NÚMEROS
Primeira Parte
Os últimos dias do Sinai

5.7. A PURIFICAÇÃO E A INSTALAÇÃO DOS LEVITAS

A autoridade de Moisés lhe advinha de sua profunda intimidade com Iahweh, fato afirmado pelo narrador como aceito por todo o Povo de Israel, em virtude daqueles prodígios realizados desde a saída do Egito:

"Quando Moisés entrava na tenda da reunião para falar com Iahweh ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do testemunho entre os dois querubins; assim ele lhe falava" (Nm 7,89).

Era só Moisés que ouvia a voz de Iahweh, ninguém mais, donde se dizer que essa informação ´s prestada por ele mesmo, e conforme o que acreditava com o risco da própria vida. E a sua autoridade continuava sendo tutelada pelo próprio Iahweh, que sempre o atendia tal como previa o seu servo. Esse versículo traz à baila a Arca do Testemunho, evocada também nos utensílios oferecidos pelos príncipes das Tribos de Israel na Dedicação. "Estas foram as oferendas para a dedicação do altar dos príncipes de Israel, no dia em que foi ungido: doze bandejas de prata, doze bacias de prata, doze vasos de ouro..." (Nm 7,84), e ao mencioná-las lembra aqueles da descrição dela a Moisés no Sinai, para a edificação do Santuário, qual seja:

"Farás um querubim numa extremidade e o outro querubim na outra extremidade... Os querubins estenderão as suas asas por cima do propiciatório, cobrindo-o com as asas, tendo as faces voltadas um para o outro; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório. E porás o propiciatório em cima da arca; e dentro da arca porás o testemunho que eu te darei. E ali virei a ti, e de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do testemunho, falarei contigo a respeito de tudo o que eu te ordenar no tocante aos filhos de Israel. Também farás uma mesa de madeira de acácia... cobri-la-ás de ouro puro...(...)... Também farás os seus pratos, as suas vasos, os seus jarros e as suas taças com que serão oferecidas as libações; de ouro puro os farás. E sobre a mesa porás os pães da proposição perante mim para sempre" (Ex 25,20-22).

O Propiciatório era o lugar onde Iahweh se apresentava e onde Moisés "... ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório...", tal como o a Igreja lembra:

"O nome de Deus salvador era invocado apenas uma vez por ano, pelo sumo sacerdote, para expiação dos pecados de Israel, depois de ter aspergido o propiciatório do 'santo dos santos' com o sangue do sacrifício (cf. Lv16,15-16; Sir 50,20; Nm 7,89; Hb 9,7). O propiciatório era o lugar da presença de Deus (cf. Ex 25,22; Lv 16,2; Nm 7,89; Hb 9,5). Quando S. Paulo diz de Jesus que 'Deus o expôs como instrumento de propiciação, por seu próprio sangue' (Rm 3,25), quer afirmar que na humanidade d'Ele 'era Deus que em Cristo reconciliava consigo o mundo' (2Cor 5,19)" (Catecismo da Igreja Católica n.º 433, negritos inexistentes no original).

Para se completar a Dedicação do Altar Iahweh determina a disposição do Candelabro (Ex 25,3.31-40; 37,17.24 / Lv 24,1-4) e a purificação dos levitas, substituindo-os no Rito de Expiação apropriado pelas vítimas (animais) imoladas em sacrifício. Uma vez assim "limpos" conforme a lei "... entrarão para o serviço da tenda da reunião, depois de os teres purificado e oferecido como oferta de movimento":

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala a Aarão, e dize-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas alumiarão o espaço em frente do candelabro. (...) Disse mais Iahweh a Moisés: Toma os levitas do meio dos filhos de Israel, e purifica-os. Assim lhes farás, para os purificar: esparge sobre eles a água da purificação; e eles farão passar a navalha sobre todo o seu corpo, e lavarão os seus vestidos, e se purificarão.(...) Também farás chegar os levitas perante a tenda da reunião, e reunirás toda a congregação dos filhos de Israel. Apresentarás, pois, os levitas perante Iahweh, e os filhos do Israel imporão as suas mãos sobre os levitas. E Aarão oferecerá os levitas perante Iahweh, como oferta de movimento, da parte dos filhos de Israel, para que sirvam no ministério de Iahweh. Os levitas porão as suas mãos sobre a cabeça dos novilhos; então tu oferecerás um como sacrifício pelo pecado, e o outro como holocausto a Iahweh, para fazeres expiação pelos levitas. E porás os levitas perante Aarão, e perante os seus filhos, e os oferecerás como oferta de movimento a Iahweh. Assim separarás os levitas do meio dos filhos de Israel; e os levitas serão meus. Depois disso os levitas entrarão para o serviço da tenda da reunião, depois de os teres purificado e oferecido como oferta de movimento" (Nm 8,1-15).

Neste ato da purificação dos levitas forma-se uma unidade entre o sacerdócio e toda a congregação dos Filhos de Israel uma vez que, pela oferta de movimento ou de apresentação são consagrados a Iahweh, estabelecendo-se então a comunhão de todos. Iahweh recebe pela imposição das mãos e a oferta de movimento, feitos por toda a comunidade, o Sacerdócio Levita e o entrega de volta a Aarão, tratando-se assim os levitas como uma verdadeira e plena oferenda de um sacrifício (cfr. Lv 1,4 / Ex 29,24-28 / Lv 7,30):

"...os levitas entrarão para o serviço da tenda da reunião, depois de os teres purificado e oferecido como oferta de movimento Porque eles me são oblatos, me são doados dentre os filhos de Israel; em lugar de todo aquele que abre o seio materno, de todo primogênito dos filhos de Israel, tomei-os para mim. (...) ...os santifiquei para mim. Mas tomei os levitas em lugar de todos os primogênitos dos filhos de Israel e destinei os levitas a Aarão e a seus filhos, dentre os filhos de Israel como doados, para fazerem o serviço dos filhos de Israel na tenda da reunião, e para fazerem expiação por eles, a fim de que não caia o flagelo sobre eles por se aproximarem do santuário. Assim Moisés e Aarão e toda a congregação dos filhos de Israel fizeram aos levitas..." (Nm 8,16-20).

Completa-se assim, com a consagração de toda a Tribo de Levi para o exercício perene do Sacerdócio, a formação do Povo de Israel como "...um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,6), formando-se a unidade de todos em torno do culto por excelência, o Sacrifício:

"O povo eleito foi constituído por Deus como "um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,6) (cf. Is 61,6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus elegeu uma das doze tribos, a de Levi, separando-a para o serviço litúrgico (cf. Nm 1,48-53); o próprio Deus é a sua porção da herança (Jos 13,33). Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da Antiga Aliança (cf. Ex 29,1-30; Lv 8). Nele os sacerdotes "são constituídos para intervir em favor dos homens no que se refere as suas relações com Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados" (Hb 5,1) (Catecismo da Igreja Católica n.º 1539).

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