NÚMEROS
Primeira Parte
Os últimos dias do Sinai

5.5. A BÊNÇÃO

É essa a Bênção proferida por Aarão quando de sua consagração (Lv 9,22) que aqui se insere:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala a Aarão, e a seus filhos, dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel; dir-lhes-eis:

    • Iahweh te abençoe e te guarde.
    • Iahweh faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno.
    • Iahweh mostre o seu rosto para ti e te dê a paz.

Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei" (Nm 6,22-27).

Três vezes se repete o nome de Iahweh, numa evocação gloriosa de sua majestade e poder, que vai jorrar sobre o Povo de Israel em forma de Bênção. Proporcionar-lhe-á fecundidade e abundância de todos os bens então aspirados de fartas colheitas, numeroso rebanho e manada, além de feliz e numerosa posteridade. Também para o Povo de Israel atingir os desígnios a que Iahweh o prepara, tornava-se indispensável a união entre ambos numa comunhão de vidas a que somente os atributos de Deus poderia promover com a Bênção. Os próprios pais também tinham este poder de abençoar em nome de Iahweh como já se viu quando Isaac abençoou Jacó (Gn 27,27-29), assim como Jacó abençoou José (Gn 49,25-26). As Bênçãos em Nome de Iahweh continham em germe o teor de toda a fecundidade que por ela se outorgava:

Gn 27,27-29

Gn 49,25-26

...e seu pai... o abençoou, e disse:
Eis que o odor de meu filho
é como o odor de um campo
que Iahweh abençoou.

...pelo Deus de teu pai,
que te ajudará,
e pelo Todo-Poderoso,
o qual te abençoa,

Que Deus te dê do orvalho do céu,
e dos lugares férteis da terra,
e abundância de trigo e de vinho;

com bênçãos dos céus no alto,
com bênçãos do abismo embaixo,
com bênçãos das mamas e do seio.

sirvam-te povos e nações se prostrem a ti;
sê senhor de teus irmãos
e os filhos da tua mãe se prostrem a ti;
maldito seja quem te amaldiçoar;
bendito seja quem te abençoar.

As bênçãos de teu pai, que excedem às bênçãos dos montes
eternos,
à atração das eternas colinas;
sejam elas sobre a cabeça de José,...
a fronte do consagrado dentre seus
irmãos...

É uma ampliada fecundidade ao âmbito de todo um povo que os Sacerdotes têm agora o dever de ministrar, apesar de estar sempre condicionada ao cumprimento das normas ditadas pela Aliança (Dt 28,1-14):

"Por esse tempo Iahweh separou a tribo de Levi, para levar a Arca da Aliança de Iahweh, para estar diante de Iahweh, servindo-o, e para abençoar em seu nome até o dia de hoje. Pelo que Levi não tem parte nem herança com seus irmãos; Iahweh é a sua herança, como Iahweh teu Deus lhe disse" (Dt 10,8-9) / "Então se achegarão os sacerdotes, filhos de Levi; pois Iahweh teu Deus os escolheu para o servirem, e para abençoarem em nome de Iahweh..." (Dt 21,5) / "Se obedeceres a voz de Iahweh teu Deus, tendo cuidando de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, Iahweh teu Deus te exaltará acima de todas as nações da terra; e todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, se ouvires a voz de Iahweh teu Deus: Bendito serás na cidade, e bendito serás no campo. Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto do teu solo...(...)... E Iahweh te porá como cabeça e não como cauda; e estarás sempre por cima, e não por baixo; se ouvires os mandamentos de Iahweh teu Deus, que eu hoje te ordeno guardar e cumprir... (Dt 28,1-14).

"Iahweh te abençoe e te guarde. Iahweh faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te seja benigno. Iahweh mostre o seu rosto para ti e te dê a paz" - é a fórmula da Bênção a ser usada pelos Sacerdotes para abençoar em nome de Iahweh todo o Povo de Israel, preparado para a conquista. Caminhar-se-ia em busca do cumprimento da Promessa a Abraão:

"Abençoarei quem te abençoar e amaldiçoarei àquele que te amaldiçoar e em ti serão abençoadas todas as famílias da terra"..."À tua descendência darei esta terra..." (Gn 12,3.7).

Pôr-se-ia a caminho o Povo "Primogênito", o "reino de sacerdotes e a nação santa", e o fruto da Bênção será como o "resplandecer do rosto" de Iahweh em bens materiais e espirituais a ponto de gozar de inabalável "paz". Uma verdadeira "paz", não como a ausência de guerras ou lutas, mas como a comunhão com Deus na identidade almejada pela Aliança em busca do Jardim do Éden, numa antecipação dos bens temporais e espirituais. Alguns dos primeiros Padres da Igreja viam nessa Bênção tripartida uma alusão ao mistério da Santíssima Trindade.

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