LEVÍTICO    

12. O SACERDÓCIO E A SANTIDADE

Uma observação aqui se impõe quanto ao cuidado que se deve ter com a divisão em capítulos e versículos das Escrituras Sagradas, para não se tornar uma fonte de equívocos. Assim, a presença súbita do capítulo dez pode levar à suposição de que no capítulo nove, que tratou das primícias de Aarão e seus filhos, se encerrasse o assunto. Não é bem assim porém, pois ocorreu um acidente fatal com Nadab e Abiú (Lv 10,1-7), antes do consumo das partes das oferendas que eram dos sacerdotes (Lv 10,12-15), completando os Sacrifícios então oferecidos, e a narrativa do fato faz com que se dê às perícopes do capítulo dez títulos com significações distintas do tema ali desenvolvido, como se tratasse de um acréscimo às normas que deveriam seguir os Sacerdotes. Porém, o que se narra nele e a seguir faz parte do tema do capitulo nove anterior, que não exauriu o assunto. Isso é muito comum em Bíblia, devendo sempre se lembrar que os títulos, subtítulos, capítulos e versículos não fazem parte dela, nem foram inspirados nem revelados, são divisões feitas conforme a visão de quem as dispôs para facilitar a localização.

Por causa do episódio de Nadab e Abiú aparecem, fora de lugar, normas rituais novas e repetidas, destacando-se como centro nevrálgico a Santidade plena do Sacerdócio ao exercer a celebração do Sacrifício, necessária "porque está sobre vós o óleo da unção do Senhor" (Lv 10,7), bem como "para fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o limpo, e ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem dado por intermédio de Moisés" (Lv 10,10-11). Ao que tudo indica Nadab e Abiú quiseram queimar a Oblação da Investidura Sacerdotal e o incenso que a acompanhava, com um fogo que não o sagrado e não como estabelecido (Lv 6,14-18 / Lv 9,4b), "um fogo estranho perante o Senhor, o que ele não lhes ordenara". Por causa disso foram atingidos e fulminados por um fogo tão violento que "os devorou e morreram diante do Senhor" (Lv 10,2), o que se tomou como um "castigo de Iahweh", em virtude de não se conduzirem com a dignidade sacerdotal necessária. Não pode ser outro motivo por que Moisés recorda e alerta Aarão das palavras de Iahweh de que "serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo" (cfr. Ex 19,22). Também, ainda em conseqüência do acontecido, Iahweh proíbe o uso de vinho ou de bebidas inebriantes no ofício religioso, exigindo coerência de conduta e comportamento no modo de se conduzirem os Sacerdotes ("serei santificado...serei glorificado...não somente para separar o santo e o profano ... mas também para ensinar..."):

"Falou também o Senhor a Aarão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na Tenda da Reunião, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso pelas vossas gerações, não somente para fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o limpo, mas também para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem dado por intermédio de Moisés" (Lv 10,8-11).

Essa interdição direta de Iahweh a Aarão e seus filhos do "vinho ou bebida forte", quando da celebração sacerdotal, em conseqüência, impõe-se como norma disciplinar, evitando-se possível embriaguez durante o ministério religioso, não apenas por uma questão de Santidade e Pureza pessoais, mas como condição necessária para o ensino religioso a partir do exemplo e mantida a sobriedade ou lucidez da mente. Assim, após a punição, várias observâncias são mencionadas a começar pela retirada para fora do Santuário e do acampamento dos cadáveres, "com as suas vestes", por estarem contaminadas pela impureza dos corpos (Lv 10,4-5). É vedado a Aarão e seus filhos manifestar sua dor, numa antecipação do modo dos Sacerdotes se comportarem no luto (Lv 10,6-7 / Lv 21,1-6.10-12) e impedindo-os de o fazerem então, para não transparecer qualquer reprovação à punição imposta por Iahweh e para infundir o respeito aos formalismos rituais pelos Sacerdotes, os quais devem ser muito mais responsáveis que os demais membros da comunidade:

"Disse Moisés a Aarão: Isto é o que o Senhor falou, dizendo: Serei santificado naqueles que se chegarem a mim, e serei glorificado diante de todo o povo. Aarão calou-se" (Lv 10,3).

Com estas palavras Aarão se cala e Moisés passa a insistir nas instruções relativas ao consumo das Oferendas advindas da Investidura Sacerdotal, aos filhos de Aarão remanescentes, em virtude do justificado temor que se apossou deles pelo acontecido, reafirmando-as e encorajando-os, apesar do golpe profundo que receberam. O resto da Oblação queimada (Lv 9,4b / Lv 6,14-18 / Lv 10,12-13) seria comida pelo celebrante e familiares "sem fermento junto ao Altar, pois é coisa Santíssima"; e, no que se refere ao peito e à perna do Sacrifício Pacífico (Lv 9,21 / Lv 7,30-34 / Lv 10,14-15) a que tinham direito junto com seus familiares, deveriam ser comidos em lugar puro, sem profanação com a impureza legal, limpo por assim dizer conforme as normas de então. O temor de Aarão e seus Filhos faz com que viessem a evitar até mesmo de comer a parte que lhes cabia no Sacrifício Pelo Pecado do bode (Lv 9,15 / Lv 6,24-30 / Lv 10,16-18), em vista do estado emotivo em que se encontravam por causa do acontecido, assim explicado a Moisés que compreendeu e aprovou:

"Então disse Aarão a Moisés: Eis que hoje ofereceram a sua oferta pelo pecado e o seu holocausto perante o Senhor, e tais coisas me aconteceram; se eu tivesse comido ('triste como estou') hoje a oferta pelo pecado porventura teria sido isso coisa agradável aos olhos do Senhor? Ouvindo Moisés isto, pareceu-lhe razoável" (Lv 10,19-20).


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