LEVÍTICO

O CÓDIGO DE SANTIDADE

14. O DIA DA EXPIAÇÃO

Encerrando a primeira parte do Livro de Levítico, conhecido como Código Sacerdotal, é apresentado em seguida um ritual por excelência. É o mais importante, solene e de profundas significações nacionais e religiosas dos Israelitas, celebrado uma vez por ano. Esse dia era tão importante que se tornou conhecido simplesmente por "O Dia" ou "O Jejum" (At 27,9). Nele toda a nação Israelita era purificada de todas as suas faltas, que assim se tornava Santa (Ex 19,6), "propícia a Iahweh", tal com fora "separada" de outros povos (Dt 7,6). Santificação que começava pela purificação dos Sacerdotes, de todo o Santuário com as suas partes, completando-se com a de toda a comunidade (Lv 16,1-3).

Para que não suceda com outro o mesmo acontecido com os filhos de Aarão Nadab e Abiú, que desrespeitaram o Santuário, Moisés instrui Aarão "que não entre em todo tempo no Santuário, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra...", eis que o Propiciatório é o lugar onde Iahweh se manifestava e de onde "falava com Moisés" (Ex 25,22; Lv 16,2; Nm 7,89). Uma vez por ano, Aarão, ou o Sacerdote em função, não usando os paramentos pomposos, completos e habituais do cerimonial ou dos Sacrifícios (Ex 29,5-6 / Lv 8,7-9), mas, uma simples túnica, com as calças sobre a carne nua, cingido com um cinto e a mitra, todos de linho, na sua cor branca da pureza pretendida, e vestido com a humildade de um penitente em busca de perdão, entrará no Santuário, "para dentro do véu" (Lv 16,4):

"Aarão entrará no Santuário com um novilho para oferta pelo pecado e um carneiro para holocausto" (Lv 16,3).

Inicialmente a cerimônia parte para a purificação dos Sacerdotes, eis que "só quem é puro pode interceder para a purificação", com a oferenda do novilho pelo pecado, "por si e por sua casa" (os demais Sacerdotes), conforme ritual bem determinado:

"Aarão, pois, apresentará o novilho da oferta pelo pecado, que é por ele, e fará expiação por si e pela sua casa; e imolará o novilho que é a sua oferta pelo pecado. Então tomará um incensário cheio de brasas de fogo de sobre o altar, diante de Iahweh, e dois punhados de incenso aromático bem moído, e os trará para dentro do véu; e porá o incenso sobre o fogo perante Iahweh, a fim de que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o testemunho, para que não morra. Tomará do sangue do novilho, e o espargirá com o dedo sobre o propiciatório ao lado oriental; e perante o propiciatório espargirá do sangue sete vezes com o dedo" (Lv 16,11-14).

Após isso, com a nuvem de incenso impedindo o celebrante de ver "a Glória de Iahweh", "para que não morra" (Lv 16,13), no Propiciatório sobre a Arca disposta no Santo dos Santos (Lv 16,2 / Ex 25,22), espargindo o Sangue sobre o Propiciatório, purifica a si mesmo e a sua casa (os demais Sacerdotes). Assim purificados os Sacerdotes, penetra o Celebrante no Santo dos Santos e passa a oferecer a expiação para a expiação de todas as faltas cometidas por todo o Povo, para a Purificação e Santificação respectivamente pelo Santuário, pela Tenda da Reunião e pelo Altar, imolando um dos bodes escolhido por sorte (Lv 16,8):

"Depois imolará o bode da oferta pelo pecado pelo povo, e trará o sangue do bode para dentro do véu; e fará com ele como fez com o sangue do novilho, espargindo-o sobre o propiciatório, e perante o propiciatório; e fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel e das suas transgressões, de todos os seus pecados. Assim também fará pela tenda da reunião, que permanece com eles no meio das suas impurezas. Nenhum homem estará na tenda da reunião quando Aarão entrar para fazer expiação no santuário, até ele sair, depois de ter feito expiação por si mesmo, e pela sua casa, e por toda a comunidade de Israel. Então sairá ao altar, que está perante o Senhor, e fará expiação pelo altar; tomará do sangue do novilho, e do sangue do bode, e o porá sobre os chifres do altar ao redor. E do sangue espargirá com o dedo sete vezes sobre o altar, purificando-o e santificando-o das impurezas dos filhos de Israel" (Lv 16,15-19).

Atingido então o ponto culminante da cerimônia com o desempenho da Purificação e Expiação no Santo dos Santos, procederá a Santificação e a Purificação plenas simbolizadas com o ritual do "bode emissário" que levará para "uma região solitária" todos os pecados do Povo dos Filhos de Israel, libertando-os deles, significando com isso a exclusão de todas as iniqüidades que impedia que Iahweh lhes fosse "propício":

"Quando Aarão houver acabado de fazer expiação pelo santuário, pela tenda da reunião, e pelo altar, apresentará o bode vivo; e, pondo as mãos sobre a cabeça do bode vivo, confessará sobre ele todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, de todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á para o deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles para uma região solitária; e esse homem soltará o bode no deserto" (Lv 16,20-22).

Então Aarão lavar-se-á e vestirá a roupa que lhe foi destinada ao ser consagrado (Ex 29 / Lv 8) e de posse dos dois carneiros, um levado por ele mesmo (Lv 16,3) e o outro que lhe fora entregue pela comunidade (Lv 16,5), oferecê-los-á em Holocausto. Isso feito, virá o desfecho definitivo com o retorno aos paramentos quotidianos, agora, porém, Purificados e Santificados pela Expiação "por si e pelo povo" e após "queimar sobre o altar a gordura da oferta pelo pecado", assim levada a efeito:

"Depois Aarão entrará na tenda da reunião, e despirá as vestes de linho, que havia vestido quando entrara no santuário, e ali as deixará. E banhará o seu corpo em água num lugar santo, e vestirá as suas próprias vestes; então sairá e oferecerá o seu holocausto, e o holocausto do povo, e fará expiação por si e pelo povo. Também queimará sobre o altar a gordura da oferta pelo pecado" (Lv 16,23-25).

A seguir as abluções tanto do que levar o bode para o deserto como do que queimar o que restar do novilho e do bode das ofertas pelo pecado, para conseguir a purificação necessária para entrar no acampamento. Com isso se evitam tanto a contaminação das oferendas santíssimas que conduziram como qualquer contato delas com o "impuro" ou profano. Termina o cerimonial com um repouso de sábado quando "afligireis as vossas almas" (ou seja, "jejuareis"), qual seja "nesse dia não fareis trabalho algum", por arrependimento e por penitência, manifestando o sentimento interior, moral e religioso da festa, motivo porque era conhecida também por "Jejum" ou "Dia" (At 27,9):

"E aquele que tiver soltado o bode para Azazel lavará as suas vestes, e banhará o seu corpo em água, e depois entrará no acampamento. Mas o novilho da oferta pelo pecado e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi trazido para fazer expiação no santuário, serão levados para fora do acampamento; e queimar-lhes-ão no fogo as peles, a carne e o excremento. Aquele que os queimar lavará as suas vestes, banhará o seu corpo em água, e depois entrará no acampamento. Também isto vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez do mês, afligireis as vossas almas, e não fareis trabalho algum, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós; porque nesse dia se fará expiação por vós, para purificar-vos; de todos os vossos pecados sereis purificados perante Iahweh. Será sábado de repouso solene para vós, e afligireis as vossas almas; é estatuto perpétuo" (Lv 16,26-31).

Em resumo, nessa solenidade, no Dia da Expiação (Lv 16,31), o Sacerdote Israelita, no décimo dia do mês 'tchri' (Lv 16,29-30), atravessará o véu e entrará no Santo dos Santos (Ex 26,31-33, v. tb. o n.° 2 do Capítulo 4), para a cerimônia do Perdão dos Pecados cometidos por toda a Nação:

"E o sacerdote ungido e sagrado para administrar o sacerdócio no lugar de seu pai, fará a expiação, havendo vestido as vestes de linho, isto é, as vestes sagradas; assim fará expiação pelo santuário; também fará expiação pela tenda da reunião e pelo altar; igualmente fará expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da comunidade. Isto será para vós lei perpétua, para fazer expiação uma vez no ano pelos filhos de Israel por causa de todos os seus pecados..." (Lv 16,32-34).

É com aquela "vítima", que recebeu o nome de "bode emissário ou bode expiatório", que se pode identificar Jesus ao iniciar o seu Ministério de Redenção:

"Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele. ...(...)... Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele... (Mt 3,13-17) / "Então Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo..." (Mt 4,1-11).

Esta passagem de Jesus faz pensar na "figura" de "bode emissário" conduzindo os pecados do homem ao deserto. É difícil se conceber a idéia de Jesus em ligação com os pecados do Homem, mas é São Paulo quem o afirma:

"Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2Cor 5,21) / "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo tentado, exceto no pecado" (Hb 4,15)

Isto pode ser resumido simplesmente dizendo que Jesus "era igual a nós em tudo exceto no pecado". Mas, da mesma forma que o "bode emissário", santificado, era conduzido "para Azazel" (Lv 16,8.10.21-22.26), Jesus, o Santo de Deus, carregado de nossos pecados, "foi conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo". Ao deserto, que era concebido como o antro onde os demônios habitavam, onde estava Azazel:

"Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais; e ali habitarão as avestruzes, e os sátiros pularão ali" (Is 13,21) / "E as feras do deserto se encontrarão com hienas; e o sátiro clamará ao seu companheiro; e Lilite pousará ali, e achará lugar de repouso para si" (Is 34,14) / "Então o Anjo Rafael pegou no demônio e acorrentou-o no deserto do Alto Egito" (Tb 8,3).

O próprio Jesus vai confirmar essa crença:

"Ora, havendo o espírito imundo saído do homem, anda por lugares desertos, buscando repouso, e não o encontra" (Mt 12,43).

É que dentre as inúmeras concepções que se faz do significado da denominação de Azazel a que mais sobressai é de se tratar de um demônio, no que se encontra séria dificuldade por não se conceber a remessa de vítima santa para o demônio. Retrucam os favoráveis que o bode leva ao demônio o pecado de Israel em devolução por ser coisa própria dele, não se contaminando, da mesma forma que Jesus saiu ileso:

"Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram" (Mt 4,10-11).

Essa tentação de Jesus no deserto é de muita significação eis que infringe ao demônio uma primeira derrota que anunciava a final. Não teve testemunhas o fato, somente Jesus o conhecia, donde ter sido Ele quem o narrou e com alguma finalidade. Jesus não falava nada à toa, sem razão ou sem um objetivo claro, e não há de ser para exibir alguma vitória, o que não Lhe é próprio, mas informou aos Apóstolos que alijou para o demônio a fonte de todo o mal, a fonte da cobiça humana, a concupiscência:

"Não ameis o mundo, nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a ostentação das riquezas, não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1Jo 2,15-17).

Foi o que Jesus fez e "permanece para sempre": venceu o demônio não se sujeitando à concupiscência da carne:

"E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome. Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães. Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4,2-4)

Em si não haveria mal algum em transformar pedras em pão para se alimentar, principalmente pela fome, nunca porém em atendimento a um desafio para provar que é o Filho de Deus. O que era necessário deixar claro ao demônio era o fim de seu domínio, com a implantação do Reino de Deus. Além disso, Jesus recusara para a sua Missão o Poder, demonstrando isso aos seus discípulos ao lhes narrar o fato. No Reino de Deus não se busca o Poder, que é fruto da concupiscência da carne, agora vencível. Traçava já Jesus as linhas de atuação de Sua Igreja: viver só da "palavra que sai da boca de Deus".

Ainda, derrotou o demônio não se sujeitando à concupiscência dos olhos:

"Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra. Replicou-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mt 4,5-7).

Da mesma forma, Cristo acabou com o domínio de Satanás no mundo, pondo fim na "concupiscência dos olhos", naquele desejo inato do Homem de praticar obras mirabolantes aos "olhos" de si próprio e do mundo. Cristo não era um "milagreiro" usando do milagre apenas para impressionar um público sedento de anormalidades e maravilhas. Jesus não fazia pedras voar, nem elevava pedras no ar para se exibir, nem se "bi - locava" ou se transportava de um lugar para outro sem os meios normais de locomoção, qual seja, seus milagres tiveram uma conotação bem diferente. Ele mesmo reclamava que não os entendiam, pois curava os cegos, os surdos, os mudos, os coxos, ressuscitou mortos, curou leprosos, mostrando o advento do Reino de Deus com o fim das conseqüências do pecado, o fim do domínio do diabo. No Reino de Deus tal como na Sua Igreja não se buscará mais a Honra ou a Glória de um malabarista do mundo, coisas da concupiscência dos olhos, que tem por fonte o demônio, agora rejeitado para sempre, e se impõe como Deus e Senhor, dizendo-lhe que "não tentarás o Senhor teu Deus".

Finalmente a concupiscência da ostentação das riquezas, tornando-se verdadeira idolatria, pela inversão de Satanás em Deus:

"Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares. Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás. Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram" (Mt 4,1-11).

Jesus recusa as riquezas do mundo e a sua glória, a cobiça humana, como verdadeira idolatria:

"Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais: a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria..." (Cl 3,5).

Jesus afastou-a definitivamente do Reino de Deus e de Sua Igreja que então anunciava. Não é preciso dizer muito, eis que recusou a proposta do Diabo que "mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles"; e disse-lhe que "tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares'". O que se conclui daí é que o "bode emissário" devolveu a Satanás o pecado que lhe é próprio, inaugurando a era da Santificação do Homem, levando-o de volta ao Paraíso:

"... hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23,43)

E é isso que São Paulo nos ensina ter feito Jesus, atravessando o véu, aquele que se rasgou quando padecia na Cruz:

"Mas Cristo, tendo vindo como sumo sacerdote dos bens já realizados, por meio do maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santuário, havendo obtido uma eterna redenção. Porque, se a aspersão do sangue de bodes e de touros, e das cinzas duma novilha santifica os contaminados, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo? E por isso é mediador de uma nova Aliança, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo da primeira Aliança, os chamados recebam a promessa da herança eterna...(...)... Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, mas no próprio céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote de ano em ano entra no santo lugar com sangue alheio; doutra forma, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. ..." (Hb 9,11-28).

Então toda a estrutura do Santuário e o Sacerdócio de então, que culminam no Dia da Expiação, é "figura" de Cristo:

"...Jurou o Senhor, e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, de tanto melhor Aliança Jesus foi feito fiador. E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece para sempre, tem o seu sacerdócio perpétuo. Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, porquanto vive sempre para interceder por eles. Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime que os céus; que não necessita, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez por todas, quando se ofereceu a si mesmo. Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas, mas a palavra do juramento, posterior à lei, constitui o Filho, eternamente perfeito" (Hb 7,21-28).

Não é diferente o que ensina o Catecismo da Igreja Católica:

"O nome de Deus Salvador era invocado apenas uma vez por ano, pelo Sumo Sacerdote, para Expiação dos Pecados de Israel, depois de ter aspergido o Propiciatório do "santo dos santos" com o sangue do sacrifício (cf. Lv 16,15-16; Sir 50,20; Nm 7,89; Hb 9,7). O Propiciatório era o lugar da presença de Deus (cf. Ex 25,22; Lv 16,2; Nm 7,89; Hb 9,5). Quando São Paulo diz de Jesus que Deus O "apresentou como Aquele que expia os pecados, pelo Seu Sangue derramado" (Rm 5,25), significa que, na humanidade d'Este, "era Deus que em Cristo reconciliava o mundo Consigo" (2Co 5,19) [n.° 433 - destaques propositais] / "A Morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens (cf. 1Co 5,7; Jo 8,34-36) por meio do "Cordeiro que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29) (cf. 1Pe 1,19), e o sacrifício da Nova Aliança (cf. 1Co 11,25) que restabelece a comunhão entre o homem e Deus (cf. Ex 24,8), reconciliando-o com Ele pelo "sangue derramado pela multidão, para remissão dos pecados" (Mt 26,28; cf. Lv 16,15-16) [n.° 613 - negritos a propósito].

E, quanto à Tentação de Jesus no deserto diz:

"Os evangelistas indicam o sentido salvífico deste acontecimento misterioso. Jesus é o Novo Adão, que Se mantém fiel naquilo em que o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre perfeitamente a vocação de Israel: contrariamente aos que outrora, durante quarenta anos, provocaram Deus no deserto (cf. Sl 94,10), Cristo revela-Se o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisto, Jesus vence o diabo: "amarrou o homem forte", para lhe tirar os despojos (Mc 3,27). A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da Paixão, suprema obediência do seu amor filial ao Pai" (Catecismo da Igreja Católica n.° 540; v. tb.: n.°s. 538 e 539).

Concluindo, na Tentação do Deserto Jesus anuncia a Expiação do pecado do Homem pelo Seu Sacrifício no Altar da Cruz, de maneira definitiva, erradicando do coração humano, pela ação do Espírito Santo, a concupiscência e recusando para o Seu Reino, corporificado na Sua Igreja, o Poder, a Glória e as Riquezas do mundo, que devolvera ao diabo de uma vez por todas.

Terminada a cerimônia da Investidura Sacerdotal tem início a apresentação das condições de Pureza Legal para aproximar-se de Iahweh, principalmente para a participação nos Sacrifícios, seja como Vítima, seja como Ofertante e seja como Celebrante, destacando-se uma classificação de animais em "puros e impuros", cuja observância far-se-á até mesmo nas refeições cotidianas:

"(1) Falou o Senhor a Moisés e a Aarão, dizendo-lhes: Dizei aos filhos de Israel: Estes são os animais que podereis comer dentre todos os animais que há sobre a terra ...(...)... Os seguintes, contudo, não comereis...(...)... (8) Da sua carne não comereis, nem tocareis nos seus cadáveres; esses vos serão imundos ...(...)... (44) Porque eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis ...(...)... porque eu sou o Senhor, que vos fiz subir da terra do Egito, para ser o vosso Deus, sereis pois santos, porque eu sou santo. Esta é a lei sobre os animais e as aves, e sobre toda criatura vivente que se move nas águas e toda criatura que se arrasta sobre a terra; para fazer separação entre o imundo e o limpo, e entre animais que se podem comer e os animais que não se podem comer" (Lv 11,1-4.8.44-47).

<=Volta

Índice do Cap. 4

Índice do Curso

Continua =>


[Volta ao Índice Geral]  [Cadastro no Curso]  [Evangelho do Dia]  [Home]

CURSO DE BÍBLIA PELA INTERNET
- MUNDO CATÓLICO WEB SITE
  Copyright © 1997 by J.Haical Haddad - Página criada em 15/08/98
Hosted by C.Ss.R.Redemptor, Visite a Editora Santuário