NÚMEROS
Primeira Parte
Os últimos dias do Sinai

5.4. A INSTITUIÇÃO DO NAZIREATO:

"Nazir" significa "consagrado" com idêntica conotação de "santo", "separado". O termo indica até mesmo apenas o sinal exterior da opção feita, qual seja a farta cabeleira, bem como vai designar o "diadema real" tal como o do Sumo Sacerdote (Ex 29,6). O Nazireu, durante o tempo de sua consagração observava três condições:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando alguém, seja homem ou mulher, fizer o voto de nazireu, a fim de se consagrar a Iahweh, abster-se-á de vinho e de bebida fermentada; não beberá vinagre de vinho nem de bebida fermentada, nem suco algum de uvas, nem comerá uvas frescas nem secas. Durante os dias do seu nazireato não comerá de coisa alguma da videira desde os caroços até as cascas. Durante os dias do seu voto de nazireato, navalha não passará sobre a sua cabeça; até que se cumpram os dias de sua consagração a Iahweh será santo e deixará crescer o cabelo da sua cabeça. Durante a sua consagração a Iahweh, não se aproximará de um morto; não se contaminará nem por seu pai, nem por sua mãe, nem por seu irmão, nem por sua irmã, quando morrerem; porque traz na sua cabeça a consagração do seu Deus. Durante o tempo do seu nazireato estará consagrado a Iahweh" (Nm 6,1-8)

"...abster-se-á de vinho e de bebida fermentada", "...navalha não passará sobre a sua cabeça" e "...não se aproximará de um morto" são as principais condições. A Instituição, como um tipo especial de consagração a Iahweh não é bem clara e delineada além do que aqui nisso se contém. Assemelha-se à dos Sacerdotes e futuramente à dos Messias, os Reis de Israel. Confirma-se assim que as Escrituras foram escritas para quem já conhecia os costumes de então, a quem, por isso mesmo, se dispensava muita explicação. Por isso somente uma das características é muitas vezes mencionada, quando desejada para o filho ou anunciada por um anjo ao eleito para uma missão especial. O que se pode saber a respeito vem de casos que se evidenciam embasados nela, tais como a assim mencionada consagração de Sansão (Jz 13,5), a vocação de Samuel (1Sm 1,11), ambos vitalícios e advindos desde o ventre materno, e também se identifica traços dela na Anunciação de João Batista (Lc 1,15):

"Mas o anjo de Iahweh apareceu à mulher e lhe disse: Eis que és estéril, e nunca deste à luz; porém conceberás, e terás um filho. Agora pois, toma cuidado, e não bebas vinho nem bebida fermentada, e não comas nenhuma coisa impura porque conceberás e terás um filho. Sobre a sua cabeça não passará navalha, porque o menino será nazireu de Deus desde o ventre de sua mãe; e ele começara a livrar a Israel das mãos dos filisteus...(...)... Respondeu o anjo de Iahweh a Manoé: De tudo quanto eu disse à mulher se absterá ela. De nenhum produto da vinha comerá; não beberá vinho nem bebida fermentada, nem comerá coisa impura; tudo quanto lhe ordenei observará" (Jz 3-5.13-14) / "Ela, pois, (...) fez um voto, dizendo: Ó Iahweh dos exércitos! se deveras atentares para a humilhação da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, e lhe deres um filho homem, o consagrarei a Iahweh por todos os dias da sua vida, e pela sua cabeça não passará navalha" (1Sm 1,10-11) / "... o anjo lhe disse: Não temas, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; (...) ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe..." (Lc 1,13-15).

Também entre os primeiros cristãos se registram alguns casos ocorridos com São Paulo, quando o caluniavam, para provar "que também tu mesmo te comportas como cumpridor da lei":

"Paulo, tendo ficado ali ainda muitos dias (...) havendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha feito um voto" (At 18,18) / "Faze, pois, o que te vamos dizer: Temos quatro homens que fizeram voto. Toma-os contigo, e santifica-te com eles, e faze as despesas deles para que rapem a cabeça. Saberão todos que é falso tudo aquilo que ouviram a teu respeito, mas que também tu te comportas como cumpridor da lei. (...) Então Paulo, no dia seguinte, tomando consigo aqueles homens, purificou-se com eles e entrou no templo, e anunciou a duração dos dias da purificação, quando seria feita a oferta de cada um deles" (At 21,23-26).

É necessário o registro de um trecho de Amós que mostra a identidade de valor dos nazireus com os profetas:

"E dentre vossos filhos suscitei profetas e dentre os vossos jovens nazireus. Acaso não é isso assim, filhos de Israel? Oráculo de Iahweh. Mas vós fizestes os nazireus beber vinho, e ordenastes aos profetas: 'Não profetizeis'. Eis que eu vos esmagarei no lugar como esmaga um carro cheio de feixes. Assim será impossível a fuga ao ágil, nem ao forte valerá a sua força, nem o valente salvará a sua vida. E não ficará em pé o arqueiro, nem o corredor se livrará, nem tampouco se salvará o cavaleiro e o mais corajoso entre os valentes fugirá nu naquele dia, diz Iahweh" (Am 2,11-16).

Iahweh reclama que Israel fizera "os nazireus beber vinho e impedira os profetas de profetizar" o que motiva o castigo descrito a ponto de "ser impossível a fuga ao ágil, nem ao forte valerá a sua força, nem o valente salvará a sua vida, nem ficará em pé o arqueiro, nem o corredor se livrará, nem tampouco se salvará o cavaleiro e o mais corajoso entre os valentes fugirá nu naquele dia, diz Iahweh". Nem poderia ser diferente uma vez que Iahweh quando "suscitou nazireus", o fez para alguma missão especial e um verdadeiro testemunho de fidelidade pela austeridade e penitência de toda uma vida consagrada. Da mesma forma agiam os que faziam o voto voluntário de duração temporária pelas renúncias e mortificações que a si mesmos impunham. Assumiam o compromisso solene de, durante o tempo da consagração:

  1. Não ingerir bebida fermentada, vinho ou nem mesmo de suco de uva ou se nutrir de qualquer derivado da videira;
  2. Não cortar os cabelos; e,
  3. Não se aproximar de um cadáver, mesmo que seja de seus pais ou irmãos, ou parentes próximos.

Por causa da semelhança desses três votos se identificam a algumas disposições especiais dos Sacerdotes "Ungidos" (Lv 10,8-11; 21,1-6.10-12) e aos termos da bênção de José do Egito por Jacó e Moisés [Gn 49,26 e Dt 33,16 - aqui se traduziu a palavra hebraica nazir (=nazireu) por "consagrado" ou "eleito"], pelo que se compreende e se deduz a magnitude e solenidade da consagração então praticada. Verifica-se a mesma veneração e respeito pelo cerimonial apropriado quando de seu término, no caso de contato imprevisível, inevitável e até mesmo involuntário com um morto (Nm 6,9-12). O Sacerdote celebrará sobre ele o Rito de Expiação para a santificação com a oferta de alguns sacrifícios, e, desprezando-se o tempo já decorrido, refaz-se os votos e reinicia-se o cumprimento das normas da instituição. Tem lugar um cerimonial destinado a marcar o fim do nazireato, pelas oferendas a que então se obriga, abrangendo todos os tipos de sacrifícios, com a entrega delas ao sacerdote oficiante:

"Esta, pois, é a lei do nazireu: no dia em que se findarem os dias do seu nazireato ele será trazido à porta da tenda da reunião, e oferecerá a sua oferta a Iahweh: um cordeiro de um ano, sem defeito, como holocausto, e uma cordeira de um ano, sem defeito, como oferta pelo pecado, e um carneiro sem defeito como oferta pacífica; e um cesto de pães ázimos, bolos de flor de farinha amassados com azeite, como também as respectivas oblações e libações. E o sacerdote os apresentará perante Iahweh, e oferecerá a oferta pelo pecado, e o holocausto; também oferecerá o carneiro em sacrifício de oferta pacífica a Iahweh, com o cesto de pães ázimos e as respectivas oblações e libações. Então o nazireu, à porta da tenda da reunião, rapará o cabelo do seu nazireato, tomá-lo-á e o porá sobre o fogo que está debaixo do sacrifício das ofertas pacíficas. Depois o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um pão ázimo do cesto, e uma torta ázima, e os porá nas mãos do nazireu, depois não se aproximará de um morto de haver este rapado o cabelo do seu nazireato. O sacerdote os moverá como oferta de movimento perante Iahweh; isto é santo para o sacerdote, juntamente com o peito da oferta de movimento, e com a espádua da oferta apresentada. Depois o nazireu poderá beber vinho. Esta é a lei do nazireu e da sua oferta a Iahweh, pelo seu nazireato e outras coisas que as suas posses lhe permitirem oferecer. Conforme o voto que fizer assim cumprirá e pagará além do exigido pela lei do nazireato" (Nm 6,13-21).

Após rapar o cabelo e queimá-lo para evitar a profanação da "consagração ao seu Deus", "...oferecerá a sua oferta a Iahweh...": - "...o sacerdote os moverá como oferta de movimento perante Iahweh; é a parte santa do sacerdote, juntamente com o peito..., e com a espádua da oferta apresentada" - isto é, o que é de Iahweh pela oferta de movimento ou de apresentação (Ex 29,24-26; Lv 7,30-34) vai para o Sacerdote, consumando-se o nazireato, podendo então o consagrado "beber vinho". Essas oferendas mencionadas na regulamentação são um mínimo que se exige, podendo o nazireu oferecer "...qualquer outra coisa que as suas posses lhe permitirem oferecer...", pelo que fica da mesma forma obrigado ao cumprimento.

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