e faz parte da mesma perícope. A afirmação soa um tanto misteriosa. Significa que a comunidade dos discípulos de Jesus é perseguida, vítima de violência? Parece, no entanto, que se trata da violência exigida de quem quer conquistar ou arrebatar o reino. É a práxis contra a entranhada mentalidade deste mundo e dos que o dominam. Não significa exercer essa mesma forma de violência, mas vencê-la com firmeza por meio do amor. [Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus]

 

 

A palavra se faz oração (Missal Dominical)

Para que não nos entreguemos ao desânimo, mas confiemos sempre na possibilidade de transformação do homem e do mundo, rezemos ao Senhor: Dai-nos, Senhor, a vossa alegria!

Para que nosso esforço ativo e paciente para libertar o homem de todas as alienações seja o sinal da nossa esperança e da ação de Deus no mundo, rezemos ao Senhor.

Para que nossa paciência com relação a nosso irmão não seja resignação passiva, mas amor ativo que o ajude a libertar-se também da escravidão do dinheiro, rezemos ao Senhor.

Para que esperemos a salvação unicamente de Cristo, rezemos ao Senhor.

(outras intenções)

 

Oração sobre as Oferendas:

Possamos, ó Pai, oferecer-vos sem cessar estes dons da nossa devoção, para que, ao celebrarmos o sacramento que nos destes, se realizem em nós as maravilhas da salvação. Por Cristo, nosso Senhor.

 

Antífona da comunhão:

Dizei aos tímidos: coragem, não temais; eis que chega o nosso Deus, ele mesmo vai salvar-nos (cf Is 35,4)

 

Oração Depois da Comunhão:

Imploramos, ó Pai, vossa clemência para que estes sacramentos nos purifiquem dos pecados e nos preparem para as festas que se aproximam. Por Cristo, nosso Senhor.

 

 

 

Alegrai-vos! A libertação está próxima

 

 

Alegria da volta à pátria, alegria da saúde readquirida, alegria pela liberdade reconquistada, através da qual se é reintegrado na vida civil e religiosa do povo: eis o fruto da intervenção de Deus que salva. Anunciada pelos profetas (1ª Leitura) como novo êxodo, a volta do exílio é vista como um ato de poder e do amor exclusivo de Deus pelo seu povo, embora depois, na realidade, tinha favorecido apenas a um pequeno resto de deportados, e não correspondido totalmente às suas expectativas. Mas o anúncio permanece sempre válido porque voltado para um tempo em que terá seu pleno acabamento. Cristo vem como aquele que guia, em sua volta para Deus, a humanidade perdida, desanimada e extenuada. Mas essa volta se explicitará no decorrer das gerações; a libertação exige tempo e fadiga; a alegria é antes, a de quem venceu uma das etapas, o que mantém viva sua esperança de atingir a meta final.

 

Expectativa paciente e operosa

 

Por isso, é muito atual a exortação de Tiago (2ª leitura) à paciência e à perseverança. Dirige-se a seus “irmãos” (v. 7), os pobres, pedindo-lhes a paciência à espera da vinda do Senhor. (VV. 8-11).

O apóstolo Tiago exige deles a paciência. Não os incita à revolta. A paciência não é resignação; é fruto do amor, é vontade de descobrir o outro e ajudá-lo de todos os modos a libertar-se do que aliena – inclusive o dinheiro. Isso exige tempo. A paciência que Tiago pede de seus irmãos, os pobres, consiste em medir os ricos com a medida do tempo que o amor emprega para amar. Que ao menos o amor tenha tempo para amar, antes que a autodestruição dos ricos e poderosos tenha terminado sua tarefa! E a paciência de quem sabe que o reino de Deus se constrói lentamente, embora os profetas o prevejam com clareza e o anunciem próximo.

 

E quando, como aconteceu com João Batista (evangelho), há um momento de desânimo, de obscuridade e dúvida (“és tu o que há de vier ou devemos esperar outros?”), a evocação da Palavra de Deus e dos sinais que acompanharam sua presença eficaz basta para restituir a confiança.

 

O processo de libertação das escravidões e condicionamentos interiores e exteriores do homem, ameaça fazer-nos perder de vista a esperança ultima, de tal modo é urgente o dever de revolucionar as estruturas desumanizantes, de conscientizar os homens e de lhes restituir a dignidade e a autonomia de pessoas.

 

Por outro lado, com muita frequência, a indolência e o egoísmo dos cristãos obscurecem e debilitam o anúncio da libertação de Jesus, cujos sinais estão, hoje, na dedicação aos pobres, aos marginalizados, às minorias; na defesa dos direitos da consciência, no partilhar realmente e até o fim a sorte dos que não têm esperança.

 

Não há evangelização que não leve a uma libertação. O alegre anúncio do Cristo libertador só é digno de fé se seus mensageiros sabem vivenciá-lo e ser testemunhas da alegria.

 

Deus, fonte de alegria

 

Deus quer a felicidade dos homens, seu bom êxito. Os cristãos devem saber que a boa nova da salvação é uma mensagem de alegria e libertação. Os cristãos dispõem de muitos modos para comunicar a alegria que os anima, embora estejam expostos às contradições e a serem julgados absurdos por alguns; trata-se de uma alegria extraordinariamente realista e que exprime a certeza de que, apesar das dificuldades e aparentes contradições, o futuro da humanidade está sendo construído; certeza essa baseada na vitória de Cristo.

 

A alegria mais profunda.

 

As alegrias mais espontâneas no homem são as provenientes das seguranças da vida cotidiana, recebidas como bênçãos de Deus: as alegrias da vindima  e da colheita, as do trabalho bem ou do merecido repouso, a de uma refeição fraterna, a de uma família unida, a do amor, de um nascimento; tanto as alegrias ruidosas das festas como as alegrias íntimas do coração. Mas existe uma alegria ainda mais profunda: a daqueles que se fazem pobres diante de Deus e tudo esperam dele e da fidelidade à sua lei. Nada pode, então, diminuir essa alegria, nem mesmo a provação. A alegria de Deus é força. A alegria da Igreja (do cristão) em sua condição terrestre é a alegria própria do tempo de construção. A celebração eucaristia, em torno das duas mesas, a da Palavra e a do Pão, constitui um dos terrenos privilegiados em que se deve comunicar e experimentar, de certo modo, a verdadeira alegria. [Missal Dominical, Paulus]

 

Hoje é DIA DO DEFICIENTE VISUAL. O que a Bíblia cita sobre o cego? Veja as seguintes passagens:

Ex 4, 11; Lv 19,14; Lv 21,18; Lv 22,22; Dt 15,21; Dt 27,18; Dt 28,29; 1Rs 14,4; Tb 2,10; Tb  2, 10; Tb 5,10; Tb 7,6; Tb 14,2; Jo 29,15; Ecl 10,10; Is 29, 18; Is 42, 19; Is 43,  8; Jr 31,8; Br 6,36; Zc 11,17; Mt 1,8; Mt 12,22; Mt 15,14; Mt 15,14; Mt 23,26; Mc 8,22; Mc 8,23; Mc 10,46; Mc 10,47; Mc 10,49; Mc 10,49; Mc 10,50; Mc 10,51; Mc 10,52; Lc 6,39; Lc 6,39; Lc 18,35; Lc 18,38; Lc 18,40; Lc 18,40; Lc 18, 41; Lc 18,43; Jo 9,1; Jo 9,2;  Jo 9,3; Jo 9,6; Jo 9,7; Jo 9,8; Jo 9,13; Jo 9,14; Jo 9,17; Jo 9, 18; Jo 9, 19; Jo 9,20; Jo 9,22; Jo 9,24;  Jo 9, 25; Jo 9,28; Jo 9,32; Jo 9, 35; Jo 9,38; Jo 10,21; Jo 11,37; At 13,11; 1Tm 6, 4; 2Pd 1,9; Ap 3,17 (Bíblia Edição Pastoral online, Paulus]