NÚMEROS
Primeira Parte
Os últimos dias do Sinai

5.3. PURIFICAÇÃO FINAL:

Distribuída a função de cada uma das tribos e das respectivas famílias, antes da partida para a Guerra Santa de Conquista, impunha-se uma "purificação geral". Não poderia participar do acampamento nada que não fosse "sagrado", por assim dizer o "puro", "santo", em condições de estar na Habitação de Iahweh, o Santuário:

"Disse mais Iahweh a Moisés: 'Ordena aos filhos de Israel que lancem para fora do acampamento todo leproso, e todo o que padece fluxo, e a todo o que está imundo por ter tocado num morto; tanto homem como mulher os lançareis para fora do acampamento. Dessa maneira não contaminarão o seu acampamento, no meio do qual eu habito'. Assim fizeram os filhos de Israel, lançando-os fora do acampamento. Como Iahweh falara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel" (Nm 5,1-4).

"...fora do acampamento todo leproso, e todo o que padece fluxo, e a todo o que está imundo por ter tocado num morto..." - aqueles mesmos vistos quando da edificação do Santuário, as "pureza legais" instituídas por determinação de Iahweh "para que não contaminem o meu acampamento". A princípio foram excluídos do acampamento apenas os leprosos (Lv 13,46) a que, tendo-se em vista a campanha militar santa vão se acrescer outros (Dt 23,10-15), e se ampliar quanto ao contato com mortos (Nm 19,11-16).

Parte então Moisés para uma "purificação mais ampla", indispensável em face das normas impostas pela Aliança, pelo que alia-se à "pureza legal", a "pureza moral", a conduta ou comportamento quanto ao "próximo", tratadas com a mesma seriedade quanto à Santificação que se exigia (Lv 5,20-26):

"Disse mais Iahweh a Moisés: Dize aos filhos de Israel: Quando homem ou mulher pecar contra o seu próximo, transgredindo os mandamentos e tornando-se assim infiel a Iahweh, confessará o pecado cometido por sua culpa e fará a restituição integral com o acréscimo da quinta parte; e a dará àquele a quem prejudicou" (Nm 5,5-7).

Aqui se esbarra com uma das práticas que soa como uma preparação para a equidade e justiça na distribuição da Terra Prometida entre as várias tribos. Nada recebendo em propriedades a de Levi, separada para o Sacerdócio e dele devendo viver, ficará com tudo o que for consagrado bem como com as vítimas dos sacrifícios (cfr. Nm 18,8-32), como se fossem entregues a Iahweh. Aqui, no caso de não se conseguir restituir ao lesado, entregar-se-á ao sacerdote:

"Mas, se esse homem não tiver parente chegado, a quem se possa fazer a restituição pelo dano, esta será feita a Iahweh, e será do sacerdote, além do carneiro da expiação com que se fizer expiação por ele. Semelhantemente todas primícias das coisas consagradas dos filhos de Israel, que estes trouxerem ao sacerdote, será dele. Enfim, as coisas consagradas de cada um serão do sacerdote; tudo o que alguém lhe der será dele" (Nm 5,8-10).

"Mas, se esse homem não tiver parente chegado, a quem se possa fazer a restituição pelo dano, esta será feita a Iahweh..." - Aqui aparece o direito familiar comunitário nos bens (Lv 25,25), inexistindo parentes vivos do morto e refletindo-se a soberania de Iahweh em toda essa regulamentação. Não tendo "herdeiros" para se restituir o dano fá-lo-á a Iahweh entregando-o ao Sacerdote. Também o "carneiro de expiação" pertencerá ao Celebrante do Sacrifício, na mesma perspectiva e como entrega da "herança" da tribo (Nm 18,8-10), conforme a proporcionalidade da distribuição de propriedades.

Ocorria também a necessidade de segurança familiar, base da sociedade patriarcal, que muito concorre para a paz comunitária. Desde sempre destacam-se duas causas principais de quebra desta paz que se busca necessariamente: o adultério da mulher, sem testemunhas para prová-lo e o ciúme do marido, até mesmo quando suspeita de mulher inocente. Daí a Lei do Ciúme ou a Ordália ou Julgamento de Deus, tal com culturalmente em uso também entre os pagãos até mesmo para outros casos da mesma forma graves:

"Disse mais Iahweh a Moisés: Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Se a mulher de alguém se desviar pecando contra ele, e algum homem se deitar com ela, sendo isso oculto aos olhos de seu marido e conservado encoberto, se ela se tiver contaminado, e contra ela não houver testemunha, por não ter sido apanhada em flagrante; se o espírito de ciúmes vier sobre ele (...) e de sua mulher tiver ciúmes, mesmo que ela não se tenha contaminado; o homem trará sua mulher perante o sacerdote, e juntamente trará a sua oferta por ela, (...) oferta comemorativa, que traz a iniqüidade à memória...(...)...Esta é a lei dos ciúmes, no tocante à mulher que, violando o voto conjugal, se desviar e for contaminada; ou no tocante ao homem sobre quem vier o espírito de ciúmes, e se enciumar de sua mulher; ele apresentará a mulher perante Iahweh, e o sacerdote cumprirá para com ela toda esta lei. Esse homem será livre da iniqüidade; a mulher, porém, levará sobre si a sua iniqüidade" (Nm 5,11-15.29-31).

A Ordália tem o seguinte ritual (Nm 5,16-24) que termina no Sacrifício da Oblação que se oferece para ser queimado, com a conseqüência a ser manifestada por ato de Iahweh na mulher (Nm 5,21):

"E o sacerdote tomará da mão da mulher a oblação de ciúmes e a moverá perante Iahweh, e a colocará no altar. Também tomará um punhado da oblação de ciúmes e o queimará sobre o altar como memorial, e depois fará a mulher beber a água santa. Quando ele tiver feito que ela beba a água, sucederá que, se ela se tiver contaminado, tiver pecado contra seu marido, a água, que traz consigo a maldição, entrará nela, tornando-se amarga; inchar-lhe-á o ventre e a coxa se lhe consumirá; e a mulher será por maldição no meio do seu povo. E, se a mulher não se tiver contaminado, mas for inocente, então será livre, e conceberá filhos" (Nm 5,25-28).

"...se ela se tiver contaminado...(...)...inchar-lhe-á o ventre, a coxa se lhe consumirá e a mulher será por maldição no meio do seu povo. E, se a mulher não se tiver contaminado, mas for inocente, então será livre, e conceberá filhos" - a mulher não mais conceberia filhos no caso da culpa é o que significam as palavras: "será por maldição no meio do seu povo" em confronto com a afirmação final no caso da inocência dela: "então será livre, e conceberá filhos".

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