NÚMEROS
Segunda Parte
Do Sinai às planícies de Moab

5.13. A NOVA PURIFICAÇÃO

Até aqui não se falou em contaminação pelo contato com um morto, a não ser pelos sacerdotes em geral. Isto porque, a sua posição de medianeiros entre os Israelitas e Iahweh lhes confere uma importância máxima e absoluta (Lv 21,6.8). Mas, isso não significa que tal impureza não contaminava também os demais Israelitas, apenas define a do sacerdote por ser a mais grave. Vigorava a exigência até mesmo por um contato involuntário com o morto, e se pelo Sumo Sacerdote, ou seja, o Ungido, até mesmo se lhe fosse um familiar, o pai ou a mãe ou irmãos (Lv 21,1-4.10-12). Agora, em virtude das mortes ocorridas por causa das várias sedições, aumentou-se em muito e contaminou-se de "impureza" todo acampamento. E, também, pelo contato com os cadáveres dos que foram mortos, impõe-se uma nova e mais eficaz purificação, pelo que se institui a Expiação pelas Cinzas da Vaca Vermelha:

"Disse Iahweh a Moisés e a Aarão: "Este é o estatuto da lei que Iahweh ordena: Dize aos filhos de Israel que te tragam uma vaca vermelha sem defeito, que não tenha mancha, e sobre a qual não se tenha posto jugo. Entregá-la-eis a Eleazar, o sacerdote; ele a tirará para fora do acampamento, e a imolarão diante dele. Eleazar, o sacerdote, tomará do sangue com o dedo, e dele espargirá para a frente da tenda da reunião sete vezes. Então à vista dele queimar-se-á a vaca, tanto o couro e a carne como o sangue e o excremento. E o sacerdote, tomando pau do cedro, hissopo e carmesim, os lançará no meio do fogo que queima a vaca. Então o sacerdote lavará as suas vestes e banhará o seu corpo em água; depois entrará no acampamento e será imundo até a tarde. Também o que a tiver queimado lavará as suas vestes e banhará o seu corpo em água e será imundo até a tarde. Um homem limpo recolherá a cinza da vaca e a depositará fora do acampamento, num lugar limpo. Então ficará ela à disposição ritual da congregação dos filhos de Israel, para fazerem a água lustral; é um sacrifício pelo pecado. E o que recolher a cinza da novilha lavará as suas vestes e será imundo até a tarde; isto será por estatuto perpétuo aos filhos de Israel e ao estrangeiro que peregrina entre eles" (Nm 19,1-10).

É necessário recordar alguns tópicos já vistos para se entender essa instituição. Em primeiro lugar o significado de "impureza", conceito que não se identifica ao atual. Não se trata de sujeira em si mesmo considerada, mas da impossibilidade contraída de se permanecer no Santuário, ou Habitação de Iahweh, profanando-o com a "impureza" (Nm 19,13). Aqui se evidencia outro aspecto a se lembrar, qual seja o de que a "ausência de vida" significava para o Israelita, fato desenvolvido por ocasião da "impureza da mulher na menstruação e no parto, pela perda do sangue que é vida", motivo que a impedia de comparecer aos rituais e ao Santuário. Cabe aqui a observação de que tem muita significação o fato de se escolher uma "vaca" e ainda "vermelha": a vaca, por ser uma fêmea, fonte da geração de nova vida em oposição ao morto do contágio havido, sempre a vítima em alguns sacrifícios pelo pecado (Lv 4,28; 5,6; Nm 6,14; Dt 21,3-9) e vermelha por ser a cor do sangue, fonte da vida (Lv 17,11).

Um verdadeiro ritual dever-se-ia praticar até que a Cinza pudesse ser utilizada por aqueles que estivessem impuros por causa do morto. Este ritual, conhecido pelo nome de Água Lustral, é um Sacrifício de Expiação (Nm 19,9), e somente seria preparado fora do acampamento, para não profaná-lo:

"...depositará fora do acampamento, num lugar puro, e permanecerá ela para o uso da congregação dos filhos de Israel, para fazerem a água lustral; é um sacrifício pelo pecado. Aquele que tocar o cadáver de um homem ficará impuro sete dias. Ao terceiro dia e ao sétimo dia purificar-se-á com a água, e se tornará puro; mas, se ao terceiro dia não se purificar, não se tornará puro ao sétimo dia. Todo aquele que tocar um morto, o cadáver de um homem e não se purificar, contamina o tabernáculo de Iahweh; e esse homem será extirpado de Israel; porque a água lustral não foi aspergida sobre ele, continua impuro; a sua impureza está ainda sobre ele" (Nm 19,9-13).

"Todo aquele que tocar um morto, o cadáver de um homem e não se purificar, contamina o tabernáculo de Iahweh; e esse homem será extirpado de Israel..." - este preceito traz à baila o respeito e a veneração que se deve manifestar pela Habitação de Iahweh. Também outros casos ou exemplos são especificados, devendo ser cuidadosamente observados para se evitar a profanação do lugar consagrado a Iahweh (Nm 19,14-16):

"Assim separareis os filhos de Israel da sua impureza, para que não morram na sua imundície, contaminando a minha Habitação, que está no meio deles" (Lv 15,31).

Por tudo isso, é prescrito um ritual especial, tal o cuidado que se deve ter com a Habitação de Iahweh, sob pena de ser "eliminado aquele que não se purificar". O meio usado para se praticar essa eliminação permanece desconhecido (Nm 19,17-22), parecendo ser aplicada pelo próprio Iahweh, ou por uma excomunhão pelo povo. No caso da impureza contraída pela morte na tenda, pelas pessoas que estiverem nela e de objetos expostos no recinto ou por quem tocar a ossada, far-se-á a aspersão da Água Lustral para a purificação. Um homem puro é que fará a aspersão, não um Sacerdote, pelo perigo de se contaminar, naturalmente. O fundamental é preservar o Santuário de Iahweh da contaminação profana (Nm 19,20), eliminando-se o impuro até mesmo da comunidade. Por essa conseqüência se vê a gravidade da instituição, aparentemente inofensiva, mas, na cultura de então, profundamente significativa, exigindo Expiação pela aspersão do Sangue de uma vítima imolada num Sacrifício de Reparação. Só assim era possível recuperar a Santidade indispensável ao Povo de Iahweh, por pertencer ao Deus Único e Santo:

"Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma vaca santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?" (Hb 9,13-14).

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