LEVÍTICO

18. EXORTAÇÕES

Formam o que se denomina geralmente de "Bênçãos e Maldições" que decorrem do cumprimento ou não das leis ditadas por Iahweh no Monte Sinai, ou seja as Leis da Aliança. A Terra Prometida é tal e qual uma antevisão do Paraíso a que Deus destinou e ainda destina o Homem, e cuja violação do preceito de vida ("bênção") então lhe trouxe a morte ("maldição"). Da mesma forma aqui o abandono de Iahweh e a violação dos preceitos ditados trarão a esterilidade da maldição:

"Se andardes conforme os meus preceitos, e guardardes os meus mandamentos e os cumprires, eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo, e a terra dará o seu produto, e as árvores do campo darão os seus frutos; a debulha vos continuará até a vindima, e a vindima até a semeadura; comereis o vosso pão a fartar, e habitareis seguros na vossa terra. Também darei paz ao país, e vos deitareis, e ninguém vos amedrontará. Farei desaparecer da terra os animais nocivos, e pela vossa terra não passará espada. Perseguireis os vossos inimigos, e eles cairão à espada diante de vós. Cinco de vós perseguirão a um cento deles, e cem de vós perseguirão a dez mil; e os vossos inimigos cairão à espada diante de vós. Outrossim, olharei para vós, e vos farei frutificar, e vos multiplicarei, e confirmarei minha aliança convosco. E comereis da colheita velha por longo tempo guardada, até afinal a removerdes para dar lugar à nova. Também porei o meu santuário no meio de vós, e não vos rejeitarei. Andarei no meio de vós, e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo. Eu sou Iahweh o vosso Deus, que vos tirei da terra dos egípcios, para que não fôsseis seus escravos; e quebrei as cadeias do vosso pescoço para andardes de cabeça erguida" (Lv 26,3-13).

"Andarei no meio de vós..." lembra com perfeição uma frase já bem conhecida do Jardim do Éden:

"E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava ('andava') no jardim..." (Gn 3,8).

"...porei o meu santuário no meio de vós..." - Enquanto em peregrinação a "figura" do Paraíso se concentra no Santuário de Iahweh, cuja edificação se consuma, com vistas à Terra Prometida e o Reino de Deus que vai se inaugurar com a Ressurreição de Jesus [ cfr. Jo 1,14 ('...e habitou entre nós') / Lv 26,12; Ex 25,8; 29,45]:

"...quebrei as cadeias do vosso pescoço para andardes de cabeça erguida" (Lv 26,13) / "Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima... (...) ...quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo. Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra" (Lc 21,28-32).

A condição fundamental é a exclusividade da adoração de um só Deus - Iahweh (Lv 26,1-2), por cujo abandono várias "maldições" se manifestarão, denotando a falta da Bênção de Iahweh. Não se trata de simples faltas decorrentes de uma fraqueza humana sempre previsível em qualquer instituição, mas de um desligamento definitivo e obstinado de Iahweh:

"Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem esculpida, nem coluna, nem poreis na vossa terra pedra com figuras, para vos inclinardes a ela; porque eu sou Iahweh o vosso Deus. Guardareis os meus sábados, e reverenciareis o meu santuário. Eu sou Iahweh" (Lv 26,1-2) / "Mas, se não me ouvirdes, e não cumprirdes todos estes mandamentos, e se rejeitardes os meus estatutos, e desprezardes os meus preceitos não cumprindo todas as minhas leis, mas violando a minha aliança, então eu vos tratarei assim: porei sobre vós..." (Lv 26,14-16).

A primeira decorrência da preferência e exclusividade de Iahweh como único Deus é a fidelidade aos seus preceitos ou leis em que se exterioriza ou se manifesta eficazmente a Aliança, que se apresenta até mesmo em cada movimento de conversão ou de retorno::

"Se então o seu coração incircunciso se envergonhar, e pedirem perdão de suas iniqüidades, eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, da minha aliança com Isaque, e da minha aliança com Abraão..." (Lv 26,41-42).

O seu rompimento ocasionará uma série de "maldições" exemplificadas em cinco ameaças destinadas mais a alertar quanto às conseqüências do abandono de Iahweh que propriamente a um castigo. É um chamado pedagógico à conversão:

1.ª) - A Doença e a pilhagem das colheitas feita por inimigos, em virtude da impossibilidade de sua defesa pela fraqueza dos homens ocasionada pelo flagelo:

"...eu, com efeito porei sobre vós o terror, a tuberculose e a febre ardente, que consumirão os vossos olhos e farão definhar a vida; em vão semeareis a vossa semente, pois os vossos inimigos a comerão. Porei o meu rosto contra vós, e caireis diante de vossos inimigos; os que vos odiarem dominarão sobre vós, e fugireis sem que ninguém vos persiga" (Lv 26,16-17).

2.ª) - A Esterilidade da Terra, por cuja fertilidade e abundância das colheitas que os levaria ao orgulho levando-os ao esquecimento de Iahweh, pelo que Deus os alerta por querer sempre o retorno deles, ou seja, a conversão:

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. Pois quebrarei a soberba do vosso poder, e vos farei o céu como ferro e a terra como bronze. Em vão se gastará a vossa força, porquanto a vossa terra não dará o seu produto, nem as árvores da terra darão os seus frutos" (Lv 26,18-20).

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, prosseguirei em castigar-vos sete vezes mais, por causa dos vossos pecados" - esta frase mostra o caráter pedagógico da conversão que Iahweh lhes imporá "sete vezes", até a exaustão em que "quebrarei a soberba do vosso poder" (o vosso orgulho). A terra nada produzirá por causa do calor excessivo e a seca decorrente.

3.ª) - A Invasão dos Animais selvagens então comuns na Terra Prometida, ou seja, a atual Palestina:

"Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiseres ouvir, trarei sobre vós pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados. Enviarei para o meio de vós as feras do campo, as quais matarão os vossos filhos, e destruirão o vosso gado, e vos reduzirão a pequeno número; e os vossos caminhos se tornarão desertos" (Lv 26,21-22).

"Ora, se andardes contrariamente para comigo, e não me quiseres ouvir, trarei sobre vós pragas sete vezes mais, conforme os vossos pecados" - a mesma frase pedagógica e crescente da conversão., mostrando a vinda de animais selvagens como um dos frutos da desordem implantada pela idolatria (2Rs 17,25-26).

4.ª) - O Flagelo da Guerra e suas conseqüências como a peste, a fome e a opressão inimiga:

"Se nem assim quiserdes voltar a mim, mas continuardes a andar contrariamente para comigo, eu também andarei contrariamente para convosco; e eu, eu mesmo, vos ferirei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. Trarei sobre vós a espada, que executará a vingança da aliança violada, e vos aglomerareis nas vossas cidades; então enviarei a peste entre vós, e sereis entregues na mão do inimigo. Quando eu vos quebrar o sustento do pão, dez mulheres cozerão o vosso pão num só forno, e de novo vo-lo entregarão racionado; e o comereis, mas não vos fartareis" (Lv 26,23-26).

Mostra a principal conseqüência do flagelo da guerra, a falta do pão, aqui significada na quantidade tão exígua que "dez mulheres cozerão o vosso pão num só forno, e de novo vo-lo entregarão racionado peso; e o comereis, mas não vos fartareis"

5.ª) - A Devastação do País, o Agravamento da Fome e o Exílio:

"Se nem ainda com isto me ouvirdes, mas continuardes a andar contrariamente para comigo, também eu andarei contrariamente para convosco com furor; e vos castigarei sete vezes mais, por causa dos vossos pecados. E comereis a carne de vossos filhos e a carne de vossas filhas. Destruirei os vossos lugares altos, derrubarei as vossas imagens do sol, e lançarei os vossos cadáveres sobre os destroços dos vossos ídolos; e a minha alma vos abominará. Reduzirei as vossas cidades a deserto, e assolarei os vossos santuários, e não cheirarei o vosso cheiro suave. Assolarei a terra, e sobre ela pasmarão os vossos inimigos que nela habitam. Espalhar-vos-ei por entre as nações e, desembainhando a espada, vos perseguirei; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades se tornarão em deserto" (Lv 26,27-33).

A devastação será de tal envergadura que não mais se conterá nem o amor natural pelo filhos em busca da própria sobrevivência, em que o instinto de conservação da espécie vai falar mais alto a ponto de "comereis a carne de vossos filhos e a carne de vossas filhas", o que acontecia às vezes naquele tempo, pela crueldade dos cercos militares de conquista (cfr. 2Rs 6,28-29; Jr 19,9; Lm 2,20; 4,10; Ez 5,10). Outra conseqüência de envergadura da "maldição" que atingiria os idólatras, além da destruição dos lugares de culto, seria a privação da sepultura (Jr 14,10-13; Jr 22,18-19; Tb 4,3s), o que era considerado uma irreparável tragédia, ficando os mortos expostos ao relento tal e qual as imagens ou ídolos destruídos, igualando-os. Os lugares altos de culto eram usados antigamente eis que quanto mais alto se ficasse mais perto dos céus estar-se-ia. Ali erguiam-se as várias imagens ou ídolos, mencionando-se aqui especificamente uma imagem do "Deus - Sol", que deveria ser uma das idolatrias de então.

Após isso tudo, ou após a ocorrência das "maldições" advindas da idolatria implantada, com o exílio, viria a purificação da terra, contrastando com a covardia dos sobreviventes que apodreceriam em terra estrangeira, "por causa de suas iniqüidades e a dos seus pais":

"Então a terra repousará nos seus sábados, todos os dias da sua desolação, e vós estareis na terra dos vossos inimigos; nesse tempo a terra descansará, e repousará nos seus sábados. Por todos os dias da desolação descansará, pelos dias que não descansou nos vossos sábados, quando nela habitáveis. E, quanto aos sobreviventes, eu lhes infundirei pavor no coração nas terras dos seus inimigos; e o ruído de uma folha agitada os porá em fuga; fugirão como quem foge da espada, e cairão sem que ninguém os persiga. E, embora não haja quem os persiga, tropeçarão uns sobre os outros como diante da espada; e não podereis resistir aos vossos inimigos. Assim perecereis entre as nações, e a terra dos vossos inimigos vos devorará; e os que de vós ficarem apodrecerão pela sua iniqüidade nas terras dos vossos inimigos, como também pela iniqüidade de seus pais" (Lv 26,34-39).

Todas as conseqüências dessa idolatria praticada pela infidelidade a Iahweh, seja trocando-O por outro, seja igualando-O a outros deuses do panteão dos outros povos, seriam esquecidas com a conversão futura de descendentes desde que reconhecessem e confessassem o erro dos antecessores juntamente com a expiação das culpas pela aceitação da justa retribuição a que se sujeitaram, traduzida no pedido de perdão. Seria assim uma conversão plena a partir do interior, por causa da fidelidade de Iahweh à Aliança com Abraão, Isaac e Jacó, apesar da impureza advinda pela convívio com povos pagãos, pelo que se tornavam também de certa forma incircuncisos:

"Então confessarão a sua iniqüidade, e a iniqüidade de seus pais, com as suas transgressões, com que transgrediram contra mim; igualmente confessarão que, por terem andado contrariamente para comigo, eu também andei contrariamente para com eles, e os trouxe para a terra dos seus inimigos. Se então o seu coração incircunciso se humilhar, e expiarem as suas iniqüidades, eu me lembrarei da minha aliança com Jacó, da minha aliança com Isaque, e da minha aliança com Abraão; e bem assim da terra me lembrarei. A terra também será deixada por eles e repousará nos seus sábados, tendo sido desolada por causa deles; e eles expiarão as suas iniqüidades, em razão mesmo de que rejeitaram os meus preceitos e a desprezaram os meus estatutos. Todavia, ainda assim, quando eles estiverem na terra dos seus inimigos, não os rejeitarei nem os abominarei a ponto de consumi-los totalmente e quebrar a minha aliança com eles; porque eu sou Iahweh o seu Deus. Antes por amor deles me lembrarei da aliança com os seus antepassados, que tirei da terra do Egito aos olhos das nações, para ser o seu Deus. Eu sou Iahweh" (Lv 26,40-45).

Aqui finaliza o Código da Aliança e o de Santidade, com a regulamentação de todo o culto e da vida toda dos Israelitas em torno do Deus Único que reconheceram, qual seja, todas as leis que Iahweh entregou a Moisés no Sinai, onde se formalizou com o Povo de Iahweh a Promessa a Abraão, a Isaac e Jacó:

"São esses os estatutos, os preceitos e as leis que Iahweh firmou entre si e os filhos de Israel, no monte Sinai, por intermédio de Moisés" (Lv 26,46).

Estavam assim preparados espiritualmente para tomar posse da Terra Prometida, ratificando-se a fonte de todas as normas:

"São esses os mandamentos que Iahweh ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai." (Lv 27,34).

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