NÚMEROS
Terceira Parte
Nas margens orientais do Jordão

5.19  HOLOCAUSTOS COMPLEMENTARES ÀS FESTAS RELIGIOSAS

Em seguida, acrescentam-se à algumas solenidades, várias disposições complementares, ordenadas por meio de Moisés, com referência aos Sacrifícios, às comemorações, às festas e aos ritos, bem como aos votos e à vida familiar. Ao que se percebe, pela inclusão dessas disposições por meio de Moisés, entre essa nomeação de Josué e sua posse vai transcorrer algum tempo, não se processando de imediato (Dt 34,5 / Js 1,1). Também, de acordo com a ordem de Iahweh, é Moisés quem "...dá-lhe mandamentos aos olhos deles, e põe sobre ele da tua glória, para que lhe obedeça toda a congregação dos filhos de Israel...", havendo assim uniforme e coerente continuidade entre um pastoreio e outro. Nada do que Iahweh dispôs por meio de Moisés poderá ser modificado por Josué, mas será por ele imposto ao respeito de toda a comunidade. Por outro lado, da mesma maneira que foi solucionada a questão surgida a respeito da Herança Feminina, as várias instituições culturais foram se aperfeiçoando paulatinamente, tal como esses casos religiosos ou cerimoniais aqui relatados (Nm 28-30), projetando-se no tempo. Com a possibilidade da nova administração de Josué, nada mais necessário que ratificar os cerimoniais até então praticados incluindo as disposições complementares, tendo como fundamento o "alimento de Iahweh" (Lv 3,6-16):

"Disse mais Iahweh a Moisés: Ordena aos filhos de Israel, e dize-lhes: Tereis cuidado em me oferecer, no tempo determinado, a minha oferenda, o meu alimento para as oferendas queimadas, de suave odor para mim" (Nm 28,1-2).

O narrador apresenta a quantidade e tipos de vítimas ou de oferendas a entregar para os holocaustos, conforme a celebração deles em cada uma das comemorações Israelitas. Assim, as disposições aqui apresentadas completam aquelas já vistas, a respeito das espécies deles (Lv 1-7); quanto ao sábado (Nm15,1-12 / Ex 20,8-21; 21,12-17) e quanto as festas (Lv 13). Após uma breve introdução (Nm 28,1-2) dispõe quanto ao Holocausto do Sacrifício Cotidiano da manhã e quanto ao da tarde (Nm 28,3-8):

"E dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis a Iahweh: dois cordeiros de um ano, sem mancha, cada dia, em holocausto permanente. Um cordeiro sacrificarás pela manhã e o outro cordeiro sacrificarás de tarde; e a décima parte de um efá de flor de farinha em oblação, misturada com a quarta parte de um him de azeite virgem. Este é o holocausto permanente de suave odor, instituído no monte Sinai, como oferenda queimada a Iahweh. E a sua libação será a quarta parte de um him para um cordeiro; no santuário, oferecerás a libação de vinho a Iahweh. E o outro cordeiro sacrificarás de tarde; como a oferenda de manjares da manhã e como a sua libação, como oferenda queimada de suave odor a Iahweh" (Nm 28,3-8).

À comunidade caberia assumir o ônus referente ao culto, centrado no Sacrifício, tendo como cerne o "alimento de Iahweh", com as oferendas, imoladas e queimadas ("...a minha oferenda, o meu alimento..."), para que se consubstancie, tenha eficácia "suaviza-LO" (Gn 8,21) com o "suave" odor da combustão, em holocausto permanente e cotidiano. Todas as prescrições são complementos das anteriores, feitas quando da instituição das solenidades a que se referem, que já foram objeto de exame [cfr.: Êxodo e Levítico, (Capítulo 4)]. Dessa maneira, o holocausto cotidiano mantém as disposições básicas, como foi instituído (Ex 29,38-42), a que se acrescerá, como oblação, "a décima parte de um efá de flor de farinha em oblação, misturada com a quarta parte de um him de azeite virgem". Além disso, com "a sua libação", que, "será a quarta parte de um him para um cordeiro; no santuário, e oferecerás a libação de vinho...", a efusão de vinho, em homenagem a Iahweh. Destacam-se:

1.º) - do Holocausto Cotidiano, aos Sábados (Nm 28,9-10):

"No dia do sábado, oferecereis dois cordeiros de um ano, sem defeito, e dois décimos de efá de flor de farinha, em oblação, misturada com azeite, com a sua libação. É o holocausto dos sábados, além do holocausto perpétuo e a sua libação" (Nm 28,9-10).

É uma instituição nova, nunca antes nem mesmo mencionada, em que também o reforço das oblações e libações é acentuado, coincidindo o Holocausto Cotidiano com o Dia do Sábado. Esse reforço soa como um aperfeiçoamento dos Sacrifícios em geral, tal a insistência na necessidade da oblação e da libação, completando-os, tanto quando dos Holocaustos como dos Sacrifícios Pacíficos. A celebração do cotidiano era tão essencial que sua supressão seria uma desgraça (Dn 8,11-13; 11,21; 12,11). Não só isso, mas, também, a falta de identidade com a vivência vai ser reclamada pelos Profetas (Is 1,13; 58,3-11; 1 Sm 15,22; Jr 6,19-21; 7,17-24; Os 6,6; Am 5,21-24; Mq 6,6-8; Sl 50/49,7-14). Vão se investir energicamente contra o vazio a que, por isso, ficam reduzidas essas cerimônias (Is 1,13-19), tornando-as inúteis aos olhos de Iahweh.

2.º) - do Primeiro Dia de cada Mês:

"Nos princípios dos vossos meses oferecereis em holocausto a Iahweh: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano, sem defeito; e três décimos de efá de flor de farinha, misturada com azeite, em oblação para cada novilho; e dois décimos de efá de flor de farinha, misturada com azeite, em oblação para o carneiro; e um décimo de efá de flor de farinha, misturada com azeite, em oblação para cada cordeiro; é holocausto de suave odor, oferenda queimada a Iahweh. As oferendas de libação serão a metade de um him de vinho para um novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him para um cordeiro; este é o holocausto de cada mês, por todos os meses do ano. Também oferecerás a Iahweh um bode como oferenda pelo pecado; oferecer-se-á esse além do holocausto contínuo, com a sua oferenda de libação" (Nm 28,11-15).

O começo dos meses lunares em Israel era inaugurado pela Festa da Lua Nova (1Sm 20,5; 2Rs 4,23; Is 1,13-14; Os 2,13; Am 8,5), que se anunciava pelas trombetas (Nm 10,10). Os seus holocaustos, oferecidos em comemoração, aqui se regulamentam (1Cro 23,31; 2Cro 2,3; 8,13; 31,3; Esd 3,5. Ne 10,34; Ez 46,1-7), bem como as oblações e libações correspondentes. São Paulo vai se manifestar pela inutilidade dessas comemorações, pelo advento da era cristã (Cl 2,16-17; Gl 4,9b-11):

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir..." (Cl 2,16-17)

"...mas agora que conheceis a Deus ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como estais voltando, outra vez, aos rudimentos fracos e pobres, aos quais, de novo, quereis ainda escravizar-vos? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco" (Gl 4,9b-11).

Isto por que, todo esse cerimonial foi abolido pelo "holocausto de Jesus", que São Paulo resume com a expressão - "esvaziou-se a si mesmo":

"Tende em vós aquele sentimento que houve também em Cristo Jesus, o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz" (Fp 2,5-8).

Nossa língua não dispõe dos mesmos significados para as palavras, como as têm no grego. A "condição divina" a que Jesus "não agarrou" tem no grego uma conotação muito mais ampla, ao usar uma palavra que traduz a voracidade e tenacidade de uma ave de rapina, ao prender entre as suas garras a presa apanhada. Jesus, ao contrário de Adão, despojou-se totalmente de sua divindade, ao humanar-se, e, de imortal, passou a sujeitar-se à morte, morte degradante numa cruz, morre, - e, com a sua morte, "esvaziou-se a si mesmo", eis o Seu Holocausto.

3.º) - da Páscoa ou o da Festa de Ázimos:

"No primeiro mês, aos catorze dias do mês, é a Páscoa de Iahweh. E aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; por sete dias se comerão pães ázimos. No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; mas oferecereis oferta queimada em holocausto a Iahweh: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos eles sem defeito; e a sua oblação de flor de farinha misturada com azeite; oferecereis três décimos de efá para cada novilho, dois décimos para o carneiro, e um décimo para cada um dos sete cordeiros; e em oferta pelo pecado oferecereis um bode, para fazer expiação por vós. Essas coisas oferecereis, além do holocausto da manhã, o qual é o holocausto contínuo. Assim, cada dia oferecereis, por sete dias, o alimento da oferta queimada em suave odor a Iahweh; oferecer-se-á além do holocausto contínuo com a sua oferta de libação; e no sétimo dia tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis" (Nm 28,16-25).

Não se confunde a Festa da Páscoa com a Festa dos Ázimos, apesar da proximidade das datas e a identidade de motivos de ambas (Ex 12,17.27). Assim, "no primeiro mês, aos catorze dias do mês, é a Páscoa de Iahweh, e aos quinze dias do mesmo mês haverá festa; por sete dias se comerão pães ázimos", o que é dito em vários outros locais, desde a sua instituição (Ex 12,8.15-20; 13,3-8; 23,15.18; 34,18.25 / Lv 23,5-8 / Dt 16,1-8). O holocausto que se acresce ao cotidiano é o dos Pães Ázimos, sem fermento, não se referindo ao Sacrifício do Dia da Páscoa, quando haverá somente o contínuo, não se acrescentando nenhum ao da Páscoa.

4.º) - o de Pentecostes ou Festa das Semanas:

"Tereis santa convocação no dia das primícias, quando fizerdes a Iahweh oblações de frutos novos, na vossa festa de semanas; e nenhum trabalho servil fareis. Oferecereis um holocausto em suave odor a Iahweh: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano; e a sua oblação de flor de farinha misturada com azeite, três décimos de efá para cada novilho, dois décimos para o carneiro, e um décimo para cada um dos sete cordeiros; e um bode para fazer expiação por vós. Além do holocausto contínuo e a sua oblação os oferecereis com as vítimas sem defeito, e com as ofertas de libação prescritas" (Nm 28,26-31).

Só aqui se menciona esse cerimonial com o nome de Dia das Primícias, oferenda dos primeiros produtos da colheita de trigo (as primícias), na Festa de Pentecostes, motivo por que esta se denomina também Festa da Colheita (Lv 23,9-14 / [Lv 23,15-22] / Ex 23,16; 34,22 / Dt 16,10). Prescreve-se, tal como nas demais festas, as vítimas dos holocaustos, as oblações e as libações, e o bode imolado em expiação, sem com isso abolir a oferenda dos primeiros, pães que lhe é peculiar, nem do holocausto contínuo, nem de sua oblação e libação, se bem que em quantidades diversas das anteriormente prescritas (Lv 23,17s).

 

5.19.1 HOLOCAUSTOS COMPLEMENTARES DO SÉTIMO MÊS

No sétimo mês, sem comprometer duas cerimônias dele, o Holocausto Cotidiano (Ex 29,38-42) e a Lua Nova (Nm 28,11-15), concentram-se outras solenidades especiais, com os holocaustos acrescidos, transformando-se em importante comemoração:

1.ª) - Festa das Trombetas:

Ao som das trombetas há uma santa convocação de assembléia (Nm 10,9 / Lv 23,23-25), com o oferecimento ritual e programado dos Holocaustos em suave odor, das Oblações, das Libações, a abstenção de qualquer trabalho servil e, ao final, a expiação dos pecados pela imolação de um bode:

"No sétimo mês, no primeiro dia do mês, tereis uma santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; será para vós dia de toques de Trombetas. Oferecereis um holocausto em cheiro suave a Iahweh: um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos sem defeito; e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três décimos de efá para o novilho, dois décimos para o carneiro, e um décimo para cada um dos sete cordeiros; e um bode para oferta pelo pecado, para fazer expiação por vós; além do holocausto do mês e a sua oferta de cereais, e do holocausto contínuo e a sua oferta de cereais, com as suas ofertas de libação, segundo a ordenança, em cheiro suave, oferta queimada a Iahweh" (Nm 29,1-6).

2.ª) - Festa do Dia da Expiação:

Dessa importante e fundamental comemoração já se tratou, quando do estudo de Levítico (Lv 16;e, 23,26-32). Apesar das diferenças de vítimas, cujo número realça-lhe a importância, e de algumas formalidades, não se compromete o seu caráter penitencial e expiatório (Nm 29,7). Principalmente, pela prática do jejum e da mortificação, além da imolação de "um bode para um sacrifício expiatório" (Nm 29,11 / Lv 16), a que se impõem também os vários Holocaustos, Oblações e Libações acrescidas.

"Também no dia dez deste sétimo mês tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; nenhum trabalho fareis; mas oferecereis um holocausto, em suave odor a Iahweh, um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano, todos eles sem defeito; e a sua oferta de cereais, de flor de farinha misturada com azeite, três décimos de efá para o novilho, dois décimos para o carneiro, e um décimo para cada um dos sete cordeiros; e um bode para oferta pelo pecado, além da oferta pelo pecado, com a qual se faz expiação, e do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e as suas ofertas de libação" (Nm 29,7-11).

3.ª) - o da Festa dos Tabernáculos ou das Tendas:

Prevista na Lei da Aliança (Ex 23,16), deveria se realizar no décimo quinto dia desse sétimo mês, como foi instituída, e celebrada durante sete dias, morando cada homem em tendas nos sete dias da comemoração, em memória do tempo de peregrinação no deserto:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos a Iahweh por sete dias. No primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis. Por sete dias oferecereis ofertas queimadas a Iahweh; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis oferta queimada a Iahweh; será uma assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis. Estas são as festas fixas de Iahweh, que proclamareis como santas convocações, para oferecer-se a Iahweh oferta queimada, holocausto e oferta de cereais, sacrifícios ofertas de libação, cada qual em seu dia próprio; além dos sábados de Iahweh, dos vossos dons, de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias a Iahweh. Desde o dia quinze do sétimo mês, quando tiverdes colhido os frutos da terra, celebrareis a festa de Iahweh por sete dias; no primeiro dia haverá descanso solene, e no oitavo dia haverá descanso solene. No primeiro dia tomareis para vós o fruto de árvores formosas, folhas de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante Iahweh vosso Deus por sete dias. E celebrá-la-eis como festa a Iahweh por sete dias cada ano; estatuto perpétuo será pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis. Por sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas de ramos, para que as vossas gerações saibam que eu fiz habitar em tendas de ramos os filhos de Israel, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou Iahweh, o vosso Deus" (Lv 23,33-43).

"...e vos alegrareis perante Iahweh vosso Deus por sete dias" - mantendo estes rituais e durante a solenidade se lhe aditam prescrições relativas às vítimas imoladas, tanto nos sacrifícios já pertinentes ao rito, como nos holocaustos que se lhe acrescem. Buscava-se maior santidade e manter a presença de Iahweh no Santuário, pelos Sacrifícios oferecidos em cada dia e durante os sete dias da festa, decrescendo o número até o sétimo dia, quando seriam imolados sete novilhos, atingindo-se o número sagrado, mantendo-se invariável o das demais vítimas, e "...além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais ("oblação") e a sua oferta de libação":

"Semelhantemente, aos quinze dias deste sétimo mês tereis santa convocação; nenhum trabalho servil fareis; mas por sete dias celebrareis festa a Iahweh. Oferecereis ("no primeiro dia") um holocausto em oferta queimada, de cheiro suave a Iahweh: treze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, todos eles sem defeito; e a sua oblação, de flor de farinha misturada com azeite, três décimos de efá para cada um dos treze novilhos, dois décimos para cada um dos dois carneiros, e um décimo para cada um dos catorze cordeiros; e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e a sua oferta de libação. No segundo dia, doze novilhos, dois carneiros,(...), além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e as suas ofertas de libação. No terceiro dia, onze novilhos, (...). No quarto dia, dez novilhos (...). No quinto dia, nove(...) além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e a sua oferta de libação. No sétimo dia, sete novilhos, dois carneiros, catorze cordeiros de um ano, sem defeito; e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para os novilhos, para os carneiros e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a ordenança; e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e a sua oferta de libação. No oitavo dia tereis assembléia solene; nenhum trabalho servil fareis; mas oferecereis um holocausto em oferta queimada de cheiro suave a Iahweh: um novilho, um carneiro, sete cordeiros de um ano, sem defeito; e a sua oferta de cereais, e as suas ofertas de libação para o novilho, para o carneiro e para os cordeiros, conforme o seu número, segundo a ordenança; e um bode para oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo com a sua oferta de cereais e a sua oferta de libação" (Nm 29,12-38).

Jesus com a sua presença nessa solenidade confirma a importância dela, durante a qual ocorreu a Entrada Triunfal do Messias em Jerusalém, que se comemora no Domingo de Ramos, desenvolvida e esclarecida no Evangelho de São João. Identificando-SE com a água e com a luz, que compunham o ritual da festa a esse tempo, Jesus SE dá a conhecer. Com esses elementos, que davam à cerimônia um sentido messiânico, como era interpretado por São Paulo, de acordo com a tradição rabínica (Ex 17,1-7 / 1Cor 10,4; Zc 14,8; Ez 47,1-2; 36,24-32; Is 9,1-6; 12,3; 60,19-21), Jesus se dá a conhecer:

"Depois disso, Jesus andava pela Galiléia. Não queria andar pela Judéia porque os judeus dali o queriam matar. Estava perto a festa dos judeus, chamada das Tendas (...) No último dia, o mais importante da festa, Jesus falou de pé e em voz alta: "Se alguém tiver sede venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva". Referia-se ao Espírito que haviam de receber aqueles que cressem nele. De fato, ainda não tinha sido dado o Espírito, pois Jesus ainda não tinha sido glorificado" (Jo 7,1-39)

"...Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12).

Muito mais que isso, com essa afirmação, colocava-se Jesus na essência e no centro de toda a cerimônia, como "O" único e salutar "Holocausto", de que aquelas vítimas eram "figura":

"Ele não precisa, como os Sumo Sacerdotes, oferecer sacrifícios a cada dia, primeiramente por seus pecados, e depois pelos do povo. Ele já o fez uma vez por todas, oferecendo-se a si mesmo" (Hb 7,27)

"Todo sacerdote se apresenta, a cada dia, para realizar as suas funções e oferecer com freqüência os mesmos sacrifícios, que são incapazes de eliminar os pecados. Ele, ao contrário, depois de ter oferecido um sacrifício único pelos pecados, sentou-se para sempre à direita de Deus... De fato, com esta única oferenda, levou à perfeição, e para sempre, os que ele santifica. (...). Ora, onde existe a remissão dos pecados, já não se faz a oferenda por eles. Sendo assim, irmãos, temos a plena garantia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus. Nele temos um caminho novo e vivo que ele mesmo inaugurou através do véu, quer dizer: através da sua humanidade. Temos um sacerdote eminente constituído sobre a casa de Deus. Aproximemo-nos, então, de coração reto e cheios de fé, tendo o coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura... Não deixemos as nossas assembléias..." (Hb 10,11-25).

Não é diferente desses dizeres de São Paulo, a mensagem de São João no seu Evangelho. Jesus, "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29), é o "cumprimento" de todos os holocaustos do Antigo Testamento (Mt 5,17). As festas tinham o colorido de um banquete, duravam uma semana, e eram celebradas com o seu memorial e objetivo, onde tudo girava em torno de verdadeiro culto e sacrifício ["...vos alegrareis durante sete dias..." (Lv 23,40)]:

"Estas são as solenidades de Iahweh nas quais convocareis assembléias litúrgicas para oferecer a Iahweh sacrifícios pelo fogo, holocaustos e oblações, vítimas e libações, prescritos para cada dia, além dos sacrifícios a Iahweh aos sábados, dos dons, votos e todas as ofertas voluntárias que apresentareis a Iahweh... e vos alegrareis durante sete dias..." (Lv 23,37-38.40)

"Três vezes ao ano, todos os teus homens deverão apresentar-se perante Iahweh teu Deus, no lugar que ele tiver escolhido: na festa dos Ázimos, na festa das Semanas e na festa dos Tabernáculos. Ninguém aparecerá perante Iahweh de mãos vazias mas cada qual fará suas ofertas conforme as bênçãos que Iahweh teu Deus lhe houver concedido" (Dt 16,16-17).

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